ESPORTES

Torcedores denunciam cobertura tendenciosa da TV Globo na grande final entre Flamengo e PSG

Mesmo participando de uma competição internacional promovida pela FIFA, o clube carioca teve cobertura esportiva pífia

Embate jurídico entre Flamengo e Globo tem direitos de transmissão de jogos como pano de fundo — Imagem: IA


A grande final da Copa Intercontinental de Clubes da FIFA, realizada na quarta-feira, 17 de dezembro, colocou o Flamengo diante do Paris Saint-Germain (PSG) em um confronto de alta relevância para o futebol brasileiro e mundial. O Rubro-Negro Carioca, que garantiu sua vaga após vencer o egípcio Pyramids por 2 a 0 na semana anterior, chegava à decisão internacional buscando consolidar o excelente momento vivido em 2025.

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Contudo, a cobertura da Rede Globo de Televisão para o evento gerou questionamentos e debates. Detentora dos direitos de transmissão exclusiva da competição no país, a emissora dos Marinho parece ter relegado o confronto decisivo do clube carioca a um segundo plano em sua grade e nos espaços dedicados ao esporte.

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Esta percepção de preterição se tornou ainda mais evidente para muitos espectadores quando comparada ao tratamento dado a outros eventos esportivos, como a final da Copa do Brasil, que dividia as atenções.
Observadores notaram um tom incomum na abordagem da cobertura, que vinha se desenhando desde a vitória do Flamengo nas semifinais. A postura da direção de esportes da Globo, segundo análises, sugeriu uma insatisfação velada com os recentes e notáveis êxitos do time da Gávea na temporada de 2025.

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Esse sentimento teria se acentuado desde a final do Campeonato Brasileiro deste ano, onde o Flamengo sagrou-se campeão, superando o Palmeiras. A forma como a emissora cobriu aquela disputa nacional já havia levantado suspeitas de que o clube paulista seria o preferido da casa, e a linha editorial adotada para a cobertura da Copa Intercontinental apenas reforçou essa impressão de que o sucesso flamenguista não estava sendo celebrado com o entusiasmo que sua importância mereceria na principal rede de televisão do país.

TV Globo não engoliu o Flamengo ter contestado a distribuição de direitos de transmissão da TV no valor de R$ 77,1 milhões

O conflito entre o Flamengo e a Libra, bloco de clubes do qual é fundador, em relação aos acordos de repasse dos direitos de transmissão de TV, culminou em uma disputa judicial que envolveu a Globo e a segunda parcela do pagamento do Brasileirão 2024, no valor de R$ 77,1 milhões. A raiz do problema reside na forma de distribuição dos valores, particularmente nos 30% que variam conforme a audiência das partidas. O contrato atual com a Globo, válido até 2029, prevê a divisão da seguinte forma: 40% distribuídos igualmente entre os clubes, 30% conforme a performance (posição final na tabela) e os 30% restantes pela audiência.

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O Flamengo, que em contratos anteriores tinha verbas garantidas relacionadas ao pay-per-view e alega estar exposto a uma fórmula que considera prejudicial, buscando reverter um prejuízo anual que estima ser superior a R$ 100 milhões, questiona a validade da assembleia da Libra que aprovou o critério de distribuição da cota de audiência. O clube argumenta que o estatuto da Libra exigiria unanimidade para decisões sobre distribuição de dinheiro, e a forma de detalhamento dos percentuais de audiência não teria sido aprovada de maneira completa e unânime. A proposta do Flamengo dentro da Libra, que visava atrelar essa fatia da audiência à quantidade de cadastros no pay-per-view, foi rejeitada pelos demais clubes, obtendo apenas o apoio do Volta Redonda.
Com a recusa em aceitar o cenário de distribuição proposto pela Libra, o clube carioca recorreu à Justiça e conseguiu uma liminar que impedia a Globo de repassar os R$ 77,1 milhões aos demais clubes da Libra. Esta ação gerou forte reação e críticas dos outros times, como Red Bull Bragantino, Bahia e Atlético Mineiro, que se manifestaram publicamente, cobrando o cumprimento dos compromissos e lamentando a paralisação dos repasses, que gerou atraso em seus cronogramas financeiros. O São Paulo, por exemplo, teria deixado de receber cerca de R$ 13 milhões.


A Libra, por sua vez, preparou-se para recorrer da decisão judicial. O impasse permaneceu por um período, com o dinheiro bloqueado, até que a Justiça derrubou a liminar, determinando a liberação da maior parte do dinheiro para os clubes. A magistrada justificou a decisão alegando que o contrato de quatro anos com a Rede Globo, atuando como garantidora, afastava a necessidade de manter o bloqueio integral.
Com a queda da liminar, a questão de fundo sobre o critério de divisão da verba de audiência deve ser resolvida por meio de uma corte arbitral. O Flamengo defende que buscou uma solução amigável e que a inação e intransigência dos demais clubes o forçaram a buscar a via judicial para proteger seus interesses financeiros. O núcleo da controvérsia é a interpretação do Estatuto da Libra e a definição exata dos percentuais de audiência dentro dos 30% da receita de transmissão.

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