PT processa RECORD TV por série de reportagens sobre denúncias de ex-general venezuelano envolvendo Lula

As matérias apresentaram detalhes do que o ex-chefe do Serviço Secreto da ditadura venezuelana revelou à Justiça espanhola. Segundo Hugo Carvajal, partidos de esquerda da Europa e da América Latina receberam dinheiro dos ditadores Hugo Chávez e Nicolas Maduro. Entre os supostos beneficiários estariam o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.

A ação indenizatória protocolada na Justiça pelo Partido dos Trabalhadores contra a Record TV vem sendo interpretada como medida antidemocrática de cerceamento da liberdade de Imprensa de acordo com os parâmetros adotados em recente julgamento transcorrido no Supremo Tribunal Federal, de acordo com declarações de representantes da empresa de comunicação. Afinal, alegam eles, todas as reportagens veiculadas no Jornal da Record e no programa Domingo Espetacular foram construídas com base em informações que Hugo Armando Carvajal, ex-chefe do Serviço Secreto da Venezuela, revelou à Justiça espanhola. Segundo Carvajal, prosseguem os dirigentes do canal de TV, partidos de esquerda da Europa e da América Latina teriam recebido dinheiro dos ditadores Hugo Chávez e Nicolas Maduro. Entre os supostos beneficiários estariam o ex-presidente Lula da Silva e o PT.

De acordo com uma das reportagens do portal R7, intitulada “Ex-general diz que Venezuela mandou dinheiro para Lula”, veiculada no dia 20 de outubro de 2021, o ex-general, que também seria conhecido como “El Pollo”, teria enviado “(…) uma carta de sete páginas ao juiz espanhol Manuel García-Castellón em que relata detalhes de um esquema de financiamento de partidos de esquerda na América Latina e na Europa pelos governos de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro. Entre os beneficiados estaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”

A presença do grupo guerrilheiro colombiano Forças Armadas Revolucionárias (Farc) no Brasil não se restringe hoje apenas à montagem de bases estratégicas para o tráfico de drogas e armas. As ações das Farc incluem o treinamento de criminosos e líderes de movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que tem ligações com o Partido dos Trabalhadores.

— Maria Clara Prates/Jornalista

Sobre a denúncia do PT de que a emissora teria publicado as reportagens com base em “denúncias sem provas”, a Record TV alega que procurou ouvir lideranças do PT, mas não obteve retorno de suas solicitações de entrevista. “Entramos (…) em contato com a assessoria do ex-presidente Lula, mas não obtivemos resposta”. Contudo, a devastadora repercussão das reportagens, tanto dentro e fora do País, incomodou sobremodo a cúpula do PT, resultando na ação judicial em curso sob a alegação de que o partido político “teve a honra atacada” nas matérias jornalísticas.

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O ex-presidente Lula da Silva beneficiou o colega à época Evo Morales (Bolívia) com uma refinaria da Petrobrás cobrando preço de custo pela obra

Embora lançando mão do mecanismo judicial para retocar a “honra atacada”, é notória a admiração de Lula e dos demais dirigentes do PT por governantes autocráticos como Fideal Castro, em Cuba, Hugo Chaves e Nicolas Maduro, na Venezuela, Evo Morales, na Bolívia, ou Mahmoud Ahmadinejad, no Irã. Ou, por organizações terroristas como foi o caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).


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Em 2005, o caso das FARC foi mais emblemático. Virou notícia produzida pela jornalista Maria Clara Prates, à época no jornal Estado de Minas. De acordo com a matéria, em 2005 narcoterroristas estiveram no Brasil ministrando treinamento de guerra de guerrilha a membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segue alguns trechos do texto de Prates: “A presença do grupo guerrilheiro colombiano Forças Armadas Revolucionárias (Farc) no Brasil não se restringe hoje apenas à montagem de bases estratégicas para o tráfico de drogas e armas. As ações das Farc incluem o treinamento de criminosos e líderes de movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que tem ligações com o Partido dos Trabalhadores.
Os centros estão montados estrategicamente na fronteira entre Brasil e Paraguai. Relatórios sigilosos de posse de autoridades brasileiras e paraguaias registram a ocorrência de pelo menos três cursos sobre técnicas de guerrilha destinados a brasileiros, realizados este ano, maio, julho e agosto, na região de Pindoty Porã, departamento de Canindeyú, no Paraguai, cidade na fronteira com o Mato Grosso do Sul e o Paraná. Pelo menos um desses cursos, sobre técnicas de primeiro socorros e contrainformação, que aconteceu entre 22 e 24 de julho último, teve como público alvo integrantes do MST dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.”

Na notícia publicada em o Estado de Minas, Maria Clara Prates garante que “sob a batuta dos mesmos instrutores colombianos, o último treinamento, que aconteceu em 29 de agosto [de 2005], foi destinado a integrantes de quadrilhas responsáveis pela segurança de pontos de distribuição de drogas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na instrução, foram passadas aos alunos brasileiros informações sobre uso em guerrilha urbana.”
A possibilidade de que integrantes das FARC tenham ensinado técnica de guerrilha a narcotraficantes brasileiros começou a ganhar ares de certeza nos últimos acontecimentos registrados em vários municípios brasileiros. Por exemplo, em julho de 2020 mais de 40 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) invadiram a cidade de Botucatu, a 235 km de São Paulo, e atacaram pelo menos três agências bancárias da cidade — uma delas foi destruída por explosivos —, fez moradores reféns e por mais de três horas trocou tiros com policiais, ferindo dois deles. Um dos suspeitos também foi atingido e morreu.
Em abril passado, outra quadrilha, utilizando o mesmo modus operandis, atacou agências bancárias em Mococa, município paulista de menos de 70 mil habitantes, próximo da divisa com Minas Gerais, e a 265 quilômetros da cidade de São Paulo. Os criminosos usaram explosivos e atiraram em lojas, causando terror antes de fugir. Ninguém foi preso. Um vigilante ficou ferido sem gravidade durante a ação.
E assim tem sido em outros municípios brasileiros. Bandidos invadindo cidades à noite para assaltar agências bancárias, e utilizando manobras típicas de guerra de guerrilha. Esse suspeita fica tão evidenciada quando vídeos mostram os marginais circulando em comboios pelas cidades atacadas, com membros da quadrilha dentro das caçambas empunhando armas restritas às Forças Armadas, e sempre em posição de ataque/defesa, como fazem os militares.

Centro de treinamento para formação de militância do MST

A reportagem de Maria Clara Prates teve com uma de suas fontes de informação o vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Terra (CPMI), o então deputado federal Onyx Lorenzoni (PFL-RS). Em abril de 2005, a CPMI interrogou a superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Pernambuco, Maria Oliveira, sobre a existência de centros de treinamento de “guerra de guerrilha” no assentamento da Fazenda Normandia. Maria Oliveira negou a suspeita. Alegou que a denúncia era infundada e que o movimento mantinha relações de intercâmbio apenas com organizações camponesas latino-americanas.
No entanto, o depoimento da superintende do Incra foi solicitado a partir da denúncia de um técnico agrícola, cujo nome não foi revelado pela CPMI, de que um colombiano ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) daria aulas sobre táticas de ocupação e saques em centro de treinamento mantido pelo MST em assentamento de Pernambuco. A testemunha afirmou também que o centro de treinamento foi construído com dinheiro do governo lulopetista e de organizações não-governamentais. Esse dinheiro, segundo o técnico, deveria ser utilizado no assentamento.

Revista denuncia suposto encontro secreto em chácara

Em março de 2005, VEJA escandalizou o Brasil e o mundo ao veicular ampla reportagem intitulada “Os tentáculos da FARC no Brasil”. Conforme a revista, documentos da Agência Brasileira de Inteligência revelaram que o Partido dos Trabalhadores havia recebido uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha política de seus candidatos em 2002 do grupo armado comunista colombiano Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP).
O principal documento, número 0095/3100 de 25 de abril de 2002, diz que houve, no dia 13 de abril de 2002, numa chácara perto de Brasília, uma reunião entre membros de partido de esquerda do PT e da FARC. Na reunião, que durou 6 horas, havia aproximadamente 30 pessoas, entre elas o padre Olivério Medina, um dos representantes das FARC no Brasil. Na reunião estava presente também um agente disfarçado da Abin.
Segundo relato do agente, durante a reunião o padre Medina anunciou que iria fazer a doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de políticos de sua escolha.
A agência tem seis documentos que descrevem as relações entre o PT e as FARC. Dentre os seis documentos, três deles dizem explicitamente que houve a doação em dinheiro de 5 milhões de dólares para a campanha política de candidatos do PT. O dinheiro viria de Tinidad e Tobago e chegaria até 300 empresários brasileiros que fariam a distribuição da quantia entre os comitês do partido.
Outro documento da Abin diz que a funcionária da Câmara dos Deputados, e ex-militante do PC,do,B, Maria das Graças da Silva, considerada amiga pessoal do comandante das FARC Maurício, seria responsável pelos encontros para acertar a distribuição do dinheiro. Maria disse à reportagem da revista Veja:” Conheço ele [sobre o comandante das FARC] sim, e daí? Não articulei encontro nenhum.”.
Uma conversa com três agentes da Abin e outros esquerdistas corroboram a tese de que houve encontros entre as FARC e membros do PT.
O militante Antônio Viana que esteve na reunião disse: “Falamos de tudo, menos de dinheiro”.

PT negou envolvimento com a narcoguerrilha

Assim como aconteceu no caso da Record TV, na ocasião o Partido dos Trabalhadores emitiu uma nota oficial assinada pelo então presidente nacional do partido, José Genoino, repudiando a reportagem da revista e negando todos os fatos apresentados. Parte da nota dizia:
(…) reiteramos que o Partido dos Trabalhadores não tem e jamais teve relações financeiras com as Farc. Tampouco apoia, no país vizinho, qualquer saída para a longa situação de beligerância vivida pelos colombianos que não esteja baseada em um acordo democrático, pacífico e constitucional. O PT tem posição histórica contra o terrorismo de Estado ou de grupos armados. No mais, são inumeráveis as provas de que a política do PT é marcada pelo respeito à autodeterminação dos povos e à soberania das nações, a partir de uma política de não ingerência nos assuntos internos de cada país. Em nenhuma hipótese aceitaríamos, portanto, que nossa vida política sofresse a interferência de governos ou grupos estrangeiros de qualquer origem.
Portanto, a reportagem é irresponsável porque fornece fatos ao leitor sem evidências ou provas sustentáveis. Também é mentirosa quando afirma definitivamente que não encontrou indícios sólidos para afirmar que 5 milhões de dólares saíram das FARC e chegaram ao PT.
A nota igualmente afirmou que não é novidade o fato de o partido ser vítima da exploração desse tema. Que durante as eleições presidenciais de 2002 o candidato do PSDB José Serra seguiu esse mesmo caminho em sua propaganda na televisão e foi punido pela Justiça Eleitoral porque sua denúncia era vazia. De acordo com a nota, os documentos datam de 25 de abril de 2002, época em que o Presidente da República era Fernando Henrique Cardoso e muitos espiões andavam como serpentes pelo país à procura de situações que pudessem impedir a livre vontade do povo brasileiro de votar por mudanças.

Edição: Emanoel Reis


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