ESPORTES

Fora contra o Haiti por lesão, Neymar é questionado por portal americano sobre sua importância

Ausência do craque na Filadélfia abre debate sobre a real necessidade de sua presença para o hexacampeonato, desafiando o técnico Carlo Ancelotti a estruturar um modelo coletivo eficiente

Em meio a cobranças por resultados e evolução tática na Copa, atacante faz exercícios específicos sob supervisão médica, permanecendo como dúvida técnica para as próximas etapas da competição mundial — Foto: Rafael Ribeiro/CBF

DA REDAÇÃO
Macapá, AP
19/06/2026 | 12h11


Enquanto astros mundiais como Lionel Messi, Kylian Mbappé, Harry Kane e Erling Haaland confirmaram o status de protagonistas logo na estreia da Copa do Mundo, o camisa 10 Neymar desfalca a Seleção Brasileira masculina contra o Haiti nesta sexta-feira (19), na Filadélfia (EUA), pela segunda rodada do Grupo C, devido a uma lesão na panturrilha que o impediu de viajar com a delegação e acendeu um debate internacional sobre a sua real utilidade para o time de Carlo Ancelotti no torneio.


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A ausência do principal astro brasileiro em um momento de extrema pressão — após o frustrante empate por 1 a 1 contra o Marrocos na primeira rodada — transformou o departamento médico em um foco de discussões táticas e filosóficas sobre os rumos do futebol do país. O portal americano The Athletic vocalizou publicamente esse questionamento, colocando em xeque se a dependência técnica e emocional da equipe em relação ao atacante ainda se justifica ou se o Brasil precisa, de uma vez por todas, aprender a caminhar sem a sua principal referência dos últimos anos para voltar a erguer uma taça mundial.

O contraste entre a eficácia dos grandes nomes europeus e sul-americanos e a situação física do brasileiro aumentou o tom das críticas. Enquanto os rivais diretos pelo topo do futebol global iniciaram a competição ditando o ritmo de suas equipes dentro de campo, Neymar permaneceu em tratamento intensivo, isolado dos companheiros que se preparam para o confronto decisivo em solo americano. A decisão da comissão técnica de nem sequer levar o jogador para acompanhar o grupo na Filadélfia alimentou especulações sobre a gravidade da contusão e o impacto de seu distanciamento no ambiente do vestiário.

Nos bastidores, a ausência do jogador divide opiniões entre analistas e torcedores, mas o técnico Carlo Ancelotti tenta blindar o elenco e minimizar o peso do desfalque. O treinador italiano foca na construção de um modelo coletivo que não dependa exclusivamente de individualidades para resolver as partidas, embora reconheça o peso do camisa 10. “Não começamos como a gente esperava, mas é só o começo. Vamos buscar o equilíbrio para agredirmos mais nosso adversário”, ponderou o comandante em sua última entrevista, indicando que o foco total está em ajustar o posicionamento e o volume de jogo dos atletas que estão disponíveis para atuar.

Sem Neymar, a responsabilidade de liderar o setor ofensivo recai sobre jovens que já brilham no futebol europeu, como Vinicius Jr. e Raphinha, desafiados a provar que a Seleção Brasileira possui repertório e peças de reposição à altura para assumir o protagonismo. A provável escalação para enfrentar o Haiti deve contar com Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães (ou Léo Pereira) e Douglas Santos; Casemiro (ou Fabinho) e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Raphinha, Igor Thiago (ou Matheus Cunha) e Vinicius Jr. A formação busca dar maior agressividade e velocidade ao ataque, características que faltaram na estreia diante dos marroquinos.

Do lado do Haiti, o técnico Sebastião Migné sabe que a instabilidade do Brasil e a ausência de sua maior estrela criam um cenário psicológico que pode ser explorado por sua equipe. Embora reconheça a enorme distância técnica entre os dois elencos, o comandante haitiano prega uma postura corajosa para tentar arrancar pontos do favorito. “Nós temos que ter ousadia, mas logicamente sem abrirmos mão da nossa eficiência tática”, afirmou Migné, indicando que o Haiti, liderado pelo atacante Wilson Izidor, tentará fechar os espaços e usar os contra-ataques para surpreender a defesa brasileira.

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Historicamente, o Brasil carrega ampla vantagem no confronto, acumulando três goleadas expressivas nos únicos três jogos disputados contra os caribenhos na história. O retrospecto aponta 17 gols marcados pela equipe canarinho e apenas um sofrido, com destaque para o 7 a 1 aplicado na Copa América Centenário de 2016, também nos Estados Unidos. O desafio atual, contudo, vai além das estatísticas e passa por uma afirmação de identidade futebolística em meio às cobranças externas sobre o papel de Neymar no atual ciclo da Seleção.

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