CIDADES

Atividade gastronômica da Amazônia pode ser oficialmente reconhecida como patrimônio cultural do Brasil

O modo de fazer, servir e vender o tacacá pode ser reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro no livro de registro de saberes do Iphan — Foto: Reprodução/Youtube

O registro valoriza a riqueza cultural do Brasil, especialmente na região amazônica, destacando a importância deste saber culinário específico, presente em diversos estados e cidades. É uma prática tradicional que também sustenta muitas famílias

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em colaboração com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente da Universidade Federal do Oeste do Pará (Sacaca/UFOPA), deu início à realização de pesquisas em sete estados brasileiros – Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins – com o objetivo de auxiliar no registro do Ofício de Tacacazeira como patrimônio cultural do país.

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Esses levantamentos visam não apenas identificar e documentar a importância cultural e histórica do ofício de tacacazeira, mas também promover a valorização e preservação dessa prática tradicional que faz parte da identidade cultural da região amazônica. A parceria entre o Iphan e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente da Ufopa é fundamental para garantir a realização desses estudos de forma integrada e colaborativa, envolvendo diferentes áreas do conhecimento e contribuindo para o fortalecimento da memória e da cultura brasileira.

Além disso, a valorização da atividade pode contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas, gerando oportunidades de geração de renda e fortalecendo a economia local. É essencial que a sociedade reconheça a importância dessas tradições e se engaje na sua preservação, para que as futuras gerações possam desfrutar e aprender com a riqueza cultural e histórica que elas representam.

Com o intuito de promover debates, fornecer informações, e ouvir sugestões e necessidades das tacacazeiras do Amapá, está agendada uma reunião para o dia 22 de março, às nove horas, na sede do Iphan no Amapá. “Estamos contando com a sua presença e contribuição nessa importante conversa com a equipe responsável pelo projeto. Sua participação é de grande importância para nós”, assinala a assessoria do UFOPA.
Ainda conforme a assessoria da instituição paraense, a expectativa é que a reunião seja um espaço de diálogo e troca de ideias, onde as tacacazeiras possam expressar suas opiniões e necessidades em relação ao projeto. “Acreditamos que juntas podemos construir soluções e melhorias para a comunidade. Sua presença é fundamental para o sucesso desse encontro e para o desenvolvimento do projeto.”



Insumos mais caros
Os custos dos ingredientes, as alterações climáticas e a ausência de segurança nos direitos trabalhistas e previdenciários para as vendedoras de tacacá devem ser mencionados como ameaças durante a reunião. Em encontros anteriores, as tacacazeiras também propuseram a inclusão do tacacá no cardápio da merenda escolar, a implementação de políticas públicas para incentivar a atividade e o fortalecimento da agricultura familiar, de onde provém a mandioca utilizada na produção da goma, do tucupi e do jambu.
De acordo com os resultados da pesquisa já realizada em outros estados, as mulheres são maioria nessa profissão, mas os homens também participam, como é o caso de Val Kokama, residente em Manaus (AM) um tacacazeiro. Ele destacou a importância de transmitir o conhecimento de geração em geração, ressaltando a diversidade na maneira de preparar o tacacá. Aline Damasceno, que trabalha no tacacá da tia Socorro, herdou a atividade de sua mãe. Para ela, o tacacá era algo que sua mãe fazia desde sua infância, tornando-se sua profissão de forma inesperada após participar de um curso de empreendedorismo.

SERVIÇO:

Dia: 22/03/2024
Hora: 9:00
Local: Av. Henrique Galúcio, n°1242. Em frente a Secretaria Municipal de Saúde.
Para mais informações: sacaca.ics@ufopa.edu.br

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