CLIMA

Macapá (AP) — Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026


Estudos científicos indicam que chuvas extremas na Amazônia estão se tornando mais frequentes

Compromisso será avaliado anualmente pelo Ministério de Portos e Aeroportos, Pacto da Sustentabilidade ganha adesão de 59 empresas do setor

Os cientistas acreditam que essa intensificação do ciclo sazonal ocorre devido às alterações nas temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico ao redor, que afetam a circulação do ar — Foto: Divulgação/INPA


“Os anéis de árvores revelaram mudanças no ciclo de chuvas da Amazônia nos últimos 40 anos: as estações chuvosas estão ficando mais úmidas e as estações secas mais secas. Sinais de isótopos de oxigênio nos anéis de duas espécies de árvores da Amazônia permitiram que uma equipe internacional de pesquisa reconstruísse as mudanças sazonais nas chuvas no passado recente.”
Publicando suas descobertas na revista “Communications Earth & Environment”, os pesquisadores revelam que a precipitação da estação chuvosa aumentou de 15 a 22% e a precipitação da estação seca diminuiu de 5,8 a 13,5% desde 1980.

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O estudo é o resultado de uma colaboração entre as Universidades de Leeds e Leicester e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, no Brasil.

Os pesquisadores acreditam que esse ciclo sazonal intensificado se deve a mudanças nas temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico circundantes, que influenciam a circulação atmosférica. Embora essas mudanças se devam em parte à variabilidade natural, também há fortes indícios de que a mudança climática antropogênica desempenha um papel importante.
O estudo utilizou as proporções de isótopos de oxigênio dos anéis de árvores de Cedrela odorata e Macrolobium acaciifolium na Amazônia entre 1980 e 2010 para reconstruir a variabilidade das chuvas nas estações úmida e seca do passado.


Os pesquisadores associaram as mudanças nos isótopos de oxigênio à precipitação em larga escala, estimando as mudanças na precipitação de longo prazo e as incertezas usando dados observados, modelos de isótopos e análises de sensibilidade de parâmetros atmosféricos.

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O coautor, Jochen Schöngart, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, comentou que “essas descobertas mostram que a Amazônia não está apenas se tornando mais seca ou mais úmida em geral, mas está apresentando oscilações sazonais mais extremas. Isso é muito preocupante, pois a intensificação do ciclo hidrológico afeta o funcionamento dos ecossistemas, a água e a segurança alimentar de milhões de povos tradicionais e indígenas”.

Além disso, mais de 50 empresas que atuam no setor de infraestrutura e operação de portos, aeroportos e navegação aderiram ao Pacto da Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, se comprometendo a adotar práticas de governança ambiental, social e corporativa. Além de compromissos individuais de ESG, as companhias precisam estar em dia com as obrigações trabalhistas, não ter histórico de denúncias comprovadas de trabalho forçado, infantil, assédio ou discriminação sem a devida apuração, dentre outras obrigações.


A Diretoria de Sustentabilidade do MPor irá analisar as propostas apresentadas pelos participantes e, em novembro, anunciar quais delas cumpriram os compromissos assumidos. O anúncio ocorrerá em evento em Belém, durante a COP30, com a concessão de selos de sustentabilidade, divididos em quatro categorias, de acordo com o comprometimento da empresa: bronze, prata, ouro e diamante.
“O que queremos é estimular a participação das empresas e reforçar a responsabilidade socioambiental em cada uma delas”, explica Larissa Amorim, diretora do Programa de Sustentabilidade do Ministério, lembrando que anualmente o compromisso será avaliado: “será necessário que cumpram permanentemente os requisitos estabelecidos. Caso não cumpram, o selo será revogado”, disse.

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