Macapá amarga pior nota entre as capitais em ranking 2026 após gestão desastrosa de Antônio Furlan

Enquanto a paulista Gavião Peixoto lidera o progresso social no país, Porto Velho e Macapá (foto em destaque) amargam os resultados mais baixos devido ao déficit crônico em saneamento e saúde pública



A divulgação do Índice de Progresso Social (IPS) de 2026, realizada nesta quarta-feira (20) pelo Imazon e instituições parceiras em todo o território nacional, escancarou o abismo das desigualdades regionais brasileiras ao posicionar Macapá e Porto Velho com os piores desempenhos entre as capitais do país, registrando apenas 59,65 e 58,59 pontos, respectivamente. No caso específico da capital amapaense, o cenário de terra arrasada medido pelo indicador ganhou contornos de catástrofe urbana após os cinco anos e meio de gestão do ex-prefeito Antônio Furlan (PSD), que renunciou ao cargo em março deste ano sob o peso de investigações da Polícia Federal por corrupção, malversação, peculato e fraudes licitatórias. A análise minuciosa dos 5.570 municípios brasileiros utilizou 57 critérios sociais e ambientais para demonstrar que o crescimento discreto da média nacional não foi suficiente para impedir o colapso dos serviços públicos nas regiões mais vulneráveis e periféricas da Amazônia.


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As assimetrias geográficas continuam determinando quem tem acesso à dignidade no Brasil. Enquanto o Sul e o Sudeste concentram 18 dos 20 municípios com melhor desempenho no levantamento, as regiões Norte e Nordeste predominam de forma esmagadora no espectro oposto, abrigando 19 das 20 piores posições do ranking de 2026. A metodologia aplicada pelo Imazon diferencia-se do Produto Interno Bruto (PIB) justamente por ignorar a mera produção de riqueza econômica e focar nas condições reais de vida da população, cruzando dados oficiais de bases públicas como o IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas para avaliar nutrição, moradia, saneamento, segurança e sustentabilidade ambiental.

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Na liderança isolada do país, a pequena Gavião Peixoto, no interior paulista, alcançou pela terceira vez seguida o topo do ranking ao registrar 73,10 pontos em uma escala que vai até 100. Na outra ponta da tabela nacional, o município de Uiramutã, em Roraima, amargou a pior colocação geral, com tímidos 42,44 pontos. Entre as capitais, onde a infraestrutura deveria se apresentar de forma mais consolidada, Curitiba despontou na liderança nacional com 71,29 pontos, seguida de perto por Brasília, com 70,73, e São Paulo, na terceira posição, com 70,64. Campo Grande e Belo Horizonte completam o grupo das cinco capitais mais bem avaliadas, evidenciando uma estabilidade estrutural que passa longe da realidade vivida no extremo Norte.

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O colapso estatístico de Macapá reflete diretamente as opções políticas de uma administração que privilegiou a maquiagem urbana do centro histórico em detrimento do saneamento e da saúde básica da periferia. Sob a gestão de Antônio Furlan, a capital do Amapá viu seus indicadores despencarem enquanto denúncias de desvios no Hospital Geral Municipal ganhavam as páginas policiais. “Nós fomos deixados para trás em nome de praças bonitas e decorações de Natal”, lamenta o líder comunitário Raimundo Nonato Castro, morador do bairro Perpétuo Socorro, uma das muitas áreas de ressaca que sofrem com a falta crônica de passarelas seguras, água tratada e coleta regular de resíduos. Para a população local, a nota abaixo da média nacional de 63,40 pontos não é uma surpresa, mas a tradução matemática de anos de abandono e desvios de recursos que agora estão sob o escrutínio da Polícia Federal há quase dois anos.


O discreto avanço da média nacional, que subiu de 62,85 em 2024 e 63,05 em 2025 para os atuais 63,40 pontos, demonstra que o Brasil caminha a passos lentos e de forma desequilibrada. O sutil incremento nos índices gerais mascara a realidade de capitais como Porto Velho e Macapá, onde a ausência do Estado na ponta da linha inviabiliza direitos fundamentais. Analistas do Imazon apontam que a incapacidade de reverter o isolamento das periferias amazônicas perpetua um ciclo de vulnerabilidade social que a riqueza mineral ou o agronegócio da região não conseguem compensar. Sem uma reestruturação profunda nas políticas de saneamento e um combate severo à corrupção na aplicação das verbas federais, o topo do ranking do progresso social continuará sendo um privilégio geográfico restrito às coordenadas do Sudeste e do Sul.


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