Vinte anos depois, comunidades locais ainda lembram da luta de Dorothy Stang pela terra e justiça
A missionária foi executada com seis tiros no dia 12 de fevereiro de 2005

O município de Anapu, no Pará, continua sendo um centro de conflitos agrários e ambientais, vinte anos após o assassinato da missionária Dorothy Stang, em 2005. Sua luta pela reforma agrária e desenvolvimento sustentável é desafiada pela grilagem, desmatamento e violência no campo. Anapu é parte de uma região de intensos conflitos de terra, onde assentamentos e Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), que Dorothy ajudou, enfrentam forte resistência de madeireiros e grandes fazendeiros.

Com a abertura da rodovia Transamazônica na década de 1970, a ocupação desordenada trouxe migrantes e grileiros, resultando em caos fundiário. A violência agrária é alarmante, com vários trabalhadores rurais assassinados desde a morte de Dorothy. Em 2018, Anapu registrou três assassinatos, incluindo o de um líder comunitário. O Pará, em comparação a outros estados, ainda é uma área com muitos conflitos fundiários.

Embora o Incra enfrente pressões para criar novos assentamentos, as dificuldades burocráticas e políticas persistem, deixando os trabalhadores vulneráveis à violência. Projetos sustentáveis enfrentam obstáculos, como falta de crédito e assistência. O conceito de PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável desenvolvido e implementado por Dorothy Stang, um modelo de exploração da Amazônia que conciliava a reforma agrária com a preservação da floresta), perdeu força, com invasões de grileiros em áreas destinadas à reforma agrária. O desmatamento aliado à grilagem continua a ameaçar a região, especialmente durante um período de enfraquecimento das políticas ambientais.
LITERATURA DA AMAZÔNIA
“TREZOITÃO – O latifúndio é implacável” é um romance político sobre jornalistas, policiais, pistoleiros, ativistas ambientais e militantes políticos na Amazônia. É ambientado em Belém (PA) e Macapá (AP).
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FICHA TÉCNICA DO E-BOOK
Autor: Emanoel Reis
Macapá – Amapá
Editora: MetaCom
Formato: 15 X 21 cm
N° de páginas: 405
E-mail: emanoelreis50@yahoo.com.br

A luta pela Amazônia e direitos dos trabalhadores do campo é constante, mas sem mudanças nas políticas públicas, a situação em Anapu permanece crítica. Vinte anos após a morte de Dorothy, a região ainda enfrenta violência, desmatamento e fragilidades institucionais, destacando a necessidade de ações eficazes e participação social para promover um desenvolvimento sustentável.
Violência agrária em Anapu: DPE revela preocupante aumento de casos
A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA), através do Núcleo das Defensorias Públicas Agroambientais, lançou um relatório sobre casos de violência por conflitos de terra em Anapu, entre 2015 e 2024.
O documento é uma continuação da atenção dada ao município, que ficou famoso pelo assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005.
A irmã, defensora dos direitos dos trabalhadores rurais, sofreu ameaças antes de sua morte. Desde 2010, o núcleo monitora esses conflitos e, em 2022, já havia reportado homicídios em Anapu.
O novo relatório inclui tentativas de homicídio, ameaças e desaparecimentos, reconhecendo 23 casos de violência no período. Ele serve como ferramenta de proteção e prevenção de novas mortes.

