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Conta de luz mais cara deve pesar no orçamento com possível risco de bandeira vermelha

Falta de chuva já levou ao acionamento da bandeira amarela na conta de luz. E há risco de bandeira vermelha adiante — Foto: André Coelho/EFE

As classificações por cores variam conforme o custo do sistema para substituir a energia hidrelétrica, com o aumento da geração térmica, que é mais cara

Depois de 26 meses de bandeira verde, sem cobrança extra na conta de luz, este mês de julho foi de bandeira amarela, já com adicional tarifário. Para os próximos meses, especialistas acreditam que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tende a manter o adicional ou mesmo elevá-lo, passando para a bandeira vermelha. A expectativa é de que a Aneel anuncie nesta sexta-feira (26) a bandeira válida para o mês de agosto.
A cobrança extra se deve ao volume de água abaixo do ideal nos reservatórios das hidrelétricas e à expectativa de que não haja grande melhora até o fim do ano. A previsão de chuvas até dezembro é abaixo da média histórica – em torno de 50%, segundo a Aneel. Essas usinas costumam responder 70% da geração de energia no país.

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A bandeira amarela, em vigor atualmente, determina um acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos. Com isso, uma conta de luz de R$ 100 passa para R$ 102,60. A bandeira vermelha se divide em patamar 1, cujo valor extra é de R$ 4,46 a cada 100 kWh, e patamar 2, com adicional de R$ 7,88.


Por que a conta de luz está mais cara?

As regiões que concentram a geração hidrelétrica no país enfrentam predominância de estiagem desde o fim do ano passado. As chuvas de outubro a abril não foram suficientes para encher os reservatórios. Além disso, as temperaturas do inverno têm sido maiores que o habitual.
Reportagem publicada em março pela Gazeta do Povo já indicava essa possibilidade. Na época, as chuvas abaixo da média histórica e perspectiva de escassez à frente levaram o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o governo a adotar algumas medidas para poupar os reservatórios de hidrelétricas.
Sem chuvas, os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos, o que demanda o uso das termoelétricas – movidas a carvão, gás e outros derivados do petróleo. Quanto mais elas são acionadas para poupar os reservatórios, maior é o custo repassado às tarifas.

Os problemas da conta de luz vão além da escassez de chuvas e do acionamento de bandeiras tarifárias. Um deles é que o governo ainda não trouxe solução para reduzir os subsídios que encarecem a conta de luz. Esses “penduricalhos” sustentam a geração de energia por combustíveis fósseis em sistemas isolados e também bancam incentivos concedidos a energias renováveis e à geração distribuída.


Desde o início do ano até hoje, os subsídios “pendurados” na conta de luz – e, portanto, bancados pela maioria dos consumidores – beiram os R$ 20 bilhões, segundo o Subsidiômetro, uma ferramenta da Aneel. O montante corresponde a 13,43% da conta de luz das residências, segundo a agência reguladora. Quem mais recebe subsídios é a “fonte incentivada”, que engloba usinas eólicas, solares e térmicas a biomassa, entre outras energias renováveis.
Numa tentativa de evitar a escalada tarifária, o presidente Lula e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinaram em abril a medida provisória 1.212, que prevê a antecipação de recursos da Eletrobras para baixar a conta de luz em 3,5% a 5%.
Mas a MP deixou uma série de questões em aberto, além de abrir caminho para um “efeito rebote” que tende a provocar aumentos maiores nos próximos anos. Em paralelo, a medida estendeu o prazo para que usinas de geração de energia renovável recebam subsídios – ou seja, contratou mais despesas a serem pagas pelo consumidor no futuro.

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