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Atleta brasileira enfrenta pressão para se calar após denunciar assédio nos Jogos Olímpicos

Nadadora Ana Carolina Vieira foi desligada da delegação brasileira por ato de indisciplina, segundo o COB — Reprodução/Redes Sociais

Nadadora se pronunciou nas redes pela primeira vez desde que foi cortada das competições pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB)

Dona de quase 150 medalhas de ouro em sua carreira, a nadadora Ana Carolina Vieira foi expulsa pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) após cometer um ato de indisciplina durante a realização dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. A situação aconteceu na sexta-feira (26), dia da cerimônia de abertura do evento.
Ana Carolina saiu da Vila Olímpica sem autorização ao lado do namorado Gabriel Santos, que também integra o time de natação do Brasil. Além disso, a atleta contestou de forma agressiva mudanças feitas no revezamento da prova 4×100 metros livre, realizados na manhã de sábado (27). As ações foram determinantes para seu desligamento da equipe.

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Essa era a segunda Olimpíada da atleta de 22 anos, que é natural da cidade de São Paulo e atleta do Esporte Clube Pinheiros, uma das equipes mais tradicionais nos esportes olímpicos do país. Em Tóquio, em 2021, ela também participou do revezamento 4x100m livre feminino. Naquela ocasião, o Brasil ficou em 12º e não conseguiu vaga para as finais da categoria.

No ciclo olímpico, apresentou boas marcas e uma evolução nas piscinas. Conquistou títulos nos 100 metros livre em provas como o Campeonato Brasileiro de Natação, tanto em 2023 quanto em 2024. Em Paris, Ana Vieira também disputaria o revezamento 4x100m medley feminino.
Atleta desde a infância, teve influência dos pais quando morava em Ubatuba, litoral paulista. Iniciou competindo no mar, em provas de águas abertas e chamou atenção de Marcos Iacopi, especialista em provas de águas abertas. Quando se mudou para a capital fez a transição para as piscinas de raia e se firmou no esporte.

Pelo time de natação do Corinthians, se destacou em provas da categoria infantil e juvenil e, em 2017, foi um dos destaques da natação feminina no Troféu Brasil.
Em 2018, foi prata no revezamento 4x100m feminino nos Jogos Olímpicos da Juventude, disputado em Buenos Aires. No total, são 147 medalhas de ouro, 97 de prata e 48 de bronze. conquistadas em sua carreira.

Nota oficial da expulsão

"O Comitê Olímpico do Brasil (COB) recebeu neste sábado, 27, um comunicado do Chefe da Equipe Brasileira de Natação, Gustavo Otsuka, com a informação de que os nadadores Ana Carolina Vieira e Gabriel Santos cometeram atos de indisciplina.
Com isso, de comum acordo com os membros da Comissão Técnica da modalidade, com o Chefe da Equipe e com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), o COB decidiu punir os dois atletas por terem deixado a Vila Olímpica sem autorização durante a noite da última sexta-feira.
Além desse fato, a atleta Ana Carolina, de forma desrespeitosa e agressiva, contestou decisão técnica tomada pela comissão da Seleção Brasileira de Natação.
Assim, o atleta Gabriel Santos foi punido com a pena de advertência e a atleta Ana Carolina Vieira, com a pena de desligamento da delegação. Ela retornará ao Brasil imediatamente"


A atleta nega qualquer ato de indisciplina e relata se sentir desamparada após um caso de assédio na seleção brasileira de natação. “Tinha uma moça me acompanhando o tempo todo. Pedi para deixar eu falar com um psiquiatra, não deixaram. Não pude nem pegar água. Mas, graças a Deus, depois consegui falar com ele (psiquiatra) e é isso”, disse em um vídeo nas redes sociais.
Ana Carolina ainda relatou ter deixado todos os seus pertences na Vila Olímpica e se encontra atualmente em Portugal, com previsão de retornar ao Brasil com escala em Recife. A nadadora afirma não conseguir entrar em contato com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde que foi expulsa das Olimpíadas.
Em suas redes sociais, ela afirmou ter formalizado uma denúncia ao COB, mas não obteve nenhuma resposta ou providência. "Eu fiz uma denúncia e nada foi resolvido. Denúncia de assédio, dentro da seleção", revelou a atleta, que ainda não detalhou o tipo de assédio sofrido ou quando ocorreu, mas assegurou que irá divulgar todas as informações com o auxílio de um advogado.

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