Atletas amapaenses conquistam ouro e bronze no Pan-Americano de Kickboxing
A dupla que superou falta de patrocínio, venceu oito lutas e conquistau quatro medalhas no Pan-Americano de Kickboxing, no Paraná

Os atletas amapaenses Iarly Castilho e Welliston Garcia escreveram um capítulo histórico para o esporte do Amapá ao conquistarem duas medalhas de ouro e duas de bronze no Campeonato Pan-Americano de Kickboxing, realizado em Foz do Iguaçu (PR), entre os dias 25 e 28 de março. Representando a seleção brasileira nas categorias de base e adulto até 69 kg, a dupla superou adversários de potências continentais e dificuldades financeiras para dominar os tatames nas modalidades light contact e kick light. O resultado consagra um trabalho de longo prazo liderado pelo treinador Willen Castilho e coloca o estado no topo do pódio internacional, provando que o talento regional rompe as barreiras geográficas e a falta de incentivo.

A jornada até o topo do pódio paranaense não foi trilhada apenas com técnica e vigor físico, mas com a resiliência típica de quem precisa vencer fora do ringue antes mesmo do primeiro gongo soar. Para Welliston Garcia, a medalha de ouro no peito tem o peso de meses de incertezas. Em um relato emocionante nas redes sociais, o lutador revelou os bastidores de sua preparação. Foram meses de treinos intensos iniciados ainda em janeiro, mas o verdadeiro combate aconteceu na busca por recursos: para custear a viagem de um extremo ao outro do país, o atleta recorreu à venda de rifas, camisetas e investiu todo o seu salário no sonho de representar o Brasil.

“Atravessei o país, vendi rifa,
camisa e investi meu salário
inteiro nesse campeonato.
Foram meses de treino até
voltar como campeão.”
A competição em Foz do Iguaçu não foi um desafio simples. O Pan-Americano reuniu a elite do kickboxing das Américas, com representantes de países como Estados Unidos, República Dominicana, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Venezuela e Peru. No total, os dois amapaenses encararam uma maratona de oito lutas de altíssimo nível. Nas cinco disputas em que garantiram o lugar mais alto do pódio, demonstraram uma superioridade tática que impressionou os árbitros e o público presente. Já nos confrontos que renderam os dois bronzes, a garra foi o diferencial para garantir que nenhum deles voltasse para casa sem uma condecoração adicional.

Iarly Castilho, que já ostentava um currículo invejável com títulos da Copa Brasil, Norte-Nordeste e Sul-Americano, além do vice-campeonato brasileiro, confirmou seu favoritismo. Sua experiência internacional foi fundamental para manter o foco em uma competição de tiro curto, onde qualquer erro estratégico pode significar a eliminação. Welliston, atual campeão Norte-Nordeste, mostrou que sua ascensão técnica é vertiginosa, adaptando-se rapidamente ao clima e à pressão de um torneio deste porte.
A jornada foi marcada pela
luta fora dos tatames: sem
patrocínio fixo, os atletas
venceram a falta de verbas
antes de conquistarem o ouro.

Por trás dos golpes precisos e da guarda impenetrável, a figura de Willen Castilho foi determinante. Integrando a delegação brasileira como técnico oficial, Willen não apenas orientou seus pupilos nos segundos de intervalo entre os rounds, mas foi o arquiteto da preparação física e psicológica que permitiu aos jovens suportar o desgaste de múltiplas lutas em modalidades diferentes no mesmo evento. O papel do treinador destaca a força das escolas de artes marciais do Amapá, que, mesmo com menos infraestrutura que os grandes centros do Sudeste, conseguem formar atletas de nível mundial.

O sucesso da dupla em Foz do Iguaçu também levanta um debate necessário sobre o apoio ao esporte de alto rendimento no extremo norte do Brasil. A história de superação de Welliston, que precisou “vender o almoço para comprar o jantar” para competir, é um retrato comum entre atletas de elite da região. No entanto, o retorno com quatro medalhas na bagagem serve como um argumento irrefutável sobre o potencial de retorno social e esportivo que esses jovens oferecem ao estado e ao país.
Mesmo estreantes no Pan,
a dupla encarou oito lutas
contra potências mundiais,
como os EUA, provando a
força do kickboxing nortista.

Ao retornar para Macapá, os campeões trazem mais do que metal e fitas coloridas. Eles trazem a prova de que o kickboxing amapaense possui uma linhagem de vencedores. “Atravessei o país e hoje volto para casa como campeão”, celebrou Welliston, resumindo o sentimento de dever cumprido. O desempenho memorável no Pan-Americano projeta agora novos horizontes para a dupla, que passa a ser visada para competições em outros continentes. Para o esporte do Amapá, o ouro de Iarly e Welliston é a confirmação de que, quando a técnica se une à determinação inabalável, não há distância geográfica ou barreira financeira capaz de segurar o ímpeto de quem nasceu para ser campeão.




