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Gisele Maia realiza sonho e se junta ao Sinnamary na Guiana Francesa aos 19 anos

Paciência, treino e resiliência: os três pontos que levaram a jovem atleta amapaense ao basquete internacional

Aquela menina que começou a jogar basquete por diversão hoje defende o Sinnamary. O sonho de criança virou realidade— Foto: Divulgação


O sonho de atravessar a fronteira para viver do esporte deixou de ser uma projeção distante para se tornar a realidade da amapaense Gisele Maia. Aos 19 anos, a armadora acaba de escrever o capítulo mais importante de sua carreira ao desembarcar na Guiana Francesa para defender o Sinnamary. O acerto não representa apenas uma transferência de clube, mas a concretização de um plano traçado desde os primeiros arremessos na infância. Selecionada para integrar o elenco de um dos times tradicionais da região, Gisele agora divide seu tempo entre a quadra, os estudos universitários e o desafio de se adaptar a uma nova cultura e idioma.


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A trajetória que culminou na primeira experiência internacional da atleta ganhou corpo em agosto do ano passado. Durante uma competição local no Amapá, o desempenho técnico e a visão de jogo da armadora saltaram aos olhos dos olheiros do Sinnamary. O convite foi imediato, mas o caminho até o embarque exigiu paciência. Entre o “sim” e a chegada efetiva ao país vizinho, foram meses dedicados à burocracia, regularização de documentos e organização da logística de moradia. A espera terminou em janeiro, quando a jovem finalmente recebeu o sinal verde para cruzar a divisa.

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“Desde criança, sempre foi meu sonho jogar, desde criança, desde quando eu comecei a jogar basquete”, revelou a atleta, que não esconde o entusiasmo com a nova fase. O contrato inicial prevê a permanência de um ano, período em que Gisele terá os custos de moradia e educação cobertos pelo clube, uma estrutura comum em ligas que buscam o desenvolvimento integral do esportista. A rotina é intensa: os treinos de alto rendimento são intercalados com as aulas em uma universidade local, uma exigência que visa garantir o futuro da jovem para além das quatro linhas.

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A adaptação linguística tem sido o obstáculo mais evidente, mas superado pelo espírito de grupo. Mesmo sem domínio do francês, Gisele destaca que o acolhimento das novas companheiras de equipe foi fundamental para diminuir a saudade de casa e a ansiedade da estreia. Segundo ela, o elenco tem se esforçado para quebrar a barreira do idioma, arriscando palavras em português e garantindo um ambiente leve nos vestiários. “Me receberam super bem, mesmo eu não entendendo nada. Elas tentam falar português, são alegres e acolhedoras. Estou muito feliz por estar aqui”, afirmou.


O desembarque na Guiana Francesa ocorreu em uma sexta-feira (30) e, sem tempo para descanso, a brasileira já iniciou os treinamentos com o restante do grupo. O batismo de fogo aconteceu rapidamente: no sábado, dia 7 de fevereiro, Gisele fez sua estreia oficial com a camisa do Sinnamary. A partida marcou o início de uma jornada que pode servir de vitrine para outros centros do basquete internacional, reforçando o potencial das categorias de base do Norte do Brasil. Para a armadora, cada minuto em quadra é a validação de que o esforço para sair do Amapá valeu a pena.

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