Moro anuncia desistência da Presidência. Será candidato a deputado federal por São Paulo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-juiz federal não encontrou o apoio necessário no Podemos
O ex-juiz Sergio Moro decidiu deixar o Podemos e migrar para o União Brasil, onde deve ser candidato a vice-presidente de Eduardo Leite. A negociação gira em torno de uma possível chapa liderada por Leite e que envolveria o União Brasil, o PSDB e o MDB. Nas negociações, Luciano Bivar, presidente do União Brasil, teria colocado como condição para receber Moro a desistência do ex-juiz pela cabeça de chapa.

O ex-ministro da Justiça se reuniu com a equipe de campanha para avaliar o cenário e fechar a transferência de partido. Moro anunciou oficialmente a decisão em Curitiba. O prazo para a janela partidária, quando é possível fazer mudanças de partido terminou dia 1º de abril.
Novos direcionamentos no rumo da campanha de Moro foram necessários após o movimento no PSDB. O governador de São Paulo, João Doria, vai anunciar a desistência da candidatura. A decisão fortalece o nome de Eduardo Leite, que encerrou o mandato à frente do Governo do Rio Grande do Sul.
Moro e a equipe avaliam que Leite pode ser o nome que unificaria a chamada terceira via. Além disso, segundo interlocutores de Moro, até junho serão avaliadas novas pesquisas que vão indicar a viabilidade de Eduardo Leite.
Moro desiste de concorrer à Presidência da República
O ex-juiz Sérgio Moro desistiu de disputas a Presidência da República. Na quinta-feira (31), Moro anunciou filiação ao União Brasil e que irá tentar uma vaga para deputado federal por São Paulo. Antes o ex-juiz era filiado ao Podemos.
Após reunião com o deputado federal Júnior Bozzella, vice-presidente do União Brasil em São Paulo, e o grupo de Alexandre Leite, filho do presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, e antigo presidente do DEM estadual, Moro tomou a decisão de disputar a Câmara dos Deputados.
Moro tem aparecido em pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto em terceiro lugar, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Para PT, desistências de Moro e Doria mostram naufrágio da terceira via

Para o deputado federal José Guimarães (PT-CE), os indicativos de desistência do governador de São Paulo, João Doria e do ex-juiz Sergio Moro em disputar a Presidência são sinais de “naufrágio da terceira via”.
“A terceira via não se viabilizou porque é um puxadinho do bolsonarismo”, afirma Guimarães, que coordena o núcleo do partido responsável pela estratégia eleitoral. Na sua avaliação, essa será uma eleição polarizada, porque a própria população escolheu assim.
Além disso, sustenta, faltou um projeto político e uma liderança capaz de levá-la adiante. “O projeto deles era o projeto do [ministro da Economia, Paulo] Guedes e do [presidente Jair] Bolsonaro”.
Doria comunicou na quarta (30) ao vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que tinha desistido da campanha nacional e que permaneceria no cargo de governador.
A informação explodiu como uma bomba nos meios políticos.
Na manhã da quinta (31), no entanto, Doria já estaria voltando atrás. Diante das resistências, ele sairia do cargo para concorrer a presidente. E deixaria o caminho livre para Rodrigo Garcia assumir o governo — e, no cargo, disputar a sucessão estadual.
Já o ex-juiz Sergio Moro (Podemos-PR) decidiu deixar o Podemos e vai assinar a ficha de filiação à União Brasil.
Segundo o coordenador da campanha de Moro, o ex-juiz admite desistir de disputar a Presidência. A ideia é que ele debata com Bivar e decida em conjunto com o dirigente partidário a qual cargo será candidato. (Fábio Zanini)
Imagem de parlamentar cearense está associada a escândalo de corrupção
O nome do deputado federal José Guimarães (PT-CE) foi destaque nacional em 2005, durante as investigações do Mensalão. Na época, a Polícia Federal prendeu um assessor dele com US$ 100 mil escondidos na cueca e mais R$ 209 mil em uma mala de mão. A prisão se deu no aeroporto de Congonhas.
O episódio marcou um importante capítulo da política brasileira, em meio aos desdobramentos da investigação sobre o mensalão.
Dezesseis anos depois, o processo prescreveu. O juiz Danilo Fontele Sampaio, da 11ª Vara Federal do Ceará, anulou toda a ação. Segundo um trecho da decisão que livrou tanto o deputado quanto o assessor, o “lapso temporal” foi determinante na decisão. “O lapso temporal decorrido desde o último ato indicado como parte das ações tidas como delituosas perpetradas, verifica-se o decurso de mais de 16 (dezesseis) anos sem que tenha sobrevindo qualquer causa interruptiva da prescrição”, diz um trecho da decisão.
O caso estava nas mãos do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que declarou incompetência da Corte para julgar a ação.

Empresários paranaenses insistem em candidatura de Moro para presidente
Diante das movimentações políticas de Sergio Moro, saindo do Podemos rumo ao União Brasil, representantes do empresariado paranaense ainda resistiram à ideia de ver o ex-juiz como candidato a outro cargo que não seja a Presidência.
Um dos maiores defensores da candidatura de Moro, Fabio Aguayo, que é diretor da CNTur (associação do setor de turismo) e ainda em junho de 2021 lançou um movimento de apoio ao ex-juiz, afirma que a mudança de partido visa melhorar o posicionamento na corrida presidencial.

“Nós, que somos apoiadores desde o início, ficamos felizes de ele ter uma atitude, porque no Podemos ele ficava limitado a não ter tempo de televisão, a não ter verba do fundo partidário. Acho que ele deu um passo importante”
— Fábio Aguayo, CNTur
Para Aguayo Moro ainda tem condições de disputar a vaga com Lula e Bolsonaro. “Ele está indo para um debate no centro democrático da escolha do nome mais viável, de quem estiver mais bem posicionado”, diz.
O deputado federal Alexandre Leite, tesoureiro do União Brasil em São Paulo, disse que Moro vai disputar uma vaga na Câmara por São Paulo.
“Ele é um estadista, que tem uma estatura acima da média. Se achar que não é viável [concorrer à Presidência], pode abrir mão. Mas ele acredita que vai ser o nome de consenso [no União Brasil], porque representa um campo que todos querem, que é evitar a polarização”, afirma Aguayo.
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