Autoridades investigam esquema criminoso de máfia turca montado no Amazonas para traficar jovens indígenas
Foto: Reprodução/Youtube

Caso foi debatido pela Comissão de Relações Exteriores; deputado cobrou ações de combate ao tráfico de pessoas
A emigração de crianças e adolescentes indígenas do Amazonas para a Turquia chamou a atenção da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, que debateu o tema em audiência pública na quarta-feira, 10. O caso está sob investigação da PF.
Autor do pedido para a realização da audiência, o deputado Alfredo Gaspar (Uinião-AL), do União de Alagoas, disse que o interesse pelo caso veio após reportagem do jornalista Thalys Alcântara, do site Metrópoles.

Thalys detalhou aos deputados a apuração e a produção da notícia. Segundo ele, a Associação Humanitária Solidária do Amazonas foi criada em 2019 pelo turco Abdulhakim Tokdemir, que leva crianças e adolescentes indígenas do município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, para a capital, Manaus, com o objetivo de apresentar a cultura e a religião islâmicas.
São Gabriel da Cachoeira é a maior cidade indígena do Brasil, com mais de 95% da população composta por povos originários. “Esse grupo chega em São Gabriel da Cachoeira através de terceiros. Eles têm contatos com alguns indígenas que no município eles entram em contato com outras famílias para poder levar essas crianças e adolescentes. Tudo isso com a promessa de estudo”, declarou Thalys.
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Segundo ele, esse grupo islâmico “promete que vai dar estudo para essas crianças, que essas crianças e adolescentes vão poder fazer faculdade, ter uma vida melhor e os pais aceitam de forma informal que seus filhos sejam levados por essa instituição”.
ASSISTA SESSÃO
Turco cria instituição para mascarar ações suspeitas contra indígenas
A diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai, Lúcia Alberta, alertou sobre como é feito o convencimento de pais e responsáveis para autorizar a ida de jovens indígenas pela instituição criada por Abdulhakim Tokdemir.
“O município de São Gabriel da Cachoeira é um município plurilíngue, então nós temos muitos indígenas que falam o português de uma forma assim bem precária mesmo, falam mais a sua língua nativa. E por conta disso, muitas vezes não entendem completamente essas propostas como receberam dos turcos ”, observou Lúcia Alberta.
Segundo a Funai, uma visita técnica feita em setembro de 2022 à associação revelou que os jovens indígenas recebiam uma alimentação deficitária, sem proteínas. Eles também não podiam sair da instituição fora do horário escolar e somente eram autorizados a usar o celular às sextas e aos sábados.
O deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), do Cidadania de Amazonas, alertou que o poder público precisa ter ações de combate ao tráfico humano, principalmente na região Norte.
“Há décadas, senhoras e senhores, nós enfrentamos o tráfico humano, a exploração sexual de menores de idade, não só nesse município, mas em todo o Amazonas. E as autoridades brasileiras, as entidades, as instituições têm se omitido para resolver o problema. Porque embora os integrantes desses órgãos se dediquem, nós temos apenas um juiz no município de São Gabriel da Cachoeira, três ou quatro policiais, um pelotão especial de fronteira que tem dificuldades em receber muitas vezes os seus suprimentos, por conta da dificuldade de logística e assim por diante”, resumiu Amom.

INDÍGENAS DEVOLVIDOS ÀS FAMÍLIAS A delegada da Polícia Federal no Amazonas, Letícia Prado, disse que as investigações sobre o caso envolvendo os jovens indígenas de São Gabriel da Cachoeira ainda estão em andamento. Segundo ela, seis brasileiros estão na Turquia, mas nem todos são indígenas. Letícia informou, ainda, que, em fevereiro deste ano, 14 jovens e uma criança foram retirados da Associação Humanitária Solidária do Amazonas em Manaus e devolvidos para as famílias em São Gabriel da Cachoeira. A Funai vai acompanhar o retorno dos jovens ao convívio familiar, além de desenvolver políticas públicas com outros órgãos, como os ministérios da Educação e do Esporte.
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