EMPREENDEDORISMO

Área plantada com açaizeiros de terra firme tem crescimento exponencial de 675% no Brasil

Pesquisas impulsionam crescimento na produção de açaizeiros de terra firme no país — Foto:  Ronaldo Rosa

Expansão da área plantada com açaizeiros para terra firme ocorreu nos últimos 13 anos, com a adoção de tecnologias geradas por pesquisas desenvolvidas pela Embrapa

Segundo pesquisa realizada pela Embrapa, a área de cultivo das variantes de açaizeiro (Euterpe oleracea) para solo firme aumentou em 675% nos últimos 13 anos. O uso de sementes de alta qualidade genética e práticas de manejo adequadas tem impulsionado o crescimento do cultivo de açaizeiro fora das áreas alagadas na Amazônia e em outras partes do Brasil, resultando em maior oferta de frutas no mercado. Além disso, esse aumento tem também impactos positivos na geração de renda nas propriedades agrícolas, na qualidade do solo e na preservação da biodiversidade. O estudo também monitorou a adoção de tecnologias, especificamente as cultivares BRS Pará e BRS Pai d’Água. Essas são as únicas variantes no mundo criadas especificamente para o cultivo do açaizeiro em solo firme, uma vez que essa palmeira é natural das áreas alagadas.

O estudo revela que havia no Brasil, particularmente no estado do Pará, uma área de 6.886 hectares de açaizeiros plantados com a cultivar BRS Pará. Recentemente, com duas cultivares disponíveis no mercado, a área aumentou para 53.374 hectares (39.800 hectares da BRS Pará e 13.574 hectares da BRS Pai d’Égua).
Os estados que mais se destacaram na adoção dessas tecnologias foram: Pará, Amazonas, Maranhão, Rondônia, Bahia, AMAPÁ e Roraima, de acordo com informações obtidas através de monitoramento.

— Aldecy Moraes/Analista da Embrapa Amazônia Oriental

A conta leva em consideração o plantio de 400 plantas por hectare, com um espaçamento de 5 por 5 metros, conforme as recomendações da pesquisa. Além disso, o estudo considera uma porcentagem de perdas (50% para cada quilograma de sementes e de 20% a 30% para mudas em cada hectare plantado) e os resultados são validados com o auxílio de produtores da região.


De acordo com o especialista Renato Castro, da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Amazônia Oriental, o monitoramento do uso de tecnologias oferece uma perspectiva mais abrangente sobre a adoção ou não dessas soluções pelos produtores. Além de avaliar o sucesso das pesquisas, a análise de diversos indicadores proporciona uma compreensão mais completa dos motivos por trás dessa adoção. Esses dados, quando tratados, compilados e analisados, contribuem para o aprimoramento contínuo do sistema de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da empresa.
A função do trabalho é completar a Avaliação de Impacto de Tecnologias, uma metodologia consolidada pela Embrapa que analisa os efeitos econômicos, sociais e ambientais das tecnologias desenvolvidas pela pesquisa. Profissionais de quatro unidades da Embrapa na região Norte (Amazônia Oriental, Amazônia Ocidental, Amapá e Roraima) participaram dessa avaliação.

O Brasil vira o epicentro da produção de açaí: uma onda saborosa que conquistou o mundo


Dentre as diversas culturas perenes que são produzidas no Brasil, como café, laranja, cacau e dendê, houve um notável destaque no crescimento da produção de açaí nos últimos anos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem monitorado essa produção e leva em consideração tanto o açaí obtido de áreas de várzea quanto o cultivado. A área colhida no país aumentou cerca de 72 mil hectares, partindo de 136 mil hectares para 208 mil hectares ano passado. Nesse mesmo período, a produção nacional saltou de 1 milhão de toneladas para 1 milhão e 485 mil toneladas. Além disso, o valor da produção também apresentou um crescimento significativo nos últimos anos. Somente no estado do Pará, o açaí movimentou mais de 5 bilhões de reais, atraindo produtores de pequena, média e grande escala.

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