INTERNACIONAL

Venezuela mergulha em turbulência após ditador e oposição se afirmarem como vencedores nas eleições

Estudantes em Caracas realizam protestos e são presos por membros da Guarda Nacional Bolivariana, a polícia política de Nicolás Maduro — Foto: JORGE SILVA / Reuters

Os bolivarianos interromperam o acesso da Plataforma Unitária Democrática aos dados do CNE, declarando a vitória de Maduro como irreversível devido a supostos ataques de hackers. Maduro afirmou ser o presidente reeleito da Venezuela, sem apresentar evidências

A ditadura de extrema esquerda na Venezuela, liderada por Nicolás Maduro, mais uma vez violou a vontade democrática da maioria do povo venezuelano, aprofundando o caos social e político que assola o país há 25 anos, desde que o socialista Hugo Chávez assumiu o poder. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo governo, declarou Maduro vencedor com sete pontos de vantagem sobre Edmundo González Urrutia, em uma apuração marcada pela falta de transparência e legitimidade.

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O resultado coloca a Venezuela em um cenário familiar de impasse e descrédito político, contestado veementemente pela oposição e questionado pelos governos do Chile, Argentina e Peru. Até o momento, atores essenciais no processo, como Brasil e Colômbia, não se pronunciaram. O desfecho das eleições, repleto de irregularidades, seguiu o conhecido roteiro de fraude que tem se sofisticado ao longo de 25 anos de chavismo no poder.

O regime interrompeu a transmissão de dados, impedindo o acesso da Plataforma Unitária Democrática, um bloco de dez partidos que desafiou Maduro, ao sistema de dados do CNE. Elvis Amoroso, presidente do CNE, declarou o resultado como irreversível, atribuindo a demora aos ataques de “terroristas” ao sistema. Pouco depois, Maduro apareceu diante do Palácio Miraflores para corroborar, sem evidências, que o sistema havia sido hackeado. “Posso dizer perante o mundo que sou o presidente reeleito da Venezuela”, afirmou.

Denúncias de manipulação: ausência das atas de votação gera polêmica

As atas de votação não foram apresentadas pelo regime, que forneceu apenas as porcentagens de 51,2% para Maduro e 44,2% para González, com 80% das urnas apuradas. Estes dados, divulgados de forma primária e sem auditoria, tornaram o resultado inverossímil aos olhos da oposição. Edmundo González e María Corina Machado ignoraram o veredicto do regime, afirmando ter acesso a 40% das atas que indicavam uma vitória de González com cerca de 70% dos votos contra 30% de Maduro.
“Queremos dizer a todos os venezuelanos e ao mundo que a Venezuela tem um novo presidente eleito e é Edmundo González Urrutia”, declarou Machado, apontando que quatro contagens rápidas confirmaram a vitória do diplomata aposentado.
Mais uma vez, a Venezuela mergulha no caos, com dois presidentes autodeclarados, evidenciando a profunda crise política e social que atormenta o país.


Brasil e Colômbia são criticados por sua “omissão vergonhosa” diante da crise venezuelana

A comunidade internacional observa com crescente preocupação a escalada da crise venezuelana. Governos do Chile, Argentina e Peru já expressaram seu repúdio ao resultado eleitoral, enquanto Brasil e Colômbia permanecem em silêncio. Este silêncio, no entanto, não esconde a realidade: a Venezuela está à beira de um colapso total.
O futuro da Venezuela permanece incerto. A resistência da oposição e a pressão internacional são fatores cruciais, mas a capacidade de Maduro de manter o controle através da força e manipulação não pode ser subestimada. Enquanto isso, o povo venezuelano continua a sofrer as consequências de um regime que se recusa a ouvir suas vozes e respeitar sua vontade democrática.
Em um país marcado por décadas de autoritarismo, a recente manobra de Maduro é mais um golpe devastador contra a democracia. A fraude eleitoral não apenas subverteu a vontade popular, mas também aprofundou a crise política e social, deixando a Venezuela em um estado de desespero e incerteza.
A comunidade internacional deve responder com firmeza, e a oposição interna deve continuar a lutar pela restauração da democracia e pelo respeito aos direitos humanos no país.

Executiva nacional do PT afirma que eleição de Maduro foi ‘democrática e soberana’

A executiva nacional do PT afirmou em nota divulgada na segunda-feira (29) que o processo eleitoral que elegeu Nicolás Maduro no domingo foi uma “jornada pacífica, democrática e soberana”.
O PT cumprimentou o povo venezuelano pela eleição e declarou ter certeza que o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), que apontou a vitória de Maduro, “dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receba, nos prazos e nos termos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela”.
Na nota, a executiva nacional disse ainda que é importante que Maduro continue o diálogo com a oposição para superar os problemas da Venezuela e opina que eles são causados, em grande parte, por “sanções ilegais”.
“O PT seguirá vigilante para contribuir, na medida de suas forças, para que os problemas da América Latina e Caribe sejam tratados pelos povos da nossa região, sem nenhum tipo de violência e ingerência externa”, completa o comunicado.
A nota foi compartilhada por Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido, nas redes sociais.
O governo Lula (PT), que tem laços históricos com o chavismo, defendeu que o CNE divulgue as informações das mesas de votação. Em uma nota, o Itamaraty não parabenizou Maduro e pediu a publicação de “dados desagregados por mesa de votação”.
Também na noite de segunda, o Itamaraty publicou um alerta aos brasileiros que vivem ou estão na Venezuela para que evitem aglomerações e se informem pelas mídias sociais da embaixada sobre as condições de segurança do local onde estão.
Nas últimas horas, protestos contra a vitória do ditador Nicolás Maduro foram registrados no país.

Veja a nota completa do PT

“O PT saúda o povo venezuelano pelo processo eleitoral ocorrido no domingo, dia 28 de julho de 2024, em uma jornada pacífica, democrática e soberana. Temos a certeza de que o Conselho Nacional Eleitoral, que apontou a vitória do presidente Nicolás Maduro, dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receba, nos prazos e nos termos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela. Importante que o presidente Nicolás Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais. O PT seguirá vigilante para contribuir, na medida de suas forças, para que os problemas da América Latina e Caribe sejam tratados pelos povos da nossa região, sem nenhum tipo de violência e ingerência externa”.

Executiva Nacional do PT


(POR CRISTINA CAMARGO/FOLHAPRESS)

Protestos eclodem na Venezuela após regime declarar vitória de Maduro

Pelo menos uma morte foi registrada durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança pelo país. Favorita nas pesquisas, oposição contesta resultado e convoca mais protestos 

Protestos eclodiram na Venezuela na segunda-feira (29/07), depois de o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), um órgão fortemente controlado pelo regime, ter declarado o presidente, Nicolás Maduro, vencedor na eleição de domingo. Em todo o país, foram registrados confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com relatos de pelo menos uma morte em conexão com as manifestações. Mais protestos foram convocados para a terça-feira, 30.

De acordo com o Observatório de Conflitos da Venezuela, até as 18h de segunda, haviam sido registrados 187 protestos em 20 estados, com relatos de “inúmeros atos de repressão e violência realizados por coletivos paramilitares e forças de segurança”. Imagens de televisão mostraram a polícia usando gás lacrimogêneo e ocasionalmente batendo em pessoas. Tiros também foram disparados contra manifestantes que marchavam para o palácio presidencial na capital Caracas, informou o jornal El Nacional.
Em Caracas, a polícia ergueu barreiras com escudos e cassetetes e usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. Em Coro, capital do estado de Falcón, manifestantes aplaudiam enquanto era derrubada uma estátua representando o ex-presidente Hugo Chávez, mentor de Maduro e morto em 2013.
Por todo o país, foram organizados panelaços e motociatas. Muitos manifestantes carregavam bandeiras da Venezuela. Alguns cobriam o rosto com lenços como proteção contra gás lacrimogêneo.


“Eu lutarei pela democracia do meu país. Eles roubaram a eleição de nós”, disse um manifestante à agência de notícias Reuters. “Precisamos continuar lutando pela juventude”.
Segundo a ONG Foro Penal, pelo menos uma pessoa morreu e outras 46 foram presas em conexão com as manifestações. A morte teria sido no estado de Yaracuy, no norte, embora ainda não haja detalhes sobre o ocorrido. A imprensa local fala ainda em mais uma morte na véspera, no estado de Tachira, durante um tiroteio numa seção eleitoral. (POR DEUTSCHE WELLE)

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