INTERNACIONAL

Presidente dos EUA protagoniza momentos constrangedores com líderes na cúpula da Otan

Presidente americano deu mostras de graves deficiências de raciocínio — Foto: Susan Walsh/AP/picture allanca

Durante uma conferência de imprensa, Biden acidentalmente se referiu a Donald Trump como seu vice-presidente, em vez de Kamala Harris. Ele esclareceu dizendo que não teria escolhido Trump como vice-presidente se não acreditasse que estava qualificado para ser presidente

O presidente dos EUA, Joe Biden, resistiu aos apelos para que desista da corrida presidencial na quinta-feira (11/07) numa coletiva de imprensa de cerca de uma hora de duração e concedida ao final da cúpula da Otan em Washington.
A entrevista, entretanto, foi ofuscada por gafes do presidente americano em um momento em que cresce a discussão sobre se ele, aos 81 anos, está em condições para exercer um segundo mandato, semanas após um desempenho desastroso em um debate televisivo contra o ex-presidente Donald Trump.

Antes da coletiva, Biden erroneamente apresentou o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, como “presidente Putin” durante um evento da cúpula da Otan. “E agora quero passar a palavra ao presidente da Ucrânia, que tem tanta coragem quanto determinação. Senhoras e senhores…presidente Putin”, disse Biden, retornando ao microfone segundos depois para se corrigir. “Presidente Putin?! Vamos derrotar o presidente Putin! Presidente Zelenski! Estou tão focado em derrotar Putin, temos que nos preocupar com isso”, afirmou. O presidente ucraniano respondeu de forma bem-humorada: “Eu sou melhor (que Putin)!”. Ao que Biden respondeu. “Sim, você é muito melhor”, provocando risadas da plateia.


Posteriormente, durante a coletiva, ao responder à primeira pergunta dos jornalistas, Biden chamou Donald Trump de seu vice-presidente, confundindo-o com Kamala Harris. “Eu não teria escolhido a vice-presidente Trump para ser vice-presidente se ela não fosse qualificada para ser presidente”, disse.

Scholz e Macron defendem Biden após gafe

O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, e o presidente da França, Emmanuel Macron, defenderam Biden após o deslize com Zelenski.
“Deslizes de linguagem acontecem e, se você sempre monitorar todo mundo, encontrará muitos deles”, disse Scholz quando perguntado sobre a confusão entre Putin e Zelenski. “Mas isso não muda nada do que o presidente dos EUA declarou claramente em seu discurso”, acrescentou.
“Todos nós cometemos erros às vezes”, disse Macron, quando lhe perguntaram sobre a gafe. “Isso já aconteceu comigo e pode acontecer novamente amanhã”, disse.
Macron afirmou ainda que o presidente dos EUA está “no comando” e bem atualizado com todas as questões quando lhe perguntaram sobre sua reunião com Biden na noite anterior. “Pude conversar longamente com o Biden ontem durante o jantar”, disse. “Vi, como sempre, um presidente que está no comando, claro sobre as questões que ele conhece bem.”



“Kremlin mente como o diabo”

O presidente americano também foi questionado sobre o lapso que cometeu mais cedo, quando se referiu a Zelenski, como “Putin”. Visivelmente irritado, Biden minimizou a situação. “Você já viu uma cúpula mais bem-sucedida? Eu estava falando sobre Putin e disse ‘Putin’, não, desculpe, Zelenski”, afirmou, lembrando a primeira gafe.
“Sei que parece muito egoísta, mas outros líderes, chefes de Estado, ao me agradecerem, dizem: a razão de estarmos juntos é por Biden. Acho que foi a cúpula mais bem-sucedida da qual participei em muito tempo”, acrescentou.

“Não tenho nenhum bom motivo para falar com Putin neste momento”, disse, observando que isso se deve ao fato de o presidente russo não ter demonstrado disposição para “mudar seu comportamento”.
Biden continuou dizendo que o Kremlin “mente como o diabo” sobre a guerra na Ucrânia e já perdeu 350 mil soldados em combate.
“Estou pronto para conversar com qualquer líder que queira conversar, inclusive Putin”, acrescentou.

“Guerra em Gaza deve acabar”

Biden disse ainda que seu governo está progredindo em direção a um cessar-fogo em Gaza, nove meses após o início do conflito, que começou na sequência do ataque terrorista do Hamas a Israel.
“Essas são questões difíceis e complexas. Ainda há lacunas a serem preenchidas. Estamos progredindo. A tendência é positiva, e estou determinado a fechar esse acordo e pôr fim a essa guerra, que deve acabar agora”, disse Biden aos repórteres.
Biden é o presidente mais velho da história dos EUA e o primeiro octogenário. Se ele vencer Trump na eleição de 5 de novembro e cumprir um mandato de quatro anos, deixará o cargo aos 86 anos.

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