Clécio Luís se mobiliza contra reunião da ANEEL que pode elevar tarifas de energia no Amapá

O governador estrou em ação contra a reunião da ANEEL que propõe um aumento nas tarifas de energia elétrica no estado. Um reajuste inaceitável que pode pesar no bolso de milhares de amapaenses



O governador do Amapá, Clécio Luís, embarcou em uma viagem de emergência a Brasília na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, em uma corrida contra o tempo para tentar barrar o que ele classificou como um “escândalo” contra a população do Amapá: um possível e significativo aumento na tarifa de energia elétrica. A urgência da intervenção se deu após a convocação de uma reunião extraordinária pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que incluiu o reajuste das tarifas do Amapá em sua pauta, levantando temores de um novo golpe no orçamento das famílias amapaenses.

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CAPACAPA29 de novembro de 2024Por Emanoel Reis, Macapá – AP
FINA ESTAMPAFINA ESTAMPA30 de julho de 2019Por Emanoel Reis, Macapá – AP

A reação do governador foi imediata e enfática. Utilizando suas redes sociais, Clécio Luís condenou veementemente a possibilidade de a deliberação ocorrer em uma reunião a portas fechadas, fora dos ritos habituais de transparência, considerando a situação “inaceitável”. A mobilização repentina sublinha a extrema sensibilidade do tema energético no estado, que ainda carrega as cicatrizes de crises graves, incluindo o apagão prolongado que paralisou o Amapá em 2020, deixando a população em uma situação de vulnerabilidade e trauma energético.

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A questão tarifária, portanto, não é apenas um debate econômico, mas um tema de profunda relevância social e política na região. O governador e a bancada de representantes do Amapá têm atuado em diversas frentes e articulações prévias buscando alternativas e medidas que possam aliviar a pressão dos custos sobre os consumidores locais, especialmente em um contexto de vulnerabilidade histórica na infraestrutura e distribuição de energia. A viagem a Brasília visa, portanto, uma intervenção de última hora junto aos diretores da ANEEL para impedir que a reunião extraordinária resulte em um reajuste que, segundo Clécio Luís, seria injusto e insustentável para o povo do Amapá.

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Pobreza impacta decisão sobre reajuste nas tarifas de energia

A inviabilidade do aumento nas tarifas de consumo de energia elétrica no Amapá é um tema que mobiliza a população, o setor político e órgãos reguladores, dada a realidade do estado marcada por um histórico de problemas na prestação do serviço e altos índices de vulnerabilidade social.
O Amapá tem enfrentado um cenário em que são propostos reajustes tarifários considerados abusivos e desproporcionais à qualidade do serviço oferecido, com índices que chegaram a gerar críticas de parlamentares por variações entre 12% a 20%, e até propostas de reajuste médio de cerca de 44% em ocasiões passadas. Tais aumentos são contestados sob a alegação de que o estado, apesar de produzir mais energia do que consome, possui uma das contas de luz mais elevadas do Brasil.

Um dos principais argumentos contra o aumento é a baixa qualidade e a instabilidade crônica do fornecimento de energia. O estado foi palco de um grande e prolongado apagão em novembro de 2020, que deixou a maior parte da população às escuras por dias, expondo a fragilidade do sistema elétrico local, que depende de uma única subestação principal para o fornecimento à maioria dos municípios. Problemas recorrentes, falhas na linha de transmissão e a falta de redundância no sistema (como a desativação de transformadores de reserva) reforçam a percepção de que os consumidores não recebem um serviço que justifique o encarecimento da tarifa. O sucateamento do sistema e a falta de investimentos adequados são frequentemente apontados como causas dos blecautes, mesmo após processos de privatização.
A questão social é um fator crítico, já que o Amapá apresenta um dos maiores índices de pobreza do país. Um aumento nas tarifas impacta diretamente a capacidade de pagamento das famílias, com relatos de dívidas elevadas de conta de luz, comprometendo o orçamento doméstico em um cenário de inflação e dificuldades econômicas.


Diante da pressão política e social, reajustes propostos têm sido alvo de intensas articulações. Recentemente, por exemplo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) chegou a suspender um reajuste que superaria 20%, atendendo a solicitações da concessionária e de parlamentares. Essa suspensão visa reavaliar os cálculos e incluir recursos provenientes de medidas provisórias federais (como a repactuação do Uso do Bem Público – UBP), destinadas a amortizar reajustes nas regiões Norte e Nordeste e garantir a modicidade tarifária aos consumidores. A expectativa é que a aplicação desses recursos possa atenuar significativamente os percentuais de alta.
A inviabilidade, portanto, se sustenta na tríade: fragilidade crônica do sistema e baixa qualidade do serviço, alto impacto social e econômico sobre uma população com alta vulnerabilidade, e a existência de mecanismos legais


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