ONGs relatam assassinatos em massa de jovens durante repressão a protestos no Irã. Extermínio lembra nazistas
Snipers posicionados em edifícios governamentais monitoram a movimentação de civis; relatos apontam execuções deliberadas mesmo de quem não participava dos protestos

O cenário político e social no Irã atingiu, nas primeiras semanas de 2026, um ponto de ruptura que a história contemporânea registrará como um dos episódios mais sombrios da teocracia islâmica. O que se presencia nas avenidas de Teerã e em outras metrópoles iranianas não é apenas a repressão a um levante civil, mas uma campanha sistemática de extermínio conduzida pelo Estado contra sua própria juventude. Sob a égide do regime liderado pelos aiatolás e executado pela administração do presidente Masoud Pezeshkian, centenas de manifestantes foram assassinados em plena luz do dia, vítimas de uma determinação oficial que autoriza a polícia e os militares do exército a empregarem força letal sem distinção de idade, gênero ou mesmo de participação ativa nos protestos.

A brutalidade escalou a tal ponto que civis que apenas transitavam pelas áreas de conflito estão sendo alvejados, configurando uma política de terrorismo de Estado que ignora qualquer convenção internacional de direitos humanos.
Enquanto o mundo assiste atônito ao derramamento de sangue, o governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, mantém um silêncio que muitos analistas internacionais e defensores dos direitos fundamentais classificam como conivente. Este posicionamento diplomático do Brasil, pautado por um alinhamento político histórico e estratégico com Teerã, gera uma lacuna ética profunda na política externa do país, que tradicionalmente se coloca como defensora da autodeterminação dos povos e da paz.

A gênese desta crise remonta a 28 de dezembro de 2025. O que começou como um movimento espontâneo de indignação contra uma crise econômica sem precedentes — marcada por uma inflação que devora o poder de compra e uma desvalorização recorde do rial — rapidamente transbordou para um questionamento direto às bases do autoritarismo teocrático que governa o Irã desde 1979. A população, exaurida por décadas de restrições sociais e má gestão econômica, ocupou as ruas para exigir não apenas pão, mas liberdade.

No entanto, a resposta do regime de Pezeshkian não foi o diálogo ou a proposta de reformas estruturais para acalmar os ânimos de uma sociedade em frangalhos. Pelo contrário, o aparato de segurança iraniano recebeu ordens explícitas, conforme corroborado por investigações de veículos como o The New York Times, para adotar a tática do “atirar para matar”. O relato de testemunhas oculares descreve um cenário de guerra urbana onde a desigualdade de forças é absoluta: de um lado, cidadãos desarmados com cartazes e palavras de ordem; do outro, snipers posicionados em telhados de edifícios governamentais e unidades motorizadas que percorrem as ruas disparando indiscriminadamente contra a multidão.

Descrição técnica das execuções no Irã aponta para estratégia de calar através da morte

A descrição técnica das execuções é aterrorizante e aponta para uma intenção deliberada de homicídio em massa. Profissionais de saúde iranianos, que arriscam suas vidas para vazar informações em meio ao bloqueio comunicacional imposto pelo Estado, relatam que a maioria dos feridos que chegam às emergências hospitalares apresenta perfurações por bala na cabeça, no pescoço ou no tórax. Este padrão de ferimentos descarta qualquer tentativa de dispersão de multidão com métodos não letais ou disparos de advertência; o objetivo claro é a letalidade imediata para silenciar a dissidência através do medo e da eliminação física.

Os hospitais em Teerã e em centros regionais transformaram-se em zonas de caos absoluto, com dezenas de feridos dando entrada a cada minuto. Para agravar a situação, o regime sitiou unidades de saúde, prendendo manifestantes feridos diretamente de suas macas e intimidando médicos para que não registrassem a natureza real dos ferimentos, numa tentativa desesperada de apagar os rastros da chacina estatal.
A estratégia de repressão incluiu o isolamento digital completo do país. Ao cortar o acesso à internet e às redes de telefonia móvel, os aiatolás tentaram criar uma câmara de silêncio onde o massacre pudesse ocorrer sem o escrutínio das câmeras de smartphones ou a repercussão imediata em redes sociais globais. Contudo, a magnitude da violência foi tal que as informações transbordaram as fronteiras.
Imagens obtidas por satélites e relatos de cidadãos que conseguiram contornar os bloqueios mostram forças especiais utilizando motocicletas e veículos blindados para cercar manifestantes em praças e becos, operando como uma força de ocupação em território inimigo. Não se trata mais de controle da ordem pública, mas de uma caçada humana orquestrada por um regime que sente seu poder ameaçado e decide que a vida de seus cidadãos é um preço aceitável para a manutenção do status quo teocrático.
Governo brasileiro é criticado por silêncio frente às atrocidades em Teerã

Neste contexto de horror, a postura do governo brasileiro levanta questionamentos severos sobre a coerência de sua agenda internacional. O atrelamento político e diplomático entre Brasília e Teerã parece ter criado uma blindagem retórica que impede o Palácio do Planalto de condenar as atrocidades cometidas por Pezeshkian. O silêncio do presidente Lula é interpretado como uma escolha deliberada por não antagonizar um aliado no bloco das nações do Sul Global, mesmo quando este aliado utiliza snipers para abater jovens nas ruas.
Essa omissão brasileira contrasta com a reação de outras democracias ocidentais e organismos internacionais que já pediram investigações urgentes por crimes contra a humanidade. O pragmatismo diplomático, levado a esse extremo, flerta com a cumplicidade moral, uma vez que o Brasil possui assento e voz em fóruns onde o direito à vida deveria ser defendido acima de interesses comerciais ou alinhamentos ideológicos temporários.

A situação no Irã, portanto, não é um fenômeno isolado, mas o ápice de um descontentamento acumulado que encontrou na violência do Estado o seu combustível mais inflamável. Enquanto o regime tenta sufocar os protestos através da morte e do isolamento, a resiliência dos manifestantes, especialmente das mulheres e da juventude, indica que o medo pode ter sido vencido pela necessidade de mudança.
As ordens de “atirar para matar” podem esvaziar as ruas momentaneamente, mas as centenas de jovens assassinados tornam-se mártires de uma causa que o regime islâmico parece não mais conseguir conter apenas com dogmas ou armas. O mundo aguarda agora para ver se a pressão internacional e o clamor das ruas serão capazes de interromper a trajetória sanguinária de Masoud Pezeshkian ou se o Irã mergulhará em um período de escuridão ainda maior, sob o olhar silencioso de nações que, como o Brasil, preferem a conveniência política à defesa da vida humana.




