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Criação da liga de clubes do futebol brasileiro vive impasse por conta de interesses divergentes entre as agremiações

Fotos: Martin Fernandez
Representantes de clubes das Séries A e B reunidos no Rio de Janeiro conversam sobre a divisão de receitas de transmissão que consideram ideal para adesão a uma liga que organize o Campeonato Brasileiro

A liga não é possível porque não existe até agora uma união das 40 equipes que compõem as Séries A e B do Brasileiro

A Libra (Liga de Futebol Brasileiro) viu três dos seus integrantes recusarem a proposta da Mubadala, fundo de investimento ligado à monarquia dos Emirados Árabes.
O investidor já mudou três vezes a proposta para tentar a adesão por escrito dos times. A LFF (Liga Forte Futebol) conta com a proposta financeira da norte-americana Serenegeti e tem mais equipes associadas, mas estas não as de maior torcida no país.
Para ter todas, a Mudabala começou oferecendo R$ 4,75 bilhões para comprar 20% de participação da liga. No momento, a proposta passou para R$ 2,35 bilhões por 12,5%.

A Serengeti daria R$ 4,85 bilhões pelos 20%. A partir da assinatura dos documentos finais, neste mês, deverá acontecer um adiantamento de R$ 370 milhões.
Mas ninguém possui os 40 ou têm a perspectiva concreta de tê-los. Se a situação atual persistir, existirão apenas blocos de negociação de direitos de transmissão e a realização do campeonato pode continuar com a CBF, que já avisou abrir mão desse direito em favor da liga.

Vasco, Cruzeiro e Botafogo se recusaram a assinar a proposta da Mubadala e, nas discussões dentro da Libra, deixaram claro o descontentamento com a maneira como as negociações têm sido conduzidas. Eles têm restrições à divisão do dinheiro, especialmente no reservado a Corinthians e Flamengo. Embora concordem, a princípio, que os dois clubes de maior torcida devam receber mais, querem discutir os percentuais.

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Também se incomodam com aspectos de governança da liga, como reuniões convocadas em cima da hora, tentativa de fechar acordos rapidamente e a antiga reclamação de que qualquer mudança no estatuto da Libra precisa ser aprovada por unanimidade.

No começo de junho, a Libra aprovou a cláusula de estabilidade. Isso significa que caso as receitas arrecadadas em 2025 sejam iguais ou menores a de 2023 (cerca de R$ 2 bilhões), a divisão dos valores seja igual à atual para todos. Antes, ela atendia apenas a Corinthians e Flamengo.

Vasco, Botafogo e Cruzeiro também entendem que podem negociar seus direitos de transmissão de forma independente e que isso, se não acontecerem mudanças que considerem necessárias, pode ser melhor do que estar aliado à Libra ou Forte Futebol. Os três clubes são sociedades anônimas.

Sérgio Coelho e Mário Bittencourt, presidentes do Galo e do Fluminense, durante reunião no Rio

Para tentar atrair equipes da LFF, a Mubadala tem argumentado que a garantia mínima não é algo tão importante assim e que o fundamental mesmo é criar a liga. Para as agremiações da Forte Futebol, trata-se de uma variação de argumento já usado na criação da Libra, de que todos deveriam aderir, assinar o estatuto e o resto se discutiria depois.
A minuta inicial da Libra não previa nem como seria dividido o dinheiro, queixou-se Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.
As três agremiações também estão descontentes com os valores negociados com intermediários da negociação.

Para cartolas da LFF, a Mubadala vendeu a imagem de que a liga do Brasil seria algo tão grande que renderia muito dinheiro a todos os clubes e que por isso, ela teria de sair do papel de qualquer forma. A reação dos dirigentes reticentes a isso é que se trata de um acordo válido por 50 anos, não cinco, como são os contratos atuais de televisionamento com o Grupo Globo. É preciso cuidado para assiná-lo.

Mesmo clubes de grande torcida e que estão no Mubadala mostram descontentamento com a condução das negociações. Leila Pereira, presidente do Palmeiras, é uma das mais enfáticas nas críticas ao comportamento, principalmente do Flamengo, nas negociações. Ela já disse que “se for assim”, é melhor deixar o campeonato com a CBF, como é hoje em dia.

Há também a visão, na LFF, que a Mubadala e alguns presidentes de times da Libra pressionam por acordo especialmente em clubes que vivem situação financeira difícil, como Santos e Grêmio. Para quem assinar a proposta, o fundo de investimento árabe prometeu pagar R$ 3 milhões até o segundo semestre de 2023.

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