Razões humanitárias são a base da justificativa de Vieira para asilo à ex-primeira-dama do Peru condenada por corrupção
Ministro justificou cirurgia recente e filho menor de idade para a concessão de asilo político; Nadine Heredia chegou com status de primeira-dama

O ministro das Relações Internacionais, Mauro Vieira, rebateu críticas e justificou razões humanitárias para conceder asilo político à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia.
Nadine é esposa do ex-presidente do Peru Ollanta Humala, preso na última terça-feira, 15. Ambos foram condenados a 15 anos de prisão por participação em um esquema de corrupção envolvendo um contrato da construtora Odebrecht (hoje Novonor) com o governo Hugo Chávez, na Venezuela.

Vieira afirmou que a condenação poderia deixar o filho do casal, menor de idade, sozinho e citou uma cirurgia feita recentemente para justificar o asilo político.
“Ela foi recentemente operada por uma questão grave de coluna vertebral, está em recuperação, precisa continuar em tratamento, e estava acompanhada de um filho menor. O marido condenado está detido e, portanto, o filho menor também estaria abandonado ou desprotegido. Foi com base em critérios humanitários”, disse.
Nadine se refugiou na Embaixada do Brasil em Lima, no Peru, na terça-feira, logo após sua condenação. Ela chegou ao Brasil no dia seguinte em um voo da Força Aerea Brasileira (FAB).

Mauro Vieira ressaltou que o próprio Peru entendeu os motivos e concedeu salvo-conduto à ex-primeira-dama e ao filho dela. O próprio governo peruano apoiou o transporte de Nadine Heredia em um avião da FAB.
Questionado sobre a reação de Lula, Vieira disse que notificou o presidente da República e apontou a ação dentro das normas da Convenção de Caracas.
“Eu comuniquei, sim, ao presidente Lula que estava sendo concedido o asilo diplomático, porque estava absolutamente dentro das normas e dos padrões estabelecidos na Convenção e na legislação internacional”, ressaltou.
O Itamaraty analisa a situação da ex-primeira-dama e do filho para saber se concederá, ou não, a condição de refúgio à dupla. Os dois já receberam documentos provisórios.

Presidente de comissão critica Lula por conceder asilo à ‘companheira de crime’
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a concessão de asilo diplomático à ex-primeira-dama do Peru.
Em vídeo publicado, Barros relembrou que Nadine Heredia e seu marido, o ex-presidente peruano Ollanta Humala, foram condenados a 15 anos de prisão por corrupção, em um caso ligado a empreiteira Odebrecht, esquema que também foi alvo da Operação Lava Jato.
Barros citou que Humala saiu preso do tribunal mas Heredia não compareceu à audiência e buscou refúgio na Embaixada do Brasil em Lima, de onde foi posteriormente trazida ao país em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), por ordem do presidente Lula.
O deputado também apontou que, em 2017, o ex-diretor da Odebrecht no Peru afirmou que os recursos enviados a Humala foram solicitados pelo PT.
Filipe ainda mencionou a anulação da operação no Brasil, na qual Lula, que havia sido condenado, foi solto após a investigação ser anulada. Barros completou, afirmando que Lula “dá asilo à sua companheira de crime”.
Por fim, o parlamentar declara que Lula “ao asilar a senhora Nadine Herédia, diz ao mundo todo que o Brasil considera que não é crime a corrupção. Lamentável.”.

