ASTRONOMIA

Asteroide potencialmente perigoso atravessa o espaço em alta velocidade rumo à Terra

Cientistas americanos e europeus estão recolhendo o maior número de informações sobre o asteroide que cruza o espaço sideral
Por Vitor Paiva

No início de julho, a equipe do Sistema de Alerta Impacto Terrestre por Asteroides (Atlas, na sigla em inglês), da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, identificou um novo asteroide que pode impactar um dia a Terra. Apesar da dificuldade de estimar o trajeto do objeto, cientistas do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, descobriram novas informações sobre ele.

Chamado de 2020 NK1, o asteroide mede aproximadamente 488 metros de diâmetro e cinco campos de futebol de comprimento (seu eixo mais longo mede quase 1 quilômetro). De acordo com os pesquisadores, seu tamanho o torna um dos principais Objetos Potencialmente Perigosos (PHO) rastreados pela Nasa — essa classificação se aplica a asteroides com mais de 152 metros de diâmetro e que cheguem a até 8 milhões de quilômetros de distância da órbita terrestre. A probabilidade de a Terra ser atingida pelo 2020 NK1 entre os anos de 2086 e 2101 é de uma em 70 mil.
Antes de fazerem todas essas descobertas, os cientistas ainda tiveram que superar mais um desafio: a aproximação da tempestade tropical Isaias, que interrompeu as atividades do Observatório de Arecibo por razões de segurança.

“Felizmente, a tempestade passou rapidamente sem danificar o telescópio ou o sistema de radar, e as equipes de manutenção e eletrônica conseguiram ativar o telescópio a tempo das observações”, conta Sean Marshall, cientista do observatório que liderou a equipe do estudo, em comunicado. Assim que o Isaias se foi, o asteroide se tornou prioridade nos laboratórios.
Entre 30 e 31 de julho, os cientistas conseguiram observar o 2020 NK1 por duas horas e meia — tempo o suficiente para fazer medições precisas da velocidade e distância do objeto em relação à Terra. A equipe também conseguiu registrar imagens em alta resolução.
O objeto foi visto enquanto passava dentro da área de alcance do radar do observatório. Felizmente, as análises apontam que o 2020 NK1 não chegará tão perto de nós a ponto de se tornar um perigo — mesmo no futuro. Calcula-se que o asteroide alcançará o ponto mais próximo da Terra em 2043, a 3,6 milhões de quilômetros, equivalente a nove vezes a distância daqui até a Lua.

“Essas medidas melhoram muito o conhecimento da órbita do 2020 NK1 e permitem prever seu futuro paradeiro nas próximas décadas”, afirma Patrick Taylor, cientista do Instituto Planetário e Lunar, no Texas (EUA), que participou remotamente das observações.
Além disso, para Anne Virkki, chefe do grupo de Radar Planetário do Observatório de Arecibo, essa é também uma grande conquista para a instituição. “Este evento foi um ótimo exemplo do importante papel que o sistema de radar de Arecibo desempenha na ciência planetária e na defesa do planeta”, diz a cientista. “Isso mostra que temos tempos de resposta muito rápidos e recursos de medição de alcance, movimento e tamanho de alta precisão, apesar das tempestades, da pandemia de Covid-19 e dos terremotos com os quais Porto Rico lidou neste ano.”


Probabilidades de colisão com a Terra é de uma em 70 mil

Há séculos e mais séculos que o temor de um asteroide se chocar com nosso planeta oferece contornos apocalípticos para o imaginário humano – e de quando em quando cientistas se põem a estudar trajetórias e aproximações de objetos espaciais que ameaçam o caminho da Terra. Foi isso que a equipe do Sistema de Alerta Impacto Terrestre por Asteróides (Atlas, em inglês) recentemente identificou: um novo asteroide capaz de impactar o planeta. E se há ainda grande dificuldade em determinar maiores informações sobre o objeto e sua trajetória, cientistas no observatório de Arecibo, em Porto Rico, levantaram novos dados sobre o asteroide.
Com 488 metros de diâmetro e um eixo mais longo com quase 1 quilômetro – equivalendo seu cumprimento a cinco campos de futebol – o asteroide foi batizado de 2020 NK1, e por seu tamanho faz dele um dos Objetos Potenciamente Perigosos (PHO, em inglês) mais importantes para o rastreamento da NASA e outras agências espaciais. Cálculos sugerem que a aproximação com a Terra se dará entre os anos 2086 e 2101, e a chance do asteroide colidir com o planeta é de uma em 70 mil.
A observação mais apurada do 2020 NK1 aconteceu entre os dias 30 e 31 de julho ao longo de duas horas e meia, quando as medições puderam ser feitas, e mesmo fotografias puderam ser registradas. A boa notícia é que as análises determinaram que a aproximação do asteroide muito provavelmente não chegará perto da Terra o suficiente para se tornar uma real ameaça: estima-se que o ponto mais próximo será ainda a 3,6 milhões de quilômetros, cerca de 9 vezes a distância entre o planeta e a lua.