Bolsonaro negocia com as “raposas felpudas” do Centrão para aplainar possível reeleição em 2022

Acordo firmando entre Valdemar e Bolsonaro não teria durado mais do que um dia; convite feito publicamente não surtiu o efeito combinado

Apesar de toda sua experiência de negociador político, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, vem encontrando sérias dificuldades para se entender com Jair Bolsonaro e definir, de uma vez por todas, o seu ingresso na legenda. Como era de se prever, Valdemar e Bolsonaro conversaram e teriam acertados os ponteiros antes de o liberal divulgar o vídeo escancarando as portas do partido para o presidente da República, por meio de um convite que surpreendeu a muita gente.

Tudo indicava, pelo teor da gravação, que o martelo já estaria batido e que, logo em seguida, Bolsonaro viria a público para dizer que aceitava o convite e que estaria se mudando, de mala e cuia – mais filhos e aliados – para o ninho liberal.
Só que não foi isso o que realmente aconteceu. Segundo os observadores políticos de Brasília, logo após a conversa com Costa Neto, o presidente se encontrou com Ciro Nogueira e o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, que conseguiram mexer com a cabeça de Bolsonaro para que ele venha a se filiar ao PP.
Bolsonaro teria voltado atrás na conversa que teve com Costa Neto e já estaria mais propenso a optar pelo PP. Tal fato irritou profundamente o presidente do PL que, segundo fontes palacianas em Brasília, teria feito uma ameaça pouco velada em assumir uma condição de independência em relação aos projetos de maior interesse do governo federal junto à Câmara dos Deputados. Uma ameaça que soa perigosamente para os planos do governo. Afinal, atualmente, a bancada federal do PL é a terceira maior da Câmara dos Deputados, com 43 parlamentares, além de contar com quatro representantes no Senado. Uma força política respeitável, capaz de influir em decisões importantes, principalmente quando aliada a partidos de oposição.


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Como já era previsível, segundo interlocutores, a indecisão de Bolsonaro em relação ao PL é por causa de São Paulo, onde o PL já apoia Rodrigo Garcia, candidato de João Doria, ao governo. Bolsonaro não se conforma com isso. Só que tal fato já não era segredo quando ele conversou com Costa Neto e o autorizou a divulgar o vídeo com o convite para que ele ingressasse no PL.
Um dos principais motivos da irritação de Costa Neto reside justamente na maneira como Bolsonaro se comportou após a conversa e a divulgação oficial do convite. O ex-deputado de Mogi cultiva, em Brasília, a fama de cumpridor de acordos. Aquele que, depois de empenhar sua palavra, não costuma voltar atrás no que foi combinado. Por isso, a irritação com quem deixou de cumprir aquilo que teria sido combinado entre ele e Bolsonaro num encontro, na Capital Federal.
O martelo decisivo ainda não foi batido. Costa Neto colocou os ministros seus aliados na cena do acordo supostamente rompido. A viagem de Bolsonaro para a Itália foi uma providencial saída de cena do presidente e virtual candidato à reeleição da cena brasiliense. Mas Valdemar ainda não se deu por vencido e vai continuar no jogo até o anúncio definitivo do presidente da República. Força política não lhe falta e bom negociador ele é. Portanto, vale esperar para conferir.

De olho na reeleição, Bolsonaro sacrifica os últimos resquícios de escrúpulos

Diante da queda de sua popularidade e a alta desaprovação de seu governo, não resta outra alternativa ao presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ainda sem partido, que não seja se entregar de corpo e alma às “raposas” do Centrão na tentativa de se manter no Palácio do Planalto por mais quatro anos.
Para quem se elegeu em 2018 com um discurso de renovação e combate à “Velha Política”, o presidente-capitão está mais para falastrão ou um verdadeiro bobo da corte.

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O Centrão é quem hoje manda no Brasil e Bolsonaro só ri e faz firulas perante às câmeras na porta do Alvorada.

Fontes palacianas disseram que as raposas felpudas dos partidos do Centrão morrem de rir dele por ter que botar o rabo entre as pernas, como fazem os cachorros, e voltar para o seu reduto, onde não passava de um deputado de baixo clero, para pedir socorro.
A anunciada futura filiação ao Partido Liberal (PL), partido comandado a mão de ferro por Valdemar Costa Neto e seus asseclas, prevista para o dia 22 deste mês, data que carrega um forte simbolismo por ser o número que é utilizado pela legenda nas urnas, retrata bem a situação do presidente perante as articulações políticas que ele fez de 2020 para cá. Ele está amarrado e sem saída.
Jair Bolsonaro não tem como ir para outra legenda que não seja do Centrão. Seus apoiadores de primeira hora não conseguiram parir o tal Aliança pelo Brasil, partido que se fosse criado poderia ajudá-lo a governar. Porém, nem mesmo todo o dinheiro do patrocinador da ideia, o suplente de senador, Luis Felipe Belmonte, viabilizou o tão desejado Aliança.

Sendo assim, não restou outra saída ao presidente do que escancarar as porteiras da Esplanada dos Ministérios para os partidos do Centrão com a desculpa que precisava governar. Atualmente, as legendas que integram o grupo tomam de conta dos seguintes ministérios: da Casa Civil (Ciro Nogueira – PP/PI), Secretaria de Governo (Flávia Arruda – PL-DF), das Comunicações (Fábio Faria – PSD/RN) e da Cidadania (João Roma – Republicanos-BA).
Além desses ministérios, o Centrão indicou seus apadrinhados para o segundo e terceiro escalão de outros órgãos da Esplanada e para presidir autarquias, fundações e empresas estatais, que possuem orçamentos robustos e ajudam na execução das emendas dos parlamentares. Eles ainda detém o comando da Câmara dos Deputados, com o deputado Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, com Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Nos bastidores, muita gente fala que o próprio Bolsonaro diz que o Centrão é o coração e a alma do seu governo. E é verdade. Desde a chegada dos ministros do grupo ao Planalto que não se fala mais em impeachment e são poucos os parlamentares que reclamam de não ter seus pedidos atendidos.
Em síntese, o grupo de partidos que se formou lá em 1987 ainda quando se debatia a nova Constituição Federal se perpetua no poder, não importa a cor ou a ideologia.

Para quem pregava independência e dizia que faria diferente dos demais que sentaram na cadeira de presidente da República, Jair Messias Bolsonaro não passa de um ventríloquo controlado pelas raposas que tomaram conta do galinheiro. E se o galinho Bolsonaro inventar de cantar antes do dia amanhecer, as raposas chamam um outro galo, que já sabe qual a música que a banda toca, para subir no poleiro e fazer novamente suas peripécias.
Se Deus é brasileiro, como diz o ditado popular, que ele tenha piedade de nós, pois estamos na m… e o Centrão, pelo andar da carruagem, vai continuar mandando no nosso país, independente de quem vença as eleições presidenciais no ano que vem.

Edição: Emanoel Reis


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