Pré-candidatura de Jaime Nunes ao governo do Amapá segue sem grandes apoiadores políticos

O empresário ainda é um nome exótico para os eleitores das pontes e dos alagados

Pré-candidato ao governo do Amapá nas eleições gerais deste ano, Jaime Nunes (PROS) parece convencido de que é o nome da vez para suceder o atual governador Waldez Góes (PDT), ocupante do cargo por quatro mandatos. Desde meados do ano passado, quando ainda não havia firmado convicção sobre sua candidatura, Nunes vem percorrendo o estado, apresentando-se à população como aspirante ao governo e, segundo costuma afirmar em entrevistas, para conhecer melhor os gargalos sociais e econômicos “que travam o desenvolvimento local”.

Empresário com investimentos em diferentes ramos (móveis, eletrodomésticos, supermercado, comunicação, imóveis), Jaime Nunes estreou oficialmente na política partidária nas eleições gerais de 2018 como candidato a vice-governador na chapa com Waldez Góes. Foi eleito com mais de 191.741 votos. O resultado, no entanto, não garantiu a ele amplo acesso ao grupo político da família Góes, controlado com mão de ferro por Marília, primeira-dama, ex-deputada estadual e agora conselheira do Tribunal de Contas do Estado, com termo de posse assinado pelo próprio Nunes, numa rara concessão feita pelo titular.

Celebrando a eleição em 2018, Jaime Nunes pretendia ser mais do que um figurante na gestão de Waldez Góes

Ainda nos primeiros meses de mandato, Waldez e Jaime destoaram em aspectos cruciais dos seus respectivos interesses econômicos e políticos. Apoiado por nomes do agronegócio como o ex-presidente da Associação Comercial do Amapá (ACIA), Gilberto Laurindo, e por Adiomar Veronese, seu sócio na Nutriama, distribuidora de alimentos e laticínios, Nunes tinha planos para incrementar o setor no Amapá, além de focar no fortalecimento do comércio macapaense com projetos de incentivos fiscais.


LITERATURA AMAZÔNICA
O romance intitulado “Trezoitão”, de autoria do jornalista Emanoel Reis, está à venda na Loja Kindle. A história inicia com o assassinato de um deputado estadual, conhecido defensor de pequenos agricultores no interior do Pará. O autor do crime, codinome “Trezoitão”, é um matador de aluguel financiado por consórcio montado nos escaninhos do governo estadual, comandado pelo próprio governador. Ele é muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Toda a trama é ambientada nos Estados do Pará e Amapá. Quer saber mais sobre esta obra?

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A partir de 2019, começou a perceber crescente distanciamento do núcleo de poder encastelado no principal gabinete do Palácio do Setentrião, sede do governo amapaense. Nas vezes em que tentou furar a muralha erguida em volta do mandatário, esbarrava na má vontade dos assessores graduados, e até mesmo no desinteresse do próprio chefe do executivo.
Entre 2020 e 2021, raramente a principal cadeira do Setentrião foi usada por Jaime Nunes. Waldez Góes viajava, mas não deixava o cargo vacante para ser ocupado por seu vice. Levava consigo os segredos de estado e a chave do cofre. Temor do empresário promover mudanças indesejadas? Esta foi uma hipótese apresentada (e até defendida) por alguns observadores de plantão. Ou, haveria algo mais intrínseco nos bastidores sombrios da gestão pedetista no Amapá inacessível para Jaime Nunes?

Após a posse, em janeiro de 2019, a relação entre governador e vice passou a ser pautada por incertezas e desconfianças

“Para conseguir eleger-se governador, Nunes vai precisar meter a mão no bolso!” Esta conclusão lançada pelo jornalista, radialista e ex-vereador por Macapá, Euclides Moraes, esbarra em um obstáculo que somente o pré-candidato do PROS ao governo do Amapá poderá transpor: a compreensão de que campanha política exige elevados investimentos, e quase sempre do próprio pré-candidato. Contudo, fontes próximas a Nunes revelam que isso está fora de cogitação. O empresário pretende utilizar somente o recurso do fundo partidário.

E aí está o xis da questão.
O suposto principal oponente dele na disputa pelo governo é o ex-prefeito de Macapá Clécio Luís (sem partido), a princípio apoiado pela máquina do governo estadual ainda sob o comando de Góes, que já fez saber sobre sua pretensão de ficar até o fim do mandato para apoio irrestrito ao ex-prefeito, e pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil), ex-presidente do Congresso Nacional, presidente da CCJ do Senado, e candidato à reeleição.
O problema para Jaime Nunes é que Clécio entra na competição eleitoral com uma fatura respeitável a ser cobrada. Em 2020, ainda na PMM, foi um dos mais entusiasmados apoiadores da candidatura de Josiel Alcolumbre, irmão de Davi, para sua sucessão no Palácio Laurindo Banha, sede do governo macapaense.
Clécio também transporta na bagagem política uma trajetória relativamente bem-sucedida, com exercícios de cargos públicos, mandatos na Câmara de Vereadores de Macapá e oito anos na PMM. Construiu uma militância aguerrida e, nos últimos meses, tem se ocupado unicamente em divulgar seu projeto político nos municípios amapaenses.
Vencê-lo é o grande — e talvez o maior — desafio de Jaime Nunes.



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