Roberto Carlos conversando com jornalistas no Macapá Hotel, em 1972 — Imagem: Acervo Cristina Homobono
O longínquo ano de 1972 foi pródigo em acontecimentos marcantes para os brasileiros. Entre os quais, estão as comemorações dos 150 anos de Proclamação da Independência, culminando com o traslado dos restos mortais de Dom Pedro I de Lisboa para São Paulo; a conquista do primeiro título de campeão mundial de Fórmula 1 pelo piloto Emerson Fittipaldi no Grande Prêmio da Itália; e com o mundo político em polvorosa por conta das eleições municipais que elegeram os prefeitos que governaram as cidades a partir de 1973. E tudo isso em pleno regime militar, sob a mão-de-ferro do general Emílio Garrastazu Médici, o 28º presidente do Brasil, que ocorreu entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974.

Na capital do distante Território Federal do Amapá, encravado no extremo norte da Amazônia, um casal de empresários, Genésio e Líbia Bessa de Castro, arrendatários do principal hotel da cidade, o Macapá Hotel, estavam às voltas com os preparativos para receber um hóspede ilustre, artista famoso em todo o país, que, naquele ano, vinha fazendo sucesso com seu 11º álbum de estúdio, considerado pela revista Rolling Stone Brasil como o 28º maior disco brasileiro.

Roberto Carlos Braga, ou somente Roberto Carlos, havia confirmado show a ser realizado no Estádio Municipal Glicério Marques. Uma equipe de assessores do cantor e compositor encontrava-se em Macapá para cuidar dos preparativos da apresentação e, principalmente, conhecer — e vistoriar — o hotel onde o cantor ficaria hospedado. Genésio e Líbia estavam radiantes. Primeiro, pela perspectiva de faturamento estratosférico; segundo, pela estadia do renomado hóspede, que elevaria ainda mais o nome do hotel, até mesmo mundo afora.

Era preciso deixar tudo conforme as exigências do astro da música popular: ambiente nas cores branco e azul, as preferidas dele, sucos naturais, frutas frescas, bolos de diferentes sabores, chocolates variados, balas, bastante café e leite, e água em temperatura moderada. Naqueles dias, Genésio e Líbia tiveram poucos momentos de descanso. Estavam empenhados em agradar o visitante afamado, não somente pela importância dele, mas, também, porque eram fãs do artista.

Para deixar tudo organizado, o casal contou com a participação de parentes, como a do sobrinho do empresário, Osmar Oliveira, que ficou incumbido da logística de apoio; com colaboradores do hotel e com amigos, como o advogado Cícero Bordalo. Foi com Cícero, na direção de seu Ford Galaxie Clássico, que o cantor saiu do hotel de Genésio e Líbia Bessa de Castro direto para o tradicional “Glicério Marques”, naquela noite, totalmente lotado.
Os fãs foram às alturas quando Roberto Carlos iniciou o espetáculo interpretando canções de seu início de carreira como “Parei na Contramão, “O Calhambeque, “É Proibido Fumar”, “Splish Splash”, “Escreva uma Carta meu Amor”, “Mexerico da Candinha”, “Amada amante” e encerrando com a já emblemática canção “Jesus Cristo”, lançada dois anos antes, numa fase mais religiosa e espiritualizada do “rei da Juventude”.

Após o bem-sucedido show no “Glicerão”, Roberto Carlos ainda permaneceu por algumas horas no saguão do Macapá Hotel, agradecendo ao casal de anfitriões, Genésio e Líbia, ao advogado Cícero Bordalo, com quem fez uma foto em que aparece segurando o braço da filha de Cícero, Fabíola Bordalo, a Osmar Oliveira, que o ciceroneou em passeios por Macapá.
Antes de se despedir, fez questão de posar para uma derradeira foto, bem especial, com os hoteleiros Genésio e Líbia. O filho do casal, Francisco Bessa, à época com dez anos, não quis ser fotografado ao lado do artista. Foi substituído por Rosângela Chagas. Apenas as pernas e as sandálias havaianas do menino ficaram eternizadas. “Sempre que revejo essa foto, lembro que fui convidado, envergonhado, preferi ficar na lateral da escada. Apareceram só minhas havaianas. Haja arrependimento!”, lamenta ele, hoje com 62 anos, em entrevista ao portal AMAZÔNIA VIA AMAPÁ.
Dezembro de 2024. 52 anos depois, Roberto Carlos está de volta ao Amapá para realizar um show gratuito no dia 28 de dezembro. A apresentação, que dará início ao maior Réveillon da Amazônia, acontecerá no anteparo da Fortaleza de São José de Macapá, um local histórico que certamente tocará o coração dos espectadores.
Com o respaldo do Ministério do Turismo, do senador Davi Alcolumbre, do Governo do Estado e do setor privado, o evento faz parte de uma programação de quatro dias de festividades para dar as boas-vindas ao ano de 2025. Roberto Carlos será o destaque da primeira noite, apresentando um repertório que exalta sua longa trajetória e encanta diversas gerações de admiradores.

Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
