Proposta da FAF pretende inflar Série A amapaense e renovar as esperanças do torcedor
Com apoio da CBF nos bastidores, nova engenharia do Amapazão prevê reformulação com queda dupla e transição histórica em 2027 para resgatar a dignidade e emoção do esporte local

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
24/07/2026 | 10h11
A Federação Amapaense de Futebol (FAF) colocou na mesa das reuniões com dirigentes de clubes, em Macapá, uma proposta audaciosa para revolucionar o Campeonato Amapaense e expandir a Série A de oito para dez integrantes até 2028, impulsionando a competitividade no estado por meio de uma transição épica na temporada de 2027, quando quatro equipes garantirão o sonhado acesso vindas da Série B. A cartada da entidade máxima do esporte local visa tirar do marasmo o futebol nortista, chacoalhar os bastidores e dar abrigo a novos mantos tradicionais que há anos comem poeira no porão da segunda divisão.


O desenho tático dessa engrenagem começa a ser desenhado no gramado já a partir da próxima temporada. Pelo projeto apresentado, a elite de 2027 manterá o sarrafo alto e a disputa ferrenha com as oito agremiações atuais. Contudo, ao apito final do certame, o fantasma da degola vai assombrar de forma cruel: os dois piores colocados na tabela de classificação amargarão o descenso direto para a Segundona. Em contrapartida, no andar de baixo, a porta do céu estará escancarada. Quatro valentes clubes da Série B darão o salto da fé e carimbarão o passaporte para o Olimpo do futebol amapaense. É o tipo de virada de mesa programada que faz o peito do torcedor raiz bater em ritmo de bateria de escola de samba, enchendo os olhos de quem vive de amor pela camisa nas arquibancadas minguadas do Zerão.


Com essa engenharia de acesso e rebaixamento, a temporada de 2028 finalmente atingirá o divisor de águas: dez clubes na elite e outros dez batalhando firme no purgatório do acesso. Passada a turbulência dessa transição visceral, a ordem na casa será restabelecida em um fluxo contínuo. A regra passará a ser matemática e sem choro: dois sobem da Série B e dois caem da Série A por ano. É a consolidação de uma vitrine mais robusta, um prato cheio para quem gosta do futebol jogado no sangue, na raça e na poeira, sem espaço para moleza ou corpo mole.

A reunião que selou as bases desse plano contou com o peso-pesado de Júlio Avellar, diretor de competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O homem do calendário nacional pousou em solo amapaense para expor a teia de datas do futebol brasileiro e debater com os cartolas locais os gargalos da organização dos estaduais. A presença da cúpula da CBF deu o tom de gravidade que o momento exige: não se trata apenas de mudar números numa tabela, mas de resgatar a dignidade dos clubes que sobrevivem no sufoco, sem calendário cheio e com a folha de pagamento pendurada no milagre.

Caso seja ratificada no papel, essa ampliação quebrará um jejum histórico de mudanças no formato da principal competição do estado, estagnada há anos sob a mesma fórmula gasta. Mais do que ajustar regulamento, a FAF acende um estopim de pura emoção. Para os times de bairro, para as comunidades do interior e para aqueles atletas que dividem a chuteira com a rotina pesada de trabalho, a chance de pisar nos grandes palcos amapaenses deixa de ser miragem. A bola agora tem dono, a disputa ganha contornos de drama e o futebol do Amapá prepara-se para viver dias de casa cheia, garganta rouca e coração na ponta da chuteira.




