CNI alerta para distorções no sistema caso mais isenções sejam incluídas na reforma tributária

Especialistas alertam para os lobbies empresariais que começaram no Congresso Nacional pela inclusão de seus produtos na lista de exceções à alíquota do novo IVA. Quando maior o número de itens, maior será a alíquota média
A provável inclusão de mais itens nas listas de isenção e benefícios da reforma tributária acendeu um alerta para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Grupo de Trabalho na Câmara sobre a regulamentação do novo sistema tributário já sinalizou que irá incluir proteínas animais na Cesta Básica Nacional.
A reforma tributária têm duas listas de itens alimentícios que terão isenção de impostos – no caso da Cesta Básica – ou alíquota reduzidas. Nessa segunda lista, há a possibilidade de inclusão de itens ultraprocessados também, como já indicou o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), integrante do grupo de trabalho da Câmara para a regulamentação.
Para a CNI, aumentar o número de itens que terão uma alíquota reduzida ou isenção de impostos é ruim para todo o futuro sistema tributário. Isso porque, ao aumentar a listas de exceções, a alíquota geral de impostos também aumentará, impactando todos os outros itens de serviço e consumo.
“É preciso ver o tamanho dessa inclusão, porque o impacto pode ser muito grande, dependendo do que for incluído. E todos vão pagar”, disse o economista da CNI, Mário Sérgio Telles, em entrevista ao Congresso em Foco. “E isso inclui os mais pobres, porque eles também compram e utilizam serviços que terão a alíquota geral”.
A alíquota padrão para a tributação de comércio e serviços será de 26,5%, segundo a proposta enviada pelo governo. O percentual não considera alterações no projeto de regulamentação enviado pelo governo Lula ao Congresso. Apesar de o texto original do governo deixar as carnes e outras proteínas animais fora da Cesta Básica, dando somente 60% de desconto de impostos para os itens, o próprio presidente pediu para a questão ser revista.
A ideia é incluir as carnes mais utilizadas pelas famílias mais pobres na Cesta Básica. Os deputados devem chegar a um acordo ainda sobre quais seriam essas proteínas animais. Fazer isso, no entanto, deve aumentar a alíquota padrão. Telles defende que, com isso, outros itens essenciais podem ter um imposto maior do que os 26,5% previstos inicialmente.

“Tem coisas fundamentais além de alimento”, diz o economista. “Além de comer, as pessoas têm que comprar roupas, sapatos, geladeira para guardar os alimentos, fogão para preparar os alimentos. E tudo isso, que também é importante para a população de baixa renda, paga a alíquota geral”.





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