Macapá (AP) — Sexta-feira, 06 de março de 2026
Clássico Re-Pa é confirmado para os dias 1º e 8 de março no Estádio Mangueirão
Para além das quatro linhas, o confronto movimenta a economia local e consolida a hegemonia do futebol paraense na região Norte

O coração da Amazônia volta a pulsar em ritmo de Re-Pa. Em um roteiro que parece saído das páginas mais tradicionais do futebol brasileiro, Remo e Paysandu estão prontos para paralisar o Pará e decidir, mais uma vez, quem manda no estado. O Estádio Mangueirão, palco histórico de tantas batalhas, foi confirmado pela Federação Paraense de Futebol (FPF) como o cenário dos dois episódios finais desta saga, agendados para os dias 1º e 8 de março. Ambas as partidas ocorrerão aos domingos, às 17h, no horário nobre do torcedor paraense, prometendo arquibancadas lotadas e o clima de tensão que só o maior clássico da região consegue proporcionar.

A decisão de 2026 carrega um peso histórico que transcende a simples entrega de uma taça. No lado bicolor da cidade, o Paysandu entra em campo com a chance de cravar uma marca mística: o 51º título estadual. Atual detentor de 50 troféus, o Papão da Curuzu busca consolidar uma hegemonia que já dura décadas, tentando distanciar-se ainda mais no topo do ranking de conquistas. Para o time comandado pela estratégia cautelosa, mas eficiente, demonstrada na semifinal, o título é a validação de um projeto de manutenção de poder. A classificação veio com a assinatura de Ítalo Carvalho, que garantiu o 1 a 0 sobre o Castanhal sob o calor da Curuzu, selando o passaporte bicolor para a final sem grandes sustos, mas com a precisão necessária de quem sabe decidir.

Do outro lado, o Clube do Remo vive um momento de euforia e superação. O Leão Azul busca o bicampeonato para atingir sua 49ª conquista, encurtando a distância para o maior rival. O caminho azulino até a final, no entanto, foi pavimentado com doses cavalares de drama. No Parque do Bacurau, em Cametá, o time viu o abismo de perto ao ficar dois gols atrás no placar. Mas, em uma daquelas reações que alimentam a mística do “Filho da Glória e do Triunfo”, Carlinhos, João Pedro e Patrick de Paula comandaram uma virada heroica para 3 a 2. O resultado não apenas garantiu a vaga, como injetou uma confiança renovada no elenco, provando que o Remo tem poder de reação mesmo nos cenários mais adversos.

A preparação para o primeiro jogo da final, contudo, apresenta realidades contrastantes para as duas comissões técnicas. O Paysandu desfruta do luxo do tempo. Sem compromissos oficiais durante a semana, o técnico bicolor terá sete dias de portões fechados e treinos intensos para ajustar o posicionamento defensivo e estudar as brechas do rival. A agenda divulgada pelo clube foca na recuperação física e em simulações táticas, permitindo que os jogadores cheguem ao Mangueirão no dia 1º de março com “tanque cheio”. É o cenário ideal para quem quer impor um ritmo físico forte desde o primeiro minuto do clássico.

O Mangueirão, reformado e moderno, será o fiel da balança. O estádio, que já viu ídolos como Quarentinha e Alcino, agora se prepara para novas lendas. A rivalidade, que divide famílias e amigos em Belém, ganha contornos de decisão estadual em um momento onde o futebol paraense tenta se reafirmar no cenário nacional. Mais do que a técnica, o que estará em jogo nos próximos domingos é o brio. O Paysandu quer a glória do número 51; o Remo quer provar que a virada em Cametá foi o início de uma nova era de domínio. No fim das contas, entre o azul-marinho e o azul-celeste, o único vencedor garantido é o espetáculo nas arquibancadas, onde o grito de “campeão” ecoará como o som mais forte da floresta.




