POLÍTICA

Governo sinaliza mudanças e especulações sobre substituição de Juscelino Filho ganham força nos bastidores da Esplanada

Governo dá sinais para saída de Juscelino, e cúpula da União Brasil vê troca como certa — Foto: Edilson Rodrigues/Arquivo/Agência Senado

De acordo com fontes próximas ao ministro Juscelino Filho, os auxiliares de Lula buscaram uma aproximação estratégica com o partido para discutir a situação política atual e possíveis alianças futuras

Integrantes da cúpula da União Brasil dão como certa a saída de Juscelino Filho da Esplanada do presidente Lula (PT). Filiado à legenda, ele comanda o Ministério das Comunicações e foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção.
Segundo aliados do ministro, auxiliares de Lula procuraram nesta semana dirigentes do partido para tratar da situação.
O gesto e uma declaração do presidente na quarta (26 de junho) foram lidos como sinais de que o próprio governo encara a demissão de Juscelino como provável.
O ministro tem sido alvo de acusações desde o início do governo. Lula, porém, descartava demiti-lo sob pena de desencadear uma crise com a União Brasil. O partido tem 59 deputados e sete senadores e é considerado importante para garantir a aprovação de projetos relevantes ao governo.

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Nesta quarta, Lula admitiu a hipótese de demissão pela primeira vez, em entrevista ao UOL, dias depois de tê-lo defendido. Ele afirmou que, caso o ministro seja denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República), ele terá de “mudar de posição”.
A Polícia Federal indiciou o ministro sob suspeita dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, falsidade ideológica e fraude em licitação.

A investigação foi enviada para avaliação da PGR, comandado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Cabe ao órgão se manifestar sobre a efetivação da denúncia.
Dentro da PF, há a aposta que a Procuradoria vai acatar o relatório que incrimina o ministro, segundo um integrante corporação. Dois dirigentes da União Brasil têm a mesma avaliação, e por isso consideram inevitável a saída do ministro.
Uma das lideranças da legenda diz, no entanto, que a PGR pode até não apresentar a denúncia, mas reconhece que as declarações do presidente reforçam o agravamento da situação de Juscelino no governo.


O partido ainda não discutiu substitutos para o cargo. Há uma avaliação de que os líderes da legenda no Senado e na Câmara, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Elmar Nascimento (União Brasil-BA), respectivamente, vão atuar para manter um aliado na pasta.
Juscelino é considerado uma indicação dos dois políticos, influentes no Congresso Nacional e potenciais candidatos para comandar as duas Casas a partir de 2025. Além disso, o ministro conta com apoio de parte da bancada do partido na Câmara, já que foi eleito deputado federal e está hoje licenciado do cargo.


Em nota divulgada após a fala de Lula, o Ministério das Comunicações afirmou que Juscelino “continua trabalhando com muita dedicação e de forma muito transparente” e permanece no cargo “enquanto o presidente desejar, o que é uma honra para Juscelino”.
O ministro diz confiar na Justiça para reconhecer sua inocência, segundo a nota. “O ministro reafirma a sua inocência no caso e que não existe nada em relação à sua conduta à frente do ministério.”
Um ministro do governo afirma, sob reserva, que as declarações do petista desta quarta causaram estranheza, por contrastar do tom que Lula adotou na semana passada, quando fez um afago ao ministro em sua visita ao Maranhão, estado de Juscelino. Ele também diz que a fala do petista pode incentivar a PGR a apresentar a denúncia, o que pode criar ruídos com o meio político.

Em entrevista a uma rádio na última sexta (21), Lula disse que estava feliz com Juscelino e que era preciso aguardar os desdobramentos do indiciamento, repetindo que “todo mundo é inocente até que se prove o contrário”.
“Tem um problema de indiciamento do Juscelino. Mas eu tenho uma filosofia: todo cidadão é inocente até que se prove o contrário. Se o indiciamento ainda não foi concedido pela PGR nem pela Suprema Corte, eu tenho que aguardar”, afirmou Lula na ocasião.

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