Câmara de Macapá: faltas, escândalos e inoperância

Vereador Marcelo Dias (centro) tonou-se presidente da CVM após pancadaria protagonizada por integrantes da Mesa Diretora

Por Emanoel Reis

A Câmara de Vereadores de Macapá ganhou recente evidência na mídia não pelos projetos voltados para a promoção do bem estar da população macapaense que os 23 vereadores poderiam ter apresentado durante 2019. Nada disso. O legislativo municipal virou manchete por conta do enorme percentual de vereadores faltosos. Só para se ter uma ideia, se somassem as faltas de dois deles totalizariam quase oitenta. Ambos alegaram “problemas de saúde” para justificar tanta ausência do trabalho.
Apesar dos apelos do vereador Marcelo Dias (PPS), eleito presidente do legislativo municipal após histórica pancadaria no plenário entre os vereadores Yuri Pelaes (PMDB) e Caetano Bentes (PSC), a denúncia ganhou as ruas da capital amapaense. Gerou revoltas e comentários desairosos contra os edis. Mas não surpreendeu tanto como esperavam os autores da denúncia.
Faz tempo que o munícipe macapaense parou de esperar alguma coisa da Câmara de Vereadores. Vinicius Correa, 32 anos, sócio em um mercadinho localizado na esquina da rua Jovino Dinoá com a avenida Mãe Luzia, bairro Jesus de Nazaré, é um desses. Ele tem péssima impressão deles. “Vereador de Macapá parece cabelo de freira. A gente sabe que existe, mas nunca vê um deles quando precisa”. Pode parecer piada, mas a frase tem tom de desalento na voz do comerciante.

Disputa pelo poder acabou em pancadaria no plenário da Câmara de Vereadores


Embora o estabelecimento de Correa localize-se em local privilegiado, com asfaltamento, calçadas e meio-fio, boa parte de seus fregueses reside em áreas carentes do bairro, onde alagamentos são constantes, a locomoção é feita por cima de pontes apodrecidas e saneamento básico é coisa de cinema americano.
“Se os vereadores de Macapá faltassem menos e trabalhassem mais, com certeza a cidade não seria essa porcaria que é”, lamenta a dona de casa Anita Passos, 53 anos. Evangélica da Igreja Quadrangular, Anita pode ser considerada uma “moradora antiga” da avenida Princesa Isabel, Jesus de Nazaré, onde tem ampla casa em madeira dividida com genro, filha e netos.
O desalento expressado na frase tão impactante é apenas a tradução do pensamento da maioria que, assim como Anita, habitam ruas e avenidas abandonadas pelo poder público municipal. E nesse caso, avaliza a dona de casa, a culpa não é só do prefeito Clécio Luís (REDE). “Crucificar o Clécio é livrar os vereadores de suas responsabilidades. Em quatro anos, fizeram pouca coisa diante do dinheirão que recebem mensalmente de nós, que pagamos nossos impostos e não vemos o retorno desse dinheiro em benefícios para a comunidade.”


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Um comentário em “Câmara de Macapá: faltas, escândalos e inoperância

  1. QUEM NOS DERA (BRASILEIROS) SE O PROBLEMA DO BRASIL FOSSE ESSE (FUNCIONÁRIOS FALTOSOS). O PROBLEMA DO NOSSO PAÍS COMO VISTO PELO “LAVA JATO” É A CORRUPÇÃO, FIQUEM CERTOS DISTO.

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