PETRÓLEO

Campos Neto se despede e deixa legado de autonomia no BC em meio a expectativas de alta dos juros

“Acreditamos que um Banco Central autônomo estaria melhor preparado para consolidar os ganhos recentes e abrir espaço para os novos avanços de que o país tanto precisa”, defende Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comanda sua última reunião à frente do Copom — Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, termina seu mandato em 31 de dezembro, sendo substituído por Gabriel Galípolo, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva. Na sua última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), está previsto um novo aumento da Selic, atualmente em 11,25% ao ano. Inicialmente, esperava-se um aumento de 0,75 ponto porcentual, mas os analistas agora apontam para 1 ponto porcentual.

CLIQUE NA IMAGEM

Os dados do IBGE mostram a necessidade de restrição monetária, com o IPCA de novembro subindo 0,39% e acumulando alta de 4,87% em 12 meses, acima da meta de inflação. Essa alta de juros reafirma a independência do Banco Central frente às pressões políticas de Lula e do PT.

Sua conexão com o governo anterior e o apoio a pautas liberais geraram críticas do PT. Ele também foi criticado por ter votado em 2022 com uma camisa da seleção, um gesto visto como apoio a Bolsonaro, pelo qual se disse arrependido. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, o acusou de dirigir a política monetária com viés ideológico, mencionando que o Comitê de Política Monetária (Copom) é alvo de “terrorismo” para aumentar a taxa de juros. O PT argumenta que a alta dos juros prejudica a economia, afirmando que os bons indicadores do PIB e do emprego justificam uma redução na taxa.

CLIQUE NA IMAGEM

Para boa parte dos economistas, o aquecimento da economia é causado por transferências governamentais, via programas assistenciais, e não pelo aumento de produtividade. Isso gera uma inflação de demanda e é insustentável no longo prazo. A queda da Selic, iniciada em 2023, foi interrompida em junho devido à pressão inflacionária, gerando críticas de Lula ao Banco Central. Em setembro, o ciclo de alta retornou, com desconfiança sobre as metas fiscais. O pacote de corte de gastos anunciado em dezembro está sendo prejudicado no Congresso.


QUEM É CAMPOS NETO?

Roberto Campos Neto tem ampla experiência no setor financeiro e é carioca com mestrado em Economia pela Universidade da Califórnia. Iniciou sua carreira no Banco Bozano Simonsen, que foi adquirido pelo Santander, onde trabalhou por quase 20 anos. No Santander, ocupou cargos de destaque e, em 2018, recebeu o convite para ser presidente do Banco Central (BC).
Sua indicação estava alinhada com a agenda de concorrência do ministro da Economia, Paulo Guedes. Campos Neto defende a autonomia do BC, citando a importância desse conceito em sua posse em março de 2019. Ele expressou que um BC autônomo estaria melhor preparado para o progresso do país. A preocupação com a autonomia cresceu desde a gestão de Dilma Rousseff, quando o BC foi criticado por ser influenciado pelo Executivo.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.