Áudio vazado revela chantagem financeira de Antônio Furlan para tentar destruir a oposição na CMM

A gravação da conversa entre Davi Alcolumbre e Pedro DaLua expõe guerra de bastidores e táticas de sobrevivência contra a manobra sub-reptícia perpetrada pelo ex-prefeito de Macapá



O senador Davi Alcolumbre (União) e o então presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro Dalua, aparecem em um áudio divulgado na terça-feira (24) pelo Portal Metrópoles articulando estratégias jurídicas e políticas para neutralizar o ex-prefeito Antônio Furlan (PSD) durante uma crise institucional no segundo semestre do ano passado. No diálogo gravado em setembro, Alcolumbre compromete-se a intermediar reuniões com o tribunal para garantir o repasse do duodécimo ao Legislativo, retido por Furlan em uma manobra para enfraquecer a oposição que pretendia investigar desvios na Macapaprev. A revelação do áudio expõe as vísceras da guerra de bastidores pelo controle político do Amapá, onde o senador acusa o ex-prefeito de “subjugar” outros poderes e de se apropriar indevidamente dos “louros” de obras financiadas por sua atuação parlamentar, enquanto Furlan tenta usar a gravação para sustentar uma narrativa de perseguição política em meio a investigações da Polícia Federal sobre depósitos de R$ 3 milhões em suas contas.


CAPACAPA29 de novembro de 2024Por Emanoel Reis, Macapá – AP
OPINIÃOOPINIÃO8 de fevereiro de 2010Por Emanoel Reis, Macapá – AP

A conversa entre as duas principais lideranças políticas do estado não é apenas um registro de rotina, mas o retrato de um momento em que as instituições de Macapá estiveram à beira do colapso administrativo. Naquela época, a Câmara Municipal preparava-se para instalar uma Comissão Processante, um movimento que poderia resultar no afastamento de Antônio Furlan por supostas irregularidades previdenciárias. Em resposta, a prefeitura apertou o torniquete financeiro, segurando os repasses constitucionais destinados ao funcionamento do Legislativo. É neste cenário de asfixia que Pedro Dalua recorre ao gabinete de Alcolumbre em busca de uma “blindagem” jurídica que garantisse a sobrevivência da Casa.

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No áudio, a voz de Davi Alcolumbre soa impositiva ao ditar o ritmo da reação. Ele agenda uma reunião para as 10h da manhã do dia seguinte no tribunal, com o objetivo claro de explicar a “circunstância jurídica e política do caso” aos magistrados. O senador é enfático ao afirmar que “o prefeito de Macapá tem muito poder, mas não pode tudo”, classificando a retenção do duodécimo como um crime de responsabilidade flagrante. Para Alcolumbre, a postura de Furlan não era apenas uma falha administrativa, mas um atentado ao equilíbrio entre os poderes, uma tentativa de colocar o Legislativo de joelhos através da fome orçamentária.

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Contudo, a gravação revela que o conflito ia muito além de teses jurídicas sobre o duodécimo; tratava-se de uma briga por vaidade e reconhecimento de paternidade de obras públicas. Alcolumbre expõe ao seu interlocutor uma mágoa profunda, chamando Furlan de “personagem que está vivendo do nosso trabalho”. O senador reclama que o então prefeito ignorava deliberadamente a origem federal dos recursos que viabilizavam as inaugurações na capital, canalizando todo o crédito político para si e para sua esposa, a ex-primeira-dama Rayssa Furlan. “Eu faço política de grupo, de entrega”, desabafa o senador, contrastando seu modelo de atuação com o que ele classifica como o egocentrismo político do clã Furlan.

Enquanto Alcolumbre cuidava da frente judicial, Pedro Dalua detalhava no áudio os próximos passos da contraofensiva dentro da Câmara. Além da Macapaprev, o então presidente do Legislativo planejava acionar o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e abrir uma nova frente de investigação contra a CTMac, a companhia de trânsito da cidade. A estratégia era clara: responder à pressão financeira com uma enxurrada de fiscalizações que poderiam asfixiar politicamente o prefeito. Embora as assessorias de ambos tratem o diálogo como parte da rotina política, o conteúdo reforça a percepção de que as instituições municipais foram usadas como tabuleiros de uma disputa pessoal de poder.

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Do outro lado, Antônio Furlan reagiu às redes sociais com a rapidez de quem já esperava o vazamento. Para o ex-prefeito, o áudio é a “prova cabal” de que ele foi vítima de uma conspiração orquestrada pelas elites políticas do estado para retirá-lo do cargo. No entanto, a narrativa de perseguição política de Furlan encontra um obstáculo robusto nos relatórios da Polícia Federal. Enquanto ele tenta focar o debate na conversa de Alcolumbre, ainda não apresentou explicações convincentes sobre os depósitos identificados em clínicas ligadas à sua família, que somam cerca de R$ 3 milhões e são o pivô da operação que o afastou do cargo em março.


A renúncia de Furlan ao mandato, ocorrida no último dia 5 de março para viabilizar sua pré-candidatura ao governo do estado, adiciona uma nova camada de complexidade a este imbróglio. O áudio do Portal Metrópoles funciona agora como o primeiro grande tiro de artilharia de uma campanha que promete ser a mais agressiva da história recente do Amapá. Entre acusações de corrupção de um lado e de conspiração de outro, o eleitor de Macapá assiste ao desmoronamento de uma aliança que um dia governou a cidade, agora reduzida a gravações clandestinas e disputas amargas nos tribunais por cada centavo do orçamento público.


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