Greve no transporte público de Macapá é evitada após acordo entre prefeito Pedro DaLua e trabalhadores

O prefeito em exercício, Pedro DaLua, reuniu-se com a diretoria do Sincottrap para selar um acordo emergencial e evitar a paralisação do transporte coletivo na capital. O encontro garantiu o repasse de recursos para o pagamento de salários atrasados e a compra de óleo diesel para a frota da Nova Macapá. A prioridade é manter o serviço funcionando e garantir os direitos dos trabalhadores



O prefeito em exercício de Macapá, Pedro DaLua (União), e o Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá (Sincottrap) selaram um acordo emergencial na sexta-feira (20/3) para impedir uma greve geral no transporte público da capital. A paralisação foi motivada pelo atraso de salários e benefícios, além da falta de combustível na empresa Nova Macapá Mobilidade Humana, que operava com frota reduzida devido a uma crise financeira e pendências em subsídios municipais, resultado da gestão transversa do ex-prefeito fujão Antônio Furlan (PSD), que preferiu renunciar e silenciar sobre as denúncias que pesam contra ele de suposto envolvimento em malversação, peculato, formação de quadrilha, fraudes e corrupção.

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A tensão ganhou voz por meio de Max Delis de Oliveira, presidente do Sincottrap. O relato de Oliveira expõe o lado humano da crise financeira: motoristas e cobradores enfrentam pelo menos um mês de salários atrasados e a suspensão do vale-refeição, benefício essencial para quem cumpre jornadas extensas ao volante. Para muitos desses profissionais, a falta do pagamento significa a impossibilidade de honrar compromissos básicos e levar comida para casa, transformando a indignação em um ultimato. A categoria havia estabelecido o dia 26 como o prazo final para uma solução, sob pena de interromper o fluxo de uma cidade que já sofre com uma frota insuficiente e sucateada.

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Conforme o prefeito Pedro DaLua, esta é a quarta vez que a empresa Nova Macapá Mobilidade Humana, uma das responsáveis pelo transporte urbano em Macapá, encontra-se em dificuldades. “O gerente da empresa ressaltou que o problema persiste por falta de repasses de subsídios e pela ausência de acertos nos incentivos de bilhetagem que não foram honrados pela gestão anterior. Há 15 dias, ao assumir a Prefeitura de Macapá, determinei que fosse realizado um levantamento na CTMac (Companhia de Transportes e Trânsito de Macapá) para verificar a situação financeira e quanto já foi recebido no sistema de bilhetagem. Essa análise visa facilitar a operação das empresas nesse momento crítico. A empresa se comprometeu a realizar o pagamento dos salários e também vou exigir que os valores referentes ao vale-refeição sejam quitados”, assinala ele.

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O cenário operacional da Nova Macapá é descrito por técnicos e trabalhadores como crítico. A empresa paralisou parte considerável de seus veículos devido à falta de óleo diesel, um sintoma agudo de uma asfixia financeira que se arrasta há meses. O problema, contudo, possui raízes mais profundas e expõe as fragilidades das promessas de modernização do setor. Da frota de 180 ônibus novos prometida pela gestão Furlan, apenas 20 ganharam as ruas de Macapá até o momento. Esse abismo entre a expectativa e a realidade física dos pátios da empresa sobrecarrega os veículos remanescentes e impõe um serviço precário à população, que assiste ao encolhimento das linhas enquanto os custos de operação não param de subir.

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Do lado da empresa, o argumento é o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. A Nova Macapá alega ter um crédito de R$ 15 milhões a receber em subsídios da prefeitura, montante que, segundo a concessionária, seria o oxigênio necessário para regularizar os pagamentos e garantir a compra de insumos básicos como o combustível. O impasse coloca a administração municipal em uma encruzilhada: de um lado, a pressão fiscal e o rigor com as contas públicas; do outro, a necessidade urgente de manter o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos. O encontro entre o prefeito Pedro DaLua e os representantes do Sincottrap foi marcado por esse tom de urgência, com o sindicato apresentando uma lista de reivindicações que não aceita mais adiamentos.

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Durante a reunião, o prefeito em exercício buscou acalmar os ânimos ao garantir que as demandas dos rodoviários seriam atendidas com prioridade. O plano da PMM envolve um repasse emergencial de recursos, desenhado para funcionar como um torniquete na crise. O objetivo é que esse dinheiro chegue diretamente ao bolso do trabalhador, garantindo o pagamento dos salários atrasados e do vale-refeição, além de viabilizar a compra imediata de diesel para que os ônibus voltem a circular em sua capacidade total. Para a gestão DaLua, evitar a greve é também uma questão de sobrevivência política, em um momento onde qualquer interrupção de serviço público essencial ganha contornos de crise institucional.

Ao final do encontro, o anúncio de um acordo trouxe um alívio temporário aos rodoviários. O entendimento estabelecido prevê que tanto as empresas quanto os trabalhadores recebam o que lhes é de direito, afastando, ao menos momentaneamente, o fantasma da paralisação total que estava prevista para esta sexta-feira. No entanto, o clima entre os rodoviários ainda é de vigilância. A categoria entende que o acordo é um passo positivo, mas ressalta que a normalidade só será restabelecida quando o dinheiro estiver efetivamente nas contas e os ônibus abastecidos. A crise do transporte em Macapá revela que, para além das cifras e dos subsídios, o sistema depende de um equilíbrio frágil onde o trabalhador é a peça mais exposta.


A resolução deste impasse financeiro não encerra o debate sobre o futuro da mobilidade na capital. A discrepância entre os 180 ônibus prometidos por Antônio Furlan e os 20 entregues permanece como uma ferida aberta na infraestrutura urbana, exigindo mais do que repasses emergenciais para ser contornada. Por ora, os motores devem continuar ligados e os rodoviários nos seus postos, mas a prefeitura terá de agir com rapidez para que o acordo de hoje não se torne apenas uma nota de rodapé em uma crise que insiste em retornar a cada atraso de pagamento ou falta de combustível.


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