Brasil termina em último no ranking de competitividade industrial, mostrando desafios do setor
Os três aspectos que mais pesaram negativamente no resultado foram Ambiente Econômico; Desenvolvimento Humano e Trabalho; e Educação. Em todos eles, o Brasil ocupou o último lugar no ranking

Impactado negativamente por fatores como ambiente econômico e educação, o Brasil ficou em último lugar no mais recente ranking de competitividade industrial elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo comparou o Brasil com outros 17 países, considerando oito fatores que influenciam o desempenho das empresas. Os três aspectos que mais pesaram no resultado foram Ambiente Econômico, Desenvolvimento Humano e Trabalho, e Educação, onde o Brasil ocupou a última posição em todos. O alto custo de financiamento e a taxa Selic, que está em 14,25% ao ano, são alguns dos problemas nesse contexto.

O governo atual lançou uma política industrial, a Nova Indústria Brasil (NIB), que inclui uma vertente de crédito liderada pelo BNDES. No entanto, será necessário mais tempo para avaliar seus efeitos. Fabrício Silveira, da CNI, considera a NIB um “avanço considerável” e ressalta que políticas de incentivo à transformação técnica e formação de trabalhadores levam de cinco a dez anos para serem avaliadas. Ele defende que o plano se torne uma política de Estado permanente.

O ambiente tributário também contribuiu para a queda do Brasil no ranking de Ambiente Econômico, mas a CNI acredita que a reforma tributária trará avanços significativos, embora tenha cautela com regulamentações que possam elevar a alíquota média do novo imposto sobre o consumo. O estudo revela que o Brasil não figurou na primeira metade em nenhum dos macroindicadores. No entanto, o País se saiu melhor em Baixo Carbono e Recursos Naturais, ocupando a 12ª posição, destacando-se na descarbonização, onde ficou em 2º lugar.

Desde 2010, a CNI publica esse ranking, e neste ano houve alterações metodológicas, considerando países com produção semelhante à do Brasil. As comparações incluíram Coreia do Sul, Países Baixos, Canadá, entre outros. Silveira observa que, apesar da má performance do Brasil, os resultados mostram a “resiliência” da indústria brasileira.

No fator Desenvolvimento Humano e Trabalho, o Brasil ficou novamente em último lugar, com a Coreia do Sul liderando. Relações de trabalho, saúde e segurança, e diversidade, equidade e inclusão foram subfatores analisados. Também no sub-ranking Educação, o Brasil enfrenta problemas como baixa adesão ao ensino técnico, afetando o mercado de trabalho e o desenvolvimento sustentável.
Em cinco indicadores, o Brasil ficou abaixo da média, ocupando a 14ª posição em Comércio e Integração Internacional e a 15ª em infraestrutura. O Brasil também manteve a mesma posição em Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Tecnologia, mas se destacou na ciência, tecnologia e inovação, apresentando boas posições em pesquisa e desenvolvimento.

