Pedro DaLua e Renivaldo Costa refutam relação entre reportagens e avanços em investigação da PF

Guerra de versões em Macapá: Gestão DaLua acusa ‘cortina de fumaça’ para esconder rombo na previdência municipal



O prefeito em exercício de Macapá, Pedro DaLua, e o porta-voz da gestão, Renivaldo Costa, classificaram nesta sexta-feira (20) como uma “manobra de distração” a veiculação de reportagens sobre antigas suspeitas de lavagem de dinheiro e “rachadinha” envolvendo membros da administração municipal. Segundo os gestores, a ressurgência de um caso já arquivado pela Justiça em julho de 2024 ocorre no exato momento em que a prefeitura detalha avanços em uma investigação sobre um suposto esquema de desvios na MacapáPrev, o instituto de previdência da capital. Costa, que teve movimentações financeiras de R$ 5,8 milhões questionadas pelo Coaf entre 2018 e 2023, apresentou documentos que comprovam o encerramento do processo em três instâncias, justificando os valores como parte de sua atuação profissional privada como procurador de contas de terceiros.


O embate de narrativas que tomou conta dos corredores do Palácio Laurindo Banha revela a temperatura máxima da política amapaense. De um lado, o Executivo municipal tenta manter o foco sobre o que chama de “rombo previdenciário” na MacapáPrev; de outro, vê-se compelido a responder a denúncias que atingem o coração da equipe de confiança do prefeito. Para Renivaldo Costa, a cronologia dos fatos não é uma coincidência, mas um movimento coordenado para abafar as revelações sobre a previdência municipal. Ele sustenta que o compartilhamento de informações sobre sua vida financeira, realizado de forma atípica pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em 2023, já foi exaustivamente periciado pelas autoridades competentes, resultando em uma decisão judicial de arquivamento por ausência de crime.


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A movimentação de R$ 5,8 milhões em um período de cinco anos, cifra que sustenta a acusação de lavagem de dinheiro, é explicada por Costa com base em sua atividade jurídica e administrativa anterior à gestão pública. Como procurador de contas de terceiros, ele afirma que o fluxo financeiro em suas contas bancárias reflete o trânsito de valores de clientes e processos que gerenciava, e não ganhos pessoais ilícitos ou desvios de salários de assessores, a popular “rachadinha”. O porta-voz ressaltou que todas as provas de lisura foram entregues ao Ministério Público e ao Judiciário, que acataram as justificativas e encerraram o caso há quase um ano, tornando a exposição atual, em sua visão, um ato de perseguição política.

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A estratégia da prefeitura em responder prontamente às acusações busca estancar o desgaste da imagem de Pedro DaLua, que assumiu o cargo em um cenário de intensa pressão fiscal e operacional. Ao lado de Costa, o prefeito em exercício reforçou que a prioridade da gestão é a transparência nas contas públicas, especialmente no que tange ao dinheiro dos servidores municipais guardado na MacapáPrev. A administração sustenta que a auditoria no instituto de previdência está revelando conexões perigosas e que a reação dos grupos atingidos tem sido o uso de “dossiês requentados” para confundir a opinião pública e desacreditar os investigadores.

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O caso da MacapáPrev, mencionado pelos gestores como o estopim da retaliação, envolve suspeitas de má gestão e desvios de recursos que deveriam garantir a aposentadoria do funcionalismo. A prefeitura afirma que os detalhes desse esquema são muito mais graves do que qualquer movimentação financeira privada já esclarecida por Costa. A tática de comunicação adotada pelo Executivo é a da transparência reativa: expor os documentos do arquivamento judicial de um lado e, simultaneamente, acelerar a divulgação de dados sobre a auditoria previdenciária do outro, criando um contraste entre um processo encerrado e um crime supostamente em curso.

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A polarização em torno do tema reflete o clima pré-eleitoral e a fragilidade das instituições de controle quando capturadas pelo debate partidário. Enquanto a oposição utiliza os números robustos das movimentações de Renivaldo Costa para questionar a moralidade da gestão, o governo municipal se ancora nas decisões judiciais para se dizer vítima de uma “cortina de fumaça”. Costa foi enfático ao declarar que a vida pública exige resiliência, mas que não aceitará que fatos jurídicos sepultados sejam desenterrados para proteger aqueles que, segundo ele, dilapidaram o patrimônio dos servidores da capital.

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No terminal de ônibus e nas esquinas de Macapá, o cidadão assiste a uma guerra de relatórios financeiros e notas oficiais. Para o morador médio, o que importa é se o dinheiro da previdência está seguro e se a prefeitura tem condições de manter os serviços básicos funcionando. A tentativa de DaLua e Costa de redirecionar o olhar do eleitor para a MacapáPrev é uma aposta alta na tese do “inimigo comum”. Se os avanços nas investigações do instituto de previdência se provarem reais e documentados, a prefeitura poderá emergir da crise com um discurso de combate à corrupção. Caso contrário, a sombra dos milhões movimentados por seu porta-voz continuará a pairar sobre o gabinete.


O desfecho dessa disputa depende agora da capacidade da gestão municipal em transformar as denúncias sobre a MacapáPrev em ações concretas de recuperação de ativos e punição de responsáveis. Por ora, o que se vê em Macapá é um jogo de xadrez político onde cada denúncia é respondida com um contra-ataque, e onde a verdade muitas vezes fica escondida sob camadas de interpretações jurídicas e interesses eleitorais. A promessa de Pedro DaLua é de que nenhum esquema será poupado, independentemente de quem tente desviar o foco através de reportagens sobre o passado.


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