Covid-19 ataca DNA, danifica cérebro e pode causar perda de olfato persistente

A perda de olfato ocasionada pela covid-19 é mais do que um sintoma simples: ela revela um dano no tecido cerebral causada pela doença, além de estar relacionada com outros efeitos neurológicos consequentes da infecção, como o chamado “nevoeiro cerebral”, dores de cabeça e até depressão. A descoberta foi feita em um estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Columbia e da escola de medicina da NYU Grossman e publicado na revista Cell.
Os cientistas descobriram que tanto o próprio Sars-Cov-2 quanto a reação imune que ele gera alteram o DNA das células e prejudicam a recepção das substâncias que se traduzem em odor pelos nossos neurônios. Isso porque o vírus próximo aos neurônios provoca uma avalanche de células imunes e células T, ativadas para combater a infecção.
Essa reação provoca a liberação de citocinas, que alteram a atividade genética. Ou seja, faz com que a capacidade das cadeias de DNA de formar interações que abrigam genes — que constroem o receptor olfativo — seja diminuída.
A descoberta foi feita a partir da análise de consequências moleculares causadas pela covid-19 em hamsters e em amostras de tecido olfativo retiradas de 23 autópsias humanas.
Nesse caso, a perda de olfato deixa de ser um sintoma em si e revela uma possível “danificação do tecido cerebral” e por aparecer “antes que outros sintomas”, deve ser levado a sério para observar se é necessário um tratamento neurológico do infectado, que pode sofrer consequências da covid longa, como a capacidade de pensar com clareza e até mesmo desenvolver um quadro depressivo.
A descoberta de que o olfato depende de interações genômicas que se mostraram frágeis entre cromossomos tem implicações importantes. Se o gene é interrompido toda vez que o sistema imunológico reage ao vírus, o que interrompe os contatos de cromossômicos, a perda de olfato pode ser um ‘canário na mina de carvão’, que fornece sinais precoces de que o vírus está danificando o tecido cerebral e servir de alerta para o problema ser tratado o quanto antes
— Benjamin Tenoever/Professor do Departamento de Microbiologia da NYU
De acordo com os autores, a alteração genética causada pela covid-19 impede a restauração natural dos genes, já que a doença causa “uma interrupção mais duradoura na regulação cromossômica da expressão gênica”, que gera uma forma de memória nuclear na célula, e pode impedir a restauração do organismo, mesmo após a inativação do Sars-CoV-2. Por isso, a perda de olfato pode persistir, ou a percepção de cheiros pode ser alterada mesmo após o período de infecção.
Nosso trabalho, além de fornecer a primeira explicação sobre o mecanismo da perda de olfato na covid-19, também sugere como o vírus pandêmico, que infecta menos de 1% das células do corpo humano, pode causar danos tão graves em tantos órgãos
— Benjamin Tenoever
Um relatório independente, divulgado no início do ano, contabilizou 497 vítimas de abusos sexuais por 235 pessoas, entre eles 173 padres, nessa arquidiocese entre 1945 e 2019. “Acho que as coisas não podem continuar como estão”, afirmou Marx.

