POLÍTICA

Lula atropela Simone Tebet e nomeia o economista Marcio Pochmann como novo presidente do IBGE

A ministra do Planejamento nem chegou a ser consultada pelo presidente sobre a nomeação de aliado histórico — Foto: Reuters

A decisão foi tomada mesmo em meio a resistências de uma ala do Ministério do Planejamento liderada pela ex-senadora e ex-candidata a Presidência da República

O governo escolheu o economista Marcio Pochmann, filiado ao PT, como o novo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A decisão foi tomada mesmo em meio a resistências de uma ala do Ministério do Planejamento, que abriga o órgão.
O economista foi anunciado após a ministra Simone Tebet (Planejamento) dizer a interlocutores ouvidos pela Folha que não iria impor obstáculos à nomeação. Na visão dela, não há risco de ingerência política na instituição diante do diagnóstico de que o órgão é técnico e “caminha sozinho”.

Na tarde da quarta-feira (26), antes mesmo de a decisão do presidente Lula (PT) ter sido anunciada, a ministra disse que estava aberta à ideia de se testar o desempenho de Pochmann à frente do instituto, se essa fosse a vontade do presidente da República.
Até o meio da tarde, ela afirmava a interlocutores que não tinha sido consultada pelo Palácio do Planalto sobre a troca e que ainda havia de outros nomes para o cargo.

A gestão do economista no instituto de pesquisa foi vista à época como intervencionista, com cobranças internas por alinhamento ideológico.
Para Tebet, além da solidez do IBGE e da informatização de procedimentos, como a coleta de dados, o órgão é sujeito a fiscalização e supervisão, tendo inclusive como um dos instrumentos o conselho curador -composto por representantes da Esplanada.
Embora diga não conhecer Pochmann, Tebet afirmou, em conversas, que seleciona bem suas batalhas e que a indicação dele está longe de encabeçar sua lista de preocupações.
As ponderações de Tebet são encaradas como uma tentativa de aplacar as restrições ao nome de Pochmann dentro do próprio Planejamento.


LITERATURA DA AMAZÔNIA

Pescador e artesão afamado no pequeno município de Peixe-Boi, Jandir Loureiro morava com a mulher, Maricota, num chalé construído com galhos e troncos de árvores, coberto por cavacos, quintal amplo e arborizado.
Costumava tarrafear no furo do Mortalha, no imenso rio de águas morenas, onde abundavam saborosos acarás.
Porém, o desentendimento com uma mulher desconhecida, durante a negociação para compra e venda de uma tarrafa, mudou profundamente a rotina do casal, levando Jandir à morte em menos de vinte e quatro horas, e abalando, de forma irreversível, a sanidade da mulher.
O que levou essas pessoas à destruição?
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Integrantes do ministério se dividem. Enquanto um grupo reprova a opção por um nome que consideram não ter notório saber em demografia e estatística, nem reconhecimento em gestão pública, outro afirma que a nomeação de um indicado do PT representaria um gesto de boa vontade com Lula.
Doutor em Ciências Econômicas e professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Pochmann foi presidente da Fundação Perseu Abramo (do PT) e assumiu a presidência do Instituto Lula em 2020.
Em artigos, argumenta que os pobres e a classe média pagam muito mais tributos do que os ricos e super-ricos porque estes últimos vivem do lucro de suas empresas e dos dividendos que recebem das ações que possuem, e no país nada disso é taxado pelo IR (Imposto de Renda).
“Já para quem vive de salário, além de não haver escapatória, o pior é ter de pagar a mesma alíquota do super-rico, uma vez que a alíquota de quem ganha de cinco a 320 salários mínimos mensais é a mesma (27,5%)”, afirmou em texto de 2018.

HADDAD MINIMIZA IMPACTO COM NOMEAÇÃO ABRUPTA

Diante das resistências ao nome do economista no Planejamento, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) minimizou a hipótese de dissonância entre Pochmann e Tebet
Descrevendo os dois como disciplinados e leais a Lula, Haddad disse que não haveria dificuldades para que os dois trabalhassem juntos.
“Ela não vai ter a menor dificuldade de trabalhar [com Pochmann]. Você trabalha com pessoas diferentes. É uma pessoa [Pochmann] disciplinada, leal ao presidente. E a Simone também, disciplinada e leal ao presidente. Tem sido uma companheira de extremo valor. Não vai ter problema”, disse o ministro.

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Tebet nega conversa com Lula sobre troca no IBGE pouco antes da escolha de Pochmann

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Economista Marcio Pochmann substuirá atual presidente do IBGE
Por Cristina Camargo/FOLHAPRESS

Poucas horas antes do anúncio do economista Marcio Pochmann, filiado ao PT, como o novo presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a ministra Simone Tebet (Planejamento) disse que ainda não havia conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o assunto.
“Não estamos tratando de IBGE. Até porque seria um desrespeito com um presidente que está hoje lá e tem um ciclo que não se encerrou”, afirmou em entrevista à jornalista Miriam Leitão, na Globonews, citando anúncios relacionados ao Censo 2022.
Ela também disse que discutiria a troca no IBGE “no momento certo e com a pessoa certa”.
A decisão sobre Pochmann foi tomada em meio a resistências de uma ala do Ministério do Planejamento, que abriga o órgão. Apesar disso, a ministra disse a interlocutores ouvidos pela Folha que não iria impor obstáculos à nomeação. Na visão dela, não há risco de ingerência política na instituição diante do diagnóstico de que o órgão é técnico e “caminha sozinho”.
Também na entrevista a Miriam Leitão, Tebet declarou não conhecer o economista anunciado para a presidência do órgão e por isso preferiu não fazer nenhuma consideração sobre o nome.
Pochmann foi presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2007 a 2012 e a gestão dele foi vista como intervencionista, com cobranças internas por alinhamento ideológico.
Ainda na entrevista, a ministra destacou como positiva a relação com o ministro Fernando Haddad (Fazenda). Segunda ela, o diálogo não poderia ser melhor.
“Somos dois filhos de libaneses e somos professores. Temos perfil técnico e damos um boi para não entrar numa briga”, disse, lembrando do que falou para Lula quando os dois foram convidados para liderar a equipe econômica do governo.
Tebet, no entanto, afirmou que quando a briga vale a pena, dá uma “boiada” para não sair. Admitiu divergências com o ministro por ser mais liberal e fiscalista na economia, mas destacou a preocupação de Haddad com a responsabilidade fiscal.
Para ela, o legado do Ministério do Planejamento é fazer o Brasil pensar e planejar o futuro. “Que Brasil nós queremos para quatro anos é muito pouco. Temos que falar em gerações. Que Brasil queremos para os próximos 20 anos”.
Em setembro, o Planejamento inicia uma agenda com análise de políticas públicas e eficiência nos gastos, investimentos em áreas como saúde, educação e qualificação de trabalhadores.
Até o momento, a avaliação que Tebet faz do governo Lula é positiva. Ela deu nota 8,5 para a gestão e 10 para o que foi feito para recompor o retrocesso dos últimos quatro anos. Citou as questões ambiental e armamentista, a misoginia, a igualdade racial e os direitos das minorias.
“Tudo que foi possível mediante caneta, aconteceu. O resto agora é parceria com o Congresso Nacional”.
Tebet comentou também o possível apoio de setores do PT para a recondução de Augusto Aras ao cargo de procurador-geral da República. Disse que isso é decepcionante após ele ter feito uma gestão com acenos políticos a Bolsonaro.


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Governo Lula racha sobre anúncio de Pochmann, que desgastou Tebet e ofuscou pauta econômica

Por Eduardo Gayer e Roseann Kennedy
Estadão Conteúdo

O governo Lula se divide nas avaliações sobre o anúncio de Marcio Pochmann à presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A forma como o economista heterodoxo foi confirmado no cargo, por meio de uma declaração a jornalistas do ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, foi vista como “atabalhoada” e “imprópria” por parte do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para uma ala do Palácio do Planalto, Pimenta errou ao não deixar o anúncio para a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que teria ficado “vendida” na história. Ainda por cima, ao fazê-lo no início da noite de ontem, o ministro acabou por tirar dos holofotes a notícia positiva do dia para o governo: a elevação da nota de crédito do Brasil por parte da agência de classificação de risco Fitch.
Aliados do ministro da Secretaria de Comunicação, porém, o defendem e argumentam que era preciso “estancar a sangria” em torno de Pochmann em meio à “campanha difamatória”, nas palavras de uma fonte, contra o economista. O futuro presidente do IBGE tem suas posições econômicas contestadas e sua gestão à frente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nos governos Lula e Dilma, altamente criticada.

Os pedidos, porém, não necessariamente serão atendidos.
A decisão de Lula sobre Pochmann estava tomada há semanas e vinha sendo articulada com Tebet pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. O problema, assim, nunca foi emplacar Pochmann no cargo, até porque se trata de uma decisão do presidente, mas, sim, a condução do processo.
No MDB, lideranças do partido entendem que o PT “faltou com a elegância” ao delegar o anúncio a Pimenta e expor a ministra do Planejamento, que foi candidata à Presidência da República ano passado e apoiou Lula no segundo turno.

Bate-cabeça na comunicação do governo já ameaçou reforma estruturante
Não é a primeira vez, no entanto, que há bate-cabeça no governo em torno de anúncios. No início de julho, a reforma tributária quase subiu no telhado após Paulo Pimenta afirmar que a então ministra do Turismo, Daniela Carneiro, permaneceria no cargo. Com a nomeação do atual ministro, Celso Sabino, já acertada, o União Brasil – legenda do titular da pasta – ameaçou não votar o projeto encampado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Diante da reação do Congresso, poucas horas depois do anúncio de Pimenta, o Planalto teve de mudar sua versão. Padilha emitiu nota oficial e confirmou a saída de Daniela Carneiro da Esplanada, e assim, garantiu a aprovação da reforma tributária.


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