Comunidades quilombolas de Macapá recebem orientações urgentes da Sema contra queimadas

Frente ao salto expressivo de queimadas urbanas e florestais associadas à estiagem severa e ao El Niño, Secretaria de Meio Ambiente expande ações educativas no Amapá, orientando famílias e brigadistas para conter riscos iminentes de propagação do fogo na capital



Macapá registrou 79 focos de incêndio entre os dias 1º e 22 de outubro, um salto expressivo em relação aos 20 casos computados no mesmo período de 2025, conforme dados oficiais divulgados pelo Governo do Amapá para alertar sobre a intensificação das queimadas na Amazônia. O avanço repentino do fogo ocorre em meio a um cenário severo de estiagem prolongada e condições climáticas extremas associadas diretamente aos impactos do fenômeno El Niño na região norte, exigindo medidas urgentes das autoridades estaduais e da sociedade civil. Diante desse quadro de vulnerabilidade ambiental, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente intensificou as ações preventivas da campanha “Fogo Controlado, Floresta Protegida!”, que percorre comunidades estratégicas para conscientizar moradores, combater práticas tradicionais de risco e evitar desastres ecológicos de proporções incalculáveis.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Emanoel Reis, Macapá – AP
AP-ESPORTESAP-ESPORTES30 de julho de 2019Emanoel Reis, Macapá – AP

Na quarta-feira, moradores e estudantes da comunidade quilombola do Curiaú, na zona norte da capital amapaense, receberam orientações práticas e palestras educativas sobre os perigos do fogo descontrolado. A programação pedagógica e comunitária reuniu alunos da Escola Quilombola Estadual José Bonifácio no Centro Comunitário local, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo sobre a preservação dos recursos naturais e a urgência de mudar velhos hábitos rurais. As equipes técnicas do governo aproveitaram a oportunidade para detalhar os prejuízos diretos causados pela fumaça tóxica à saúde pública, explicando como o material particulado afeta principalmente o sistema respiratório de crianças e idosos.

Especialistas em monitoramento ambiental apontam que a combinação entre a escassez de chuvas e a secura da vegetação cria um ambiente altamente inflamável, transformando qualquer pequena fagulha em um incêndio de rápida propagação. A secretária de Meio Ambiente, Taisa Mendonça, alerta que o risco de alastramento do fogo deve atingir níveis críticos com a chegada de novembro, momento em que os efeitos do El Niño tendem a se intensificar ainda mais no estado. Por essa razão, o órgão estadual reforça a recomendação para que a população evite totalmente o uso do fogo para limpeza de terrenos ou queima de lixo, atitudes que frequentemente saem do controle e ameaçam rodovias e matas.

Para os moradores que vivem historicamente na região, a chegada das equipes governamentais representa uma ferramenta indispensável de proteção coletiva e salvaguarda do modo de vida tradicional. É o que relata o aposentado José Araújo da Paixão, de 66 anos, morador do Curiaú que participou ativamente das palestras educativas promovidas pelo estado na última semana. Para ele, receber orientações preventivas antes que os focos de calor alcancem o quintal das residências ajuda as famílias a compreenderem os perigos ocultos na queima de resíduos e a adotarem medidas seguras para preservar o território ancestral.

A estratégia de prevenção desenhada pelo governo estadual busca descentralizar as ações educativas, alcançando desde o ambiente escolar até as áreas de preservação ecológica mais sensíveis de Macapá. Desde o início das atividades em abril, a iniciativa tem percorrido diversos municípios amapaenses por meio da atuação conjunta de educadores ambientais, guardas-parques e brigadistas voluntários. Segundo a coordenadora de Educação Ambiental da Sema, Renata Hubner, o trabalho pedagógico consiste em ensinar a população e os trabalhadores rurais a identificar riscos iminentes de combustão e acionar rapidamente os bombeiros.

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Profissionais como o guarda-parque Irivelton Santiago, capacitado para atuar diretamente no combate ao fogo, destacam que a vigilância constante nas Unidades de Conservação é vital para impedir que pequenas chamas se transformem em tragédias ambientais. Expandindo essa rede de conscientização, a programação oficial também alcançou a Área de Proteção Ambiental da Fazendinha com o apoio de estudantes municipais e moradores locais. Com essa articulação contínua entre poder público, especialistas e comunidades afetadas, o estado tenta mitigar os impactos da crise climática e blindar o patrimônio natural contra a devastação.


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