POLÍTICA

Campeões de voto de 2018 criaram polêmicas que deram em nada

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

“Se fosse para dar uma nota ao conjunto da obra (do Congresso), diria que se salva muito pouco. A principal medida foi a reforma da Previdência, mas o conjunto é muito ruim, principalmente pela criação do orçamento secreto e pelo engessamento de bilhões para a compra de votos de parlamentares” Kim Kataguiri

Eleitos na onda bolsonarista que dominou o País em 2018, os campeões de voto de quatro anos atrás apostaram no discurso ideológico e, em geral, não conseguiram liderar os principais debates do Congresso. Alguns romperam com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e mudaram de partido. Outros tentam chamar a atenção com polêmicas que não deram em nada

Candidato com a maior votação para deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho “03” do presidente, não entra nas discussões mais relevantes da Câmara. Investe, porém, nas redes sociais e tem atuação voltada para o “bolsonarismo raiz” em canal do YouTube. Eduardo defendeu, por exemplo, “um novo AI-5” para conter manifestações de esquerda e citou “espionagem da China” ao falar sobre a adesão do Brasil à tecnologia 5G. Teve apenas um projeto que virou lei nesta legislatura: o que institui o Dia Nacional da Pessoa com Atrofia Muscular Espinhal.


No Rio, o campeão de votos foi o deputado Hélio Lopes (PL-RJ), amigo de Bolsonaro. Lopes teve, até agora, dois projetos aprovados: um deles institui o Ranking Nacional Esportivo das Instituições de Ensino Superior Brasileiras; o outro aumenta as penas para casos de abandono e maus tratos a idosos. As duas propostas, porém, não andaram no Senado.


Sou autora de 289 projetos de lei e coautora de muitos outros, inclusive o que regulamentou a telemedicina e o homeschooling no Brasil. Não fico esperando ninguém me dar nada. Arranco minhas relatorias na unha e sigo trabalhando pelo País.

— Joice Hasselmann

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Na Bahia, o mais votado é apoiador do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de Pastor Sargento Isidório (Avante-BA). O deputado se apresenta como “ex-gay” e anda pelo plenário com uma Bíblia embaixo do braço. Tentou emplacar uma lei proibindo o uso da palavra Bíblia em publicações não religiosas, mas, diante da polêmica, retirou o projeto de circulação.

Famosos surfaram na onda bolsonarista

Eles bamburraram votos na eleição passada, criaram discussões que deram em nada e hoje vivem à margem, no Congresso, tornando-se irrelevantes

Na disputa de 2018, o Congresso também foi ocupado por famosos, como os deputados Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP). Os dois eram aliados de Bolsonaro, mas acabaram se afastando dele.
Frota já chegou a definir a Câmara como “lixo”, mas tem evitado avaliar o trabalho dos colegas. “Dou nota para o meu trabalho, que é 10 perto da vagabundagem, da preguiça e do descaso daquelas pessoas que olham apenas para si próprios”, disse o ex-ator, que, a exemplo de Joice, foi eleito pelo PSL. Desta vez, ele concorrerá a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Para Antônio de Queiroz, consultor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), os campeões de voto de 2018 tiveram desempenho pífio. “Em geral, o campeão de voto é uma decepção completa. Ele não se dedica à produção legislativa, mas, sim, a uma campanha permanente. É uma celebridade ou alguém que vive de gerar polêmica e confronto”, observou. Procurados, Eduardo Bolsonaro, Lopes e Isidório não se manifestaram.

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