Macapá (AP) — Domingo, 01 de março de 2026
Presidente dos EUA busca transparência em arquivos sobre Fenômenos Aéreos Não Identificados
Donald Trump ordenou a desclassificação de documentos sobre OVNIs, colocando o Pentágono sob os holofotes

A geopolítica do Salão Oval acaba de ganhar um novo e inusitado campo de batalha: o espaço sideral — ou, pelo menos, o que os documentos ultrassecretos dizem sobre ele. Em um movimento que mistura estratégia de transparência, picuinha política e o eterno fascínio humano pelo desconhecido, o presidente Donald Trump anunciou na quinta-feira (19) uma diretriz que parece saída diretamente de um roteiro de ficção científica. Ele instruiu o Secretário da Guerra e diversas agências de inteligência a desclassificarem e divulgarem arquivos governamentais sobre vida extraterrestre, Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAPs) e os clássicos OVNIs.

A decisão não nasceu no vácuo cósmico. Ela é o capítulo mais recente de um duelo de narrativas com seu antecessor, Barack Obama. Tudo começou quando Obama, em uma entrevista ao podcast de Brian Tyler Cohen, foi confrontado com a pergunta de um milhão de dólares (ou de alguns anos-luz): os alienígenas são reais? A resposta do democrata foi um prato cheio para os entusiastas da ufologia, mas com uma ressalva pragmática. Obama afirmou que “eles são reais”, mas esclareceu que nunca os viu pessoalmente e que a famosa Área 51, em Nevada, não passa de uma base militar sem túneis secretos repletos de naves acidentadas. “A menos que haja essa enorme conspiração e eles tenham escondido isso do presidente”, brincou o ex-mandatário.


A resposta, no entanto, não caiu bem a bordo do Air Force One. Durante uma viagem para a Geórgia, Trump disparou contra a declaração de Obama, acusando-o de vazar informações sigilosas sem autorização. “Ele tirou isso de inteligência classificada… Ele cometeu um grande erro”, afirmou o atual presidente aos repórteres, embora não tenha apresentado provas de que Obama tenha acessado pastas proibidas para fundamentar sua opinião. Enquanto Obama tentava, via Instagram, explicar que sua afirmação era baseada em probabilidades estatísticas — já que a vastidão do universo torna quase impossível estarmos sozinhos, embora a distância torne visitas improváveis —, Trump aproveitou o vácuo para posar como o “paladino da verdade” que abrirá os cofres do Pentágono.

Essa disputa toca em um nervo exposto da cultura americana: a Área 51. Oficialmente, a base é um local de testes para aeronaves espiãs ultrassecretas, como os modelos U-2 e A-12, conforme documentos da CIA liberados em 2013. Mas, no imaginário popular, o local continua sendo o depósito do incidente de Roswell. Ao ordenar a abertura dos arquivos, Trump joga para a plateia que desconfia do “Estado Profundo” (o Deep State), sugerindo que pode haver algo que seus antecessores não quiseram — ou não puderam — revelar. Curiosamente, o próprio Trump admitiu: “Eu não sei se eles são reais ou não”, mantendo o mistério enquanto assina a ordem de abertura.

A ciência, porém, joga com dados mais frios do que o vácuo espacial. O Pentágono tem intensificado as investigações nos últimos anos, criando escritórios específicos para analisar vídeos de pilotos da Marinha que mostram objetos com movimentos que parecem desafiar as leis da física. Contudo, até agora, o balanço oficial é decepcionante para quem espera ver um “greys” de olhos grandes. Um relatório detalhado do Departamento de Defesa, publicado em 2024, foi categórico: as investigações realizadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial não encontraram um único parafuso de tecnologia extraterrestre. A maioria dos avistamentos foi explicada como balões meteorológicos, drones de vigilância estrangeira, cristais de gelo ou fenômenos atmosféricos comuns identificados erroneamente sob condições de estresse.

Ainda assim, a decisão de Trump de forçar a mão das agências de defesa pode ter efeitos colaterais interessantes. Se não encontrarmos o “E.T. de Varginha” americano, a abertura dos documentos pode revelar tecnologias de espionagem e defesa que estavam sob sete chaves, oferecendo um vislumbre de como as superpotências monitoram os céus. Para a ciência, a discussão sobre a probabilidade estatística de vida fora da Terra — o argumento de Obama — continua sólida, baseada na Equação de Drake, que tenta calcular o número de civilizações tecnologicamente avançadas na Via Láctea.

Entre a política de retaliação e a curiosidade científica, o fato é que o tema saiu das convenções de ufologia para o centro do debate governamental. Se os documentos de Trump trouxerem fotos em alta definição de discos voadores ou apenas mais relatórios sobre drones chineses mal identificados, o tempo dirá. Por enquanto, o que temos é uma disputa de egos terrestre sobre segredos que podem nem existir. Como diz o ditado favorito dos fãs de Arquivo X: a verdade está lá fora. Mas, em Washington, ela parece estar mais nos arquivos do que nas estrelas.




