ASTRONOMIA

NASA lança missão Artemis II, primeira viagem tripulada à Lua em mais de 50 anos

Quatro astronautas orbitarão o satélite no foguete mais potente da história, validando tecnologias cruciais para a presença sustentável no espaço

O foguete SLS, o mais potente da história, rasga o céu rumo à Lua na missão Artemis II. É a primeira viagem tripulada ao satélite natural em mais de cinco décadas – Foto: AFP


A agência espacial norte-americana (Nasa) lançou na quinta-feira (1º/04), às 19h25 (horário de Brasília), a missão Artemis II, a primeira viagem tripulada rumo à Lua em mais de meio século, partindo do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Utilizando o foguete Space Launch System (SLS), o mais potente já construído, a expedição levará quatro astronautas para um sobrevoo de dez dias ao redor do satélite natural para testar sistemas de suporte à vida e navegação em espaço profundo. O evento marca o retorno da humanidade à órbita lunar desde o encerramento do programa Apollo, em 1972, servindo como o teste decisivo de segurança e tecnologia antes do próximo passo: o pouso de humanos na superfície lunar planejado para os próximos anos.

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O céu da Flórida será o palco de um espetáculo de engenharia e audácia que o mundo não testemunha há 54 anos. Quando os motores do SLS rugirem na plataforma de lançamento, eles não estarão apenas impulsionando toneladas de metal e combustível, mas transportando o sonho renovado de uma presença humana sustentável além da órbita terrestre. A expectativa é alta, e a Nasa abriu os bastidores da preparação para o público global desde o início da tarde, permitindo que entusiastas acompanhem cada verificação de sistema e o embarque dos tripulantes, um ritual que mistura precisão militar com o frio na barriga de quem está prestes a fazer história.

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A bordo da cápsula Orion, a tripulação enfrentará um trajeto que desafia os limites alcançados pelas missões tripuladas nas últimas décadas. Diferente de seus antecessores da era Apollo, os astronautas da Artemis II não tocarão o solo lunar desta vez. A missão é uma valsa orbital complexa: eles cruzarão o lado oculto da Lua, mergulhando na escuridão e no silêncio de rádio, para testar se os sistemas de comunicação e os controles manuais da nave respondem com a exatidão necessária sob condições extremas. O retorno à Terra será guiado pela própria mecânica celeste, através de uma trajetória de “retorno livre”, onde a gravidade da Lua e da Terra trabalham em conjunto para arremessar a cápsula de volta ao nosso planeta de forma segura.

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O grupo escolhido para esta jornada carrega o peso e a honra de uma geração inteira de pesquisadores e sonhadores. Sob o comando de Reid Wiseman, a missão conta com o piloto Victor Glover, a especialista Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen. Koch e Glover, em particular, representam a nova face da exploração espacial, que busca corrigir lacunas históricas de representatividade no cosmos. Embora o pouso físico esteja reservado para a Artemis III, a presença desses profissionais a centenas de milhares de quilômetros de casa é o prefácio de um capítulo onde a Lua deixará de ser apenas um destino de visita para se tornar uma base de operações humana.

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O sucesso da Artemis II é o “pedágio” tecnológico obrigatório para que a Nasa possa, enfim, enviar a primeira mulher e a primeira pessoa negra para caminhar no regolito lunar. Cada batimento cardíaco monitorado, cada litro de oxigênio reciclado pela Orion e cada manobra de correção de curso realizada nestes dez dias fornecerão os dados críticos para garantir que as missões futuras sejam viáveis. O Programa Artemis não é apenas um projeto de exploração; é uma estratégia de longo prazo que utiliza a Lua como um campo de provas para o objetivo maior da agência: a eventual chegada de seres humanos ao planeta Marte.

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Enquanto a contagem regressiva avança no Centro Espacial Kennedy, a atmosfera é de uma nostalgia voltada para o futuro. Se em 1972 o programa Apollo se despedia com a sensação de missão cumprida, a Artemis II decola com a urgência da continuidade. A janela de lançamento de duas horas é um lembrete de que, apesar de toda a tecnologia avançada, a humanidade ainda está à mercê das condições meteorológicas e das leis da física. Caso o clima ou algum detalhe técnico impeçam a partida hoje, a Nasa já possui planos de contingência para os dias seguintes, tratando a segurança da tripulação como a prioridade absoluta acima de qualquer cronograma.


Ao longo da trajetória, os quatro astronautas verão a Terra diminuir até se tornar um pequeno mármore azul no vasto vazio negro, uma perspectiva que poucos seres humanos tiveram o privilégio de contemplar. Eles chegarão mais longe do que qualquer pessoa desde os anos 70, quebrando recordes de distância que permaneceram estáticos por gerações. Quando a Orion finalmente mergulhar na atmosfera terrestre para o resgate no oceano, a ciência espacial terá virado a página de uma longa espera. A Lua, antes um memorial de conquistas passadas, voltará a ser oficialmente o próximo quintal da humanidade.