Parceria histórica entre Waldez Góes e Antônio Furlan redesenha alianças partidárias, transformando a eleição para a Mesa Diretora do legislativo macapaense em um embate direto pelo controle do poder político no estado
Uma semana após o primeiro turno das eleições de 2026 no Amapá, os estrategistas políticos que conduziram a campanha de reeleição do governador Clécio Luís (União Brasil) começaram a compreender o real papel desempenhado por Waldez Góes (PDT), ex-governador e atual ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional no governo federal. Informações apuradas por fontes com trânsito livre nos bastidores da administração estadual revelam que o ministro nunca atuou como um aliado genuíno de Clécio, mantendo-se estrategicamente distante para preservar suas capitanias na máquina pública. A constatação tardia gerou surpresa entre os assessores governamentais, que agora enfrentam as consequências de acordos firmados ainda durante as eleições gerais de 2022, aceitos sem questionamentos na época.

A proximidade histórica entre Waldez Góes e Antônio Furlan (PSD), ex-prefeito de Macapá e governador eleito, e figura central no tabuleiro político amapaense, ajuda a explicar os desdobramentos recentes e elucida as razões subjacentes ao cenário atual. Registros institucionais indicam que, em dezembro de 2016, o então governador Waldez indicou Furlan, na época deputado estadual pelo PTB, para liderar o governo na Assembleia Legislativa do Amapá, consolidando uma parceria que se estendeu por seus mandatos consecutivos entre 2013 e 2020. Analistas políticos apontam que essa articulação histórica se manteve ativa nos bastidores das eleições municipais de Macapá em 2020, quando o grupo walderista demonstrou alinhamento com as composições lideradas por Furlan na capital.
O fluxo de informações dentro da própria administração estadual funcionava como um canal de mão dupla que mantinha o ministro plenamente ciente das decisões governamentais de Clécio Luís. Relatos de servidores e fontes palacianas indicam que o vice-governador Teles Júnior, conhecido como Telinho, e outros aliados de estrita confiança de Waldez posicionados em cargos estratégicos garantiam o monitoramento constante das tratativas do Executivo estadual. Essa estrutura de influência paralela permitiu que o grupo do ministro preservasse espaços vitais no governo, mesmo enquanto a campanha oficial de Clécio enfrentava desgaste político e dificuldades estruturais nas urnas do primeiro turno.


Durante o pleito de 2026, Waldez Góes adotou uma postura de distanciamento público, justificando sua ausência na linha de frente da campanha de Clécio Luís com o argumento de que se dedicaria exclusivamente à candidatura de seu filho, João Pedro, eleito deputado estadual com 17.559 votos. No entanto, pesquisas de campo e relatos de atores políticos mostram que o ministro manteve forte atuação nos bastidores ao ordenar que vereadores de seu partido formalizassem aliança com o grupo de Furlan. O objetivo central dessa articulação foi direcionar o apoio na Câmara Municipal de Macapá para a eleição do vereador Marcelo Dias (PRD), considerado um aliado incondicional de Furlan, à presidência da Mesa Diretora.

A disputa pelo comando do legislativo municipal esconde, na prática, um embate estratégico pelo controle principal da Prefeitura de Macapá e pela sucessão administrativa no Palácio Laurindo Banha. Do outro lado da disputa institucional está o vereador Pedro DaLua (União Brasil), que exerceu o cargo de prefeito interino da capital após o afastamento de Furlan determinado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, configurando um complexo xadrez político. Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que a movimentação dos aliados de Waldez reflete uma reconfiguração de forças que impacta diretamente a governabilidade e a estabilidade política do estado nos próximos anos.

Os reflexos dessa complexa teia de alianças e rompimentos silenciosos atingem diretamente a vida dos cidadãos amapaenses, que observam atônitos a fragmentação da base governamental enquanto serviços públicos essenciais na capital amapaense enfrentam descontinuidades administrativas. Moradores de diversos bairros de Macapá relatam preocupação com a instabilidade institucional, temendo que a disputa ferrenha pelo poder municipal resulte na paralisação de obras e na precarização do atendimento à população. Cientistas políticos enfatizam que, enquanto as cúpulas partidárias reorganizam seus tabuleiros de influência, a sociedade arca com o ônus da falta de coesão administrativa, evidenciando o abismo entre os interesses da classe política e as reais demandas comunitárias.

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