Retorno de Pedro DaLua à CMM após período como prefeito interino intensifica a disputa polarizada contra o grupo do governador eleito e o aliado histórico dele, Marcelo Dias
A disputa acirrada pela presidência da Câmara Municipal de Macapá, mobiliza os bastidores políticos locais em outubro de 2026, envolvendo o atual presidente do Legislativo e ex-prefeito interino Pedro DaLua, do União Brasil, e o ex-presidente da Casa Marcelo Dias, do PRD, apoiado pelo governador eleito Antônio Furlan. O embate, que repercute fortemente em toda a região metropolitana, intensificou-se após o retorno de DaLua à Câmara com a posse do juiz Décio Rufino na prefeitura, culminando uma sucessão de crises institucionais iniciadas em março com o afastamento do antigo prefeito por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A raiz dessa batalha política remonta aos meses em que Pedro DaLua comandou a capital amapaense interinamente a partir de 4 de março de 2026, período em que ocupou a cadeira principal do Executivo municipal após decisões judiciais conduzidas pelo ministro Flávio Dino. Com a abertura do processo eleitoral para a nova Mesa Diretora da Câmara, DaLua precisou deixar a prefeitura, abrindo espaço para uma disputa fratricida de influências partidárias que opõe diretamente o grupo ligado ao governador recém-eleito e as pretensões de lideranças do União Brasil no cenário nacional e local.


Fontes consultadas pela reportagem indicam que Antônio Furlan decidiu atuar nos bastidores em favor de Marcelo Dias para assegurar o controle político do Legislativo, consolidando sua base após a vitória nas urnas e buscando impor uma derrota ao bloco oposicionista, visando o controle absoluto da Prefeitura de Macapá. Esse alinhamento reflete um histórico de estreita colaboração entre Furlan e Dias durante as gestões anteriores na PMM, onde o apoio da Câmara foi vital para a aprovação de projetos urbanos e obras públicas, apesar das resistências enfrentadas no parlamento.

O histórico de Marcelo Dias à frente do Legislativo municipal, contudo, carrega marcas profundas de controvérsias judiciais e episódios de forte tensão institucional que polarizaram a opinião pública amapaense. Em abril de 2019, a eleição que o conduziu ao comando da Casa pela primeira vez ficou nacionalmente conhecida após resultar em confronto físico entre vereadores, troca de socos e depredação do plenário, episódio que exigiu posterior intervenção e validação por parte da Justiça estadual.

Anos mais tarde, em setembro de 2021, a gestão de Dias voltou ao centro das atenções quando parlamentares da oposição protocolaram denúncias formais na Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Amapá, apontando supostas irregularidades administrativas e falta de transparência orçamentária. As contestações jurídicas em torno de reconduções sucessivas à Mesa Diretora evidenciam um cenário recorrente de litígios que afetam diretamente a governabilidade e a confiança da população nas instituições democráticas.

Para moradores da capital, como a comerciante Maria Lucenilde Bastos, de 48 anos, residente no bairro do Pacoval, essa polarização excessiva afasta o foco das reais necessidades da cidade e gera insegurança quanto à prestação de serviços básicos. Especialistas em ciência política ressaltam que o desfecho desse embate na Câmara Municipal definirá não apenas o equilíbrio de forças para a próxima legislatura, mas também a capacidade de articulação do governo estadual diante de um parlamento fragmentado e historicamente turbulento.

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