Macapá (AP) — Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Quadrilhas dominam o comércio eletrônico no Brasil, gerando insegurança para consumidores e empresas
Muitas pessoas acham que nunca irão cair em um crime digital, mas acabam sendo vítimas quando menos esperam

Com o aumento do comércio eletrônico no Brasil, principalmente após a pandemia de Covid-19, em 2024 ocorreram 2.166.552 casos de estelionato digital, representando um crescimento de 7,8% em relação a 2023 e de 408% em comparação a 2018. Estes dados estão no o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (24 de julho), transformando o Brasil numa “Terra Sem Lei” no ambiente da internet.
Criminosos usam anúncios falsos, ligações de supostos bancos, vendas de produtos inexistentes, clonagem de cartões, ofertas de empregos fictícios e até roubos a aposentados. Plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp não se responsabilizam por esses anúncios. O governo parece ter perdido o controle, com golpistas prosperando, inclusive dentro de presídios.

Enquanto isso, crimes violentos estão em queda, com uma redução de 5,4% nas mortes intencionais em 2024. Crimes patrimoniais, como roubos de veículos e residências, também apresentaram queda significativa. Essa diminuição contrasta com o aumento dos estelionatos, o que sugere uma mudança nas atividades criminosas no país.
Os pesquisadores destacam que há uma epidemia de golpes eletrônicos, que cresceu 17% em 2024 em relação ao ano anterior, embora os números possam ser ainda maiores, dado que nem todos os estados separam estatísticas corretamente.
Taxa de mortes violentas bate novo recorde de queda em 2024
O Anuário destaca a redução das Mortes Violentas Intencionais (MVI), com 44.127 registros em 2024, representando uma taxa de 20,8 por 100 mil habitantes, a menor desde 2012. Essa queda, iniciada em 2018, deve-se a políticas de segurança, mudanças demográficas e dinâmicas criminosas.
No entanto, existem desigualdades regionais: Sul e Sudeste têm as menores taxas, enquanto Norte e Nordeste apresentam as mais altas. Alguns estados, como Amapá e Bahia, estão entre os mais violentos, e houve aumento das taxas de MVI em Maranhão, Ceará, São Paulo e Minas Gerais.
O Anuário também relata o aumento da letalidade policial, com a participação de Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP) subindo de 13,8% para 14,1%. Estados como Amapá e São Paulo mostram altas preocupantes nas MDIP. Além disso, os desaparecimentos cresceram 4,9%, levantando questões sobre a invisibilidade de execuções. Nos crimes contra o patrimônio, embora roubos tenham diminuído, estelionatos aumentaram 7,8%, com destaque para os roubos de celulares, levando a preocupações sobre a impunidade.


Feminicídios disparam
A violência de gênero no Brasil continua alta, com 1.492 feminicídios registrados em 2024, o maior número desde 2015, e um aumento de 0,7% em relação ao ano passado. As tentativas de feminicídio cresceram 19%. A maioria das vítimas é mulher, negra, jovem e morta em casa por companheiros, muitas vezes com armas brancas. Outros crimes, como lesão corporal e ameaça, também aumentam. A violência contra crianças e adolescentes é alarmante, com mortes de jovens aumentando 4,2% e crimes não-letais crescendo.
Recomendações de especialistas e autoridades
O Anuário apresenta recomendações baseadas em análises de especialistas e dados. É urgente que estados com alta letalidade policial adotem medidas rigorosas de controle e responsabilização. Minas Gerais pode servir de exemplo positivo, enquanto o Rio de Janeiro já mostrou melhorias com intervenções externas.
O aprimoramento da gestão de dados é essencial, com a necessidade de padronização dos registros de dados criminais. A falta dessa padronização dificulta comparações e políticas baseadas em evidências. A Senad busca melhorar a governança dos dados sobre drogas, o que deve ser replicado para outras áreas de segurança.
As políticas precisam ser mais focadas e intersetoriais devido às desigualdades regionais e ao perfil das vítimas, que incluem jovens, negros e mulheres. Também é importante fortalecer as investigações de crimes digitais, investindo em tecnologia e treinamento para a polícia.
Enfrentar a violência de gênero e contra crianças e adolescentes é fundamental, com investimentos em prevenção e proteção. A reforma do sistema prisional é vital para controlar superlotação e garantir a ressocialização dos detentos.
Por fim, é necessária maior integração entre polícias estaduais e federais, além de cooperação internacional, especialmente no combate ao tráfico de drogas na Amazônia. A implementação efetiva dessas políticas é crucial para a proteção dos cidadãos e a construção de uma sociedade mais justa.

