Professora relata abuso do ministro de Lula: “Ele [Silvio Almeida] levantou a saia e colocou as mãos nas minhas partes íntimas”
Isabel Rodrigues publicou um vídeo narrando uma situação e denunciando o ministro Silvio Almeida (Direitos Humanos) por abuso sexual
“Fui amiga de Silvio de Almeida na ocasião em que ele fazia parte do Conselho Pedagógico da Escola de Governo. Fiz parte dessa Escola como aluna e professora. Dia 03 de agosto de 2019, foi o dia que, em um almoço, onde tinham mais pessoas, sofri violência sexual por parte do ministro. Sentei do lado dele e não sei por qual motivo ele se achou no direito de invadir as minhas partes íntimas sem o meu consentimento. A violência sexual sofrida há cinco anos foi tema em sessões de terapia. Foi tema de conversas com minhas irmãs e amigos mais próximas. Pensei muitas vezes em denunciar. Não o fiz por vários motivos, e o motivo maior, foi o medo disso voltar contra mim.

Silvio tem o conhecimento da lei e poderia facilmente fazer as coisas mudarem de rumo. O ministro diz não ter materialidade as acusações contra ele. As sessões de terapia. O retorno de minha família, de meus amigos ontem e hoje, ao saber das acusações contra ele materializam a violência que sofri. Ela é objetiva. Aconteceu. Demorou muito para eu tomar essa decisão. Sei porque estou tomando-a. Faço por mim, faço por todas as pessoas, sejam crianças, jovens, adultos, homens ou mulheres que têm seus corpos invadidos. É inadmissível, ocasionam traumas praticamente impossíveis de serem superados. Somo a voz dessas mulheres e de todos que sofrem violência sexual. Tomei a decisão porque essas mulheres estão sendo julgadas como mentirosas, como fazendo parte de um grupo contra o ministro. Faço essa declaração pública pelo compromisso com a verdade e a justiça. Infelizmente o ministro Silvio de Almeida cometeu violência sexual sim. Faço essa declaração pelas mulheres, pelas crianças, pelas pessoas vulneráveis que têm seus corpos invadidos. Não somos objetos. O corpo do outro é um templo sagrado que deve ser respeitado. Deve!!!”

Lula se reunirá com ministro para cobrar explicações sobre suposto assédio sexual

O presidente Lula divulgou nota informando que o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, foi chamado a dar explicações sobre denúncias de que teria praticado assédio. A nota da Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirma que Almeida foi convocado ainda na noite de quinta para prestar esclarecimentos ao ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, e ao advogado-geral da União, Jorge Messias.
Na nota, a Secom sustenta que o próprio Silvio Almeida disse que irá encaminhar ofício à CGU e ao Ministério Público pedindo esclarecimento do caso. A Comissão de Ética da Presidência da República também decidiu abrir apuração.

“O governo federal reconhece a gravidade das denúncias. O caso está sendo tratado com o rigor e a celeridade que situações que envolvem possíveis violências contra as mulheres exigem”, diz a nota.
A manifestação da Secom não faz referência à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Segundo o site Metrópoles, ela também teria sido vítima de assédio. Anielle não se manifestou.
A ONG Me Too Brasil, que lida com denúncias de assédio, divulgou nota nesta quinta-feira informando que recebeu denúncias de assédio contra Silvio Almeida. A organização não apresentou provas nem deu detalhes das acusações feitas contra o ministro. Em nota e em vídeo que postou em rede social, Silvio Almeida diz que as denúncias são falsas e sem provas e que está sendo vítima de perseguição.

“O motivo de uma foto da Janja com a Anielle é a demonstração inequívoca que as mulheres estão com as mulheres, e é normal. Não tem uma mulher que fique favorável a alguém que seja denunciado de assédio. Eu só tenho que ter o bom senso que a gente permita o direito à defesa, a presunção de inocência, de direito de se defender.”
Lula da Silva/Em entrevista à rádio Difusora da capital goiana.
Crime de assédio sexual ganha destaque em Brasília e se transforma em roteiro para filme de terror
Na quinta-feira, 5 de setembro, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, foi acusado de assédio sexual por diversas mulheres, segundo a ONG MeToo, que é uma organização sem fins lucrativos presta apoio a vítimas de violência sexual. Silvio, no entanto, nega todas as acusações.
O ministro teria feito como vítima, inclusive, uma de suas colegas de governo, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Mesmo com o ministro negando as acusações, o governo Lula demorou, quase um dia inteiro, para demitir o ministro supostamente assediador.
O caso parece um roteiro de filme de terror impensado neste governo e em nenhum outro. A grande desgraça da história é que o fato aconteceu bem no Ministério de Direitos Humanos, local onde se deveria prezar pelo cuidado e bem-estar da vida dos mais vulneráveis.
Durante a visita do presidente à Goiânia, ele chegou a comentar o assunto e as informações que circulavam nos bastidores é de que Almeida entregaria o cargo. Até o fechamento desta coluna não se sabia se ele seria demitido ou se entregaria o cargo. De toda a forma, o presidente foi em incisivo a dizer para a rádio Difusora, que seu governo não toleraria assediadores.
A demora na tomada de atitude foi justificada por uma conversa que Lula gostaria de ter com Anielle para “confirmar as acusações” que ela mesma teria feito à ONG. Mesmo sendo algo importante que isso seja feito, outras mulheres teriam denunciado Silvio, o que é mais que motivo plausível para demiti-lo de um posto tão importante para a administração pública.
Silvio é um professor conhecido de inteligência invejável, porém, caso as acusações se confirmem, ele deixará de ser tudo isso e passará a ser, apenas, mais um assediador. No mundo em que milhões de mulheres são assediadas todos os dias, esperaríamos que ao menos dentro da esfera do governo que prometeu proteger essas mulheres casos como esse não ocorressem.
O assédio é um dos crimes mais recorrentes nas ruas, locais de trabalho e até mesmo dentro das residências das mulheres brasileiras. O crime tem impactos sociais e psicológicos muitas vezes incuráveis para as vítimas.
Já o criminoso, por sua vez, muitas vezes consegue viver sua vida tranquilamente, sem nenhuma represália ou punição. A grande maioria dos casos de assédio sexual, hoje, sequer são notificados por muitas mulheres se sentirem em situações inferiores aos homens que às assediaram. Essa falta de punição faz com que criminosos se sintam ainda mais confortáveis para cometer os crimes.
Quando um caso como esse acontece na esfera mais alta da administração pública, querendo ou não, coloca em holofote algo tão horrível que faz tantas vítimas todos os dias. O movimento MeToo fez algo importante ao mostrar que, não importa quem você seja, o seu cargo, os seus diplomas, a sua participação no governo, se você cometer esse crime contra a mulher, você será exposto.
Agora, caso comprovado, o que resta é se ter uma punição exemplar para mostrar que sim, o assédio sexual é um crime e que não existe uma pessoa no Brasil que não seria punida por isso. Isso cabe a Justiça mas, ao governo Lula, o que cabe é a demissão imediata de alguém acusado de tal crime, inclusive contra colegas.
O atraso na tomada dessa decisão faz com que a população pense que o governo é conivente com o crime. Que, caso você seja amigo de Lula, você pode cometer tal crime. A cada minuto que passou com Silvio Almeida dentro da Esplanada dos Ministérios após as acusações, foi mais um arranhão na imagem do governo.

Denúncia de assédio sexual leva à demissão de Silvio Almeida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu demitir Silvio Almeida do cargo de ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania. A decisão foi divulgada na noite de sexta-feira (6/9), pouco mais de 24 horas depois do Movimento Me Too ter revelado denúncias de assédio sexual contra Almeida. Uma das vítimas seria a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
A decisão foi tomada após Lula ter reuniões com Silvio Almeida e Anielle Franco durante a sexta-feira. De acordo com nota publicada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Lula considera “insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual”. “O Governo Federal reitera seu compromisso com os Direitos Humanos e reafirma que nenhuma forma de violência contra as mulheres será tolerada”, diz trecho da nota.
O ministro Silvio Almeida foi chamado na noite de quinta-feira (5/9) para prestar esclarecimentos ao controlador-geral da União, Vinícius Carvalho, e ao advogado-geral da União, Jorge Messias. A Comissão de Ética da Presidência da República decidiu abrir de ofício um procedimento de apuração. A Polícia Federal abriu um protocolo inicial de investigação sobre o caso.
Confira íntegra da nota
Diante das graves denúncias contra o ministro Silvio Almeida e depois de convocá-lo para uma conversa no Palácio do Planalto, no início da noite da sexta-feira (6), o presidente Lula decidiu pela demissão do titular da Pasta de Direitos Humanos e Cidadania.
O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual.
A Polícia Federal abriu de ofício um protocolo inicial de investigação sobre o caso. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República também abriu procedimento preliminar para esclarecer os fatos.
O Governo Federal reitera seu compromisso com os Direitos Humanos e reafirma que nenhuma forma de violência contra as mulheres será tolerada.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

→ SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI… Saiba que o AMAZÔNIA VIA AMAPÁ não tem investidores e não está entre os veículos que recebem publicidade estatal do governo. Fazer jornalismo custa caro. Com apenas DEZ REAIS você nos ajuda a pagar nossos profissionais e a estrutura. Seu apoio é muito importante e fortalece a mídia independente. Doe através da chave-pix: metacomap@outlook.com
