Empresários entusiastas da terceira via veem vento favorável em reviravolta de Doria e Moro

Ainda há muita água para correr sob a ponte nos nove meses até as eleições presidenciais
A reviravolta nas candidaturas de João Doria e Sergio Moro na quinta-feira (31) confundiu até os empresários mais experientes na análise política. Não há consenso sobre qual foi o saldo do dia nem as previsões para os próximos meses, mas os entusiastas da terceira via tendem a achar que o vento é favorável.

Para Laercio Cosentino, presidente do conselho da Totvs, o fato mais importante foi a diminuição do número de pré-candidatos no campo da terceira via.
Consentino chama a terceira via de “primeira via”, expressão que tem sido usada pelos empresários que mais torcem por um arranjo fora da polarização entre Lula e Bolsonaro.
Descongestionar esta via vai fortalecê-la, porém, o sucesso virá pela unificação de forças e por um plano de país que promova crescimento, inclusão social, educação, saúde, respeito a recursos e relacionamento global. Sonho? Não, depende de um candidato que se comprometa com isto e que saiba se comunicar e converta este ativo em voto.
— Laercio Cosentino/Totvs
O saldo dessa aventura, nas palavras de Horácio Lafer Piva deve ficar mais claro nos próximos dias. “Não tenho dúvidas de que há feridos, mas ainda a serem contados. Alguns movimentos e muitos sentimentos dirão, mas o evento não terá tanto efeito na opção pelo centro democrático pois pouco mudou. Doria continua candidato, e votos de Moro não iriam para Lula ou Bolsonaro”, calcula o empresário.

Pela manhã, um peso-pesado do empresariado mais próximo de Doria ainda dizia acreditar que o tucano faria bem em desistir da campanha e seguir no Palácio dos Bandeirantes até o final do seu mandato para mostrar seus feitos sem sofrer ataques da concorrência bolsonarista, o que poderia até reduzir a rejeição do tucano para, quem sabe, no futuro, recomeçar a trajetória na política.
Esse amigo mais chegado de Doria já vislumbrava alternativas para a carreira do governador paulista fora do Lide, onde seu filho, João Doria Neto se estabeleceu nestes últimos anos.
No campo de Moro, que saiu do Podemos rumo ao União Brasil, representantes do empresariado paranaense resistem à ideia de ver o ex-juiz como candidato a outro cargo que não seja a Presidência.
Um dos maiores defensores da candidatura de Moro, Fabio Aguayo, da CNTur, diz que a troca de partido visa melhorar o posicionamento na corrida.

Com decisões de Moro e Doria, terceira via fica menos pulverizada
A primeira temporada eleitoral, a de filiação partidária e desincompatibilização de autoridades, termina com a perspectiva de uma terceira via à Presidência da República menos pulverizada do que estava em janeiro. Embora todos ainda se apresentem como pré-candidatos, a conversa não é mais a de ser postulante a qualquer preço, como era João Doria, ou personalistas, como era o ex-juiz Sergio Moro dentro do Podemos. A “piscada” que Doria deu, quando cogitou permanecer no governo de São Paulo, e a de Moro, mudando de partido, mostram que essas candidaturas, à primeira vista, se enfraqueceram.
João Doria jogou com a ameaça de implodir o PSDB de São Paulo e quase lançou ao espaço o acordo para o vice-governador Rodrigo Garcia concorrer como candidato à reeleição ao governo estadual. Agora, fecha esse período com uma carta do presidente do partido, Bruno Araújo, dando-lhe a garantia de que representará o PSDB na corrida pelo Planalto. Mas daí até a convenção, em julho, será outra novela. Os apelos para que Doria saísse do cargo foram mais no sentido de fazê-lo cumprir o acordo com Garcia do que propriamente disputar o Planalto. Daqui para a frente, o ex-gestor paulista terá de, com muita humildade, tentar convencer os próprios tucanos e as demais legendas de que é a melhor opção para representar esse bloco do centro, o que, até aqui, não se confirmou, nem de acordo com as pesquisas eleitorais nem no sentimento dos próprios partidários dele.
Os tucanos estão para lá de divididos. O grupo que deseja a candidatura de Eduardo Leite — que deixou o governo do Rio Grande do Sul — à Presidência da República vai balançar o palanque de Doria até as convenções partidárias, que podem ser feitas de 20 de julho a 5 de agosto. Ou seja, ainda há muito tempo pela frente, e o PSDB não encontrou, nessa primeira fase, um caminho para unificar o partido. Para completar, a solenidade em que Doria anunciou a sua saída não teve a presença dos grandes líderes do PSDB, embora contasse com Bruno Araújo, que deu a mão ao ex-governador com um sorriso que denunciava falta de espontaneidade. Os prefeitos tucanos do interior de São Paulo, porém, fizeram as honras da casa e carregaram Doria nos ombros, quando ele deixou o auditório, em sinal de gratidão pelo trabalho do gestor. (Por Denise Rothenburg)
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