O empreendimento localizado às margens do rio Matapi recebeu incentivos fiscais do Estado e iniciou as obras de supressão vegetal, com previsão de operar em dois anos para baratear o insumo da construção civil e atender estados vizinhos
O Amapá deu um passo histórico em sua industrialização na última sexta-feira, dia 3 de julho de 2026, com o início das obras da primeira fábrica de cimento do estado, um empreendimento da marca Cimento Forte que promete transformar a economia local ao reduzir custos logísticos e gerar novas oportunidades de emprego. A Companhia Brasileira de Materiais de Construção investirá R$ 120 milhões privados em um complexo de 14 hectares localizado estrategicamente às margens do Rio Matapi, no município de Santana, a apenas 17 quilômetros da capital, Macapá. Conduzido ao longo dos últimos dois anos pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, o projeto saiu do papel por meio de incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual, que visam atrair grandes indústrias e baratear o custo da construção civil em toda a Região Norte.

Acompanhado por uma comitiva de empresários do setor de infraestrutura e habitação, o governador Clécio Luís esteve no local para fiscalizar o início das atividades de campo e celebrou o momento como um divisor de águas para as finanças e a autonomia amapaense. Atualmente, o cimento consumido no estado precisa ser totalmente importado de outras regiões do país, o que encarece o frete e eleva o preço final de obras públicas e residenciais. De acordo com o chefe do Executivo estadual, a chegada da fábrica demonstra a maturidade e o novo patamar de desenvolvimento do Amapá, criando um ambiente de negócios favorável que atrai o empresariado e fortalece os trabalhadores locais, que serão os maiores beneficiados diretos pela cadeia produtiva desencadeada pelo investimento.


A preparação do terreno já está em ritmo acelerado na área industrial de Santana. Os trabalhos começaram com a fase de supressão vegetal, etapa que recebeu todas as devidas licenças e autorizações da Secretaria de Estado do Meio Ambiente para garantir a conformidade com as rígidas regras ecológicas da Amazônia. Ao mesmo tempo, o suporte governamental se manifestou na infraestrutura de transporte, visto que a Secretaria de Estado dos Transportes concluiu com sucesso o projeto de engenharia para a abertura e pavimentação do acesso terrestre definitivo até a propriedade. Esse esforço conjunto entre as secretarias estaduais e a iniciativa privada foi fundamental para garantir a segurança jurídica necessária para o andamento célere do cronograma da empresa.

A expectativa da diretoria do grupo empresarial é que a fábrica esteja em pleno funcionamento e operando comercialmente no prazo de até dois anos. Quando a estrutura estiver finalizada, a unidade contará com uma tecnologia de ponta operando sob um sistema totalmente automatizado. Os moinhos industriais terão capacidade de processar até 90 toneladas de cimento por hora, o que se traduzirá em uma produção anual estimada de 600 mil toneladas do insumo. Essa quantidade robusta foi planejada para atender de forma prioritária o mercado interno do Amapá e, em uma segunda fase de expansão, exportar o excedente da produção para os estados vizinhos da região amazônica através das hidrovias.

Por trás do início das obras há um planejamento rigoroso de longo prazo focado no extremo norte brasileiro. O engenheiro químico e gerente de projetos da Cimento Forte, Hélio Viero Albino, revelou que o grupo realizou uma década inteira de estudos detalhados de viabilidade econômica e de mercado antes de assinar os contratos definitivos. Segundo o executivo, a implantação da planta industrial representa a realização de um sonho de mais de dez anos, que só se tornou realidade graças ao suporte institucional para alinhar os trâmites burocráticos e fiscais. O grupo aposta firmemente na projeção de crescimento do Amapá e deseja consolidar sua participação nesse ciclo de expansão.

Mais do que a produção de cimento, a consolidação da nova fábrica movimentará de forma intensa a economia regional nos próximos meses, aquecendo o mercado de trabalho local. O empreendimento impulsionará setores satélites cruciais, como o transporte rodoviário de cargas, os serviços de alimentação, segurança privada, vigilância e, especialmente, a complexa atividade de logística portuária baseada no Rio Matapi. Com a eliminação do alto custo de transporte interestadual que hoje sufoca o mercado amapaense, o setor de construção civil vislumbra um cenário de expansão acelerada, tornando moradias e obras de infraestrutura urbana mais acessíveis para toda a população do estado.

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