ASTRONOMIA

Macapá (AP) — Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026


Defesas planetárias da Terra se preparam para acompanhar o cometa 3I/ATLAS

O cometa “visitante” 3I/ATLAS vem chamando atenção dos cientistas após um estudo dizer que ele poderia ser artefato alienígena disfarçado de cometa e potencialmente hostil devido seu comportamento, considerado incomum

As anormalidades do 3I/ATLAS estão sendo acompanhadas por cientistas de todo o mundo. A NASA diz que não há riscos para a humanidade — Foto: ESA/TGO/CaSSIS


A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou recentemente o início de uma campanha internacional de monitoramento do cometa interestelar 3I/ATLAS pelas defesas planetárias da Terra. Esta ação, coordenada pela Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN), mobilizou especialistas em todo o mundo para dois meses de observações contínuas, que começaram em 27 de novembro.

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A equipe está rastreando o cometa à medida que ele se aproxima da Terra, com a ONU assegurando que o objeto não representa ameaça de impacto para o planeta, tendo passado a uma distância segura de 270 milhões de quilômetros em 19 de dezembro.
Descoberto em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, o 3I/ATLAS é notável por ser apenas o terceiro objeto interestelar já registrado em nosso Sistema Solar, seguindo o 1I/ʻOumuamua (2017) e o 2I/Borisov (2019). Seu nome, “3I”, confirma seu status como o terceiro “Visitante Interestelar”.

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A campanha de observação tem um duplo objetivo: científico e de treinamento. O cometa oferece uma oportunidade excepcional para testar e aprimorar os protocolos globais de observação e defesa planetária. Como os cometas aparecem como massas difusas nos telescópios, diferentes dos asteroides, sua longa visibilidade permite aos pesquisadores refinar as complexas técnicas de medição e astrometria necessárias.
Este é o oitavo exercício de observação da IAWN desde 2017, visando aumentar a precisão na localização e medição de corpos celestes.

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A trajetória hiperbólica do cometa é a prova de sua origem interestelar, indicando que ele não está preso à gravidade do Sol e se formou em outro sistema solar.
Observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram detalhes incomuns, como uma coma (a nuvem de gás e poeira) dominada por dióxido de carbono (CO 2), uma concentração raramente vista em cometas. Essas características, somadas ao seu comportamento atípico, alimentaram rumores online — já desmentidos pela NASA — de que o 3I/ATLAS poderia ser um artefato alienígena. A agência espacial precisou divulgar imagens confirmando as características típicas de cometa (coma, núcleo e cauda).


Modelos científicos sugerem que o 3I/ATLAS pode ser o cometa mais antigo já observado, com uma idade estimada em mais de sete bilhões de anos, tornando-o mais velho que o próprio Sistema Solar. Sua composição pode oferecer pistas valiosas sobre as condições químicas primordiais de outros sistemas.
Identificado inicialmente próximo à constelação de Sagitário, o cometa estava a cerca de 670 milhões de quilômetros do Sol, dentro da órbita de Júpiter. Análises astronômicas indicam que ele se move a uma velocidade de 221.000 quilômetros por hora (61 km/s), o que o impede de ser contido pela gravidade solar, garantindo que ele continuará sua jornada para fora do nosso sistema no próximo ano.