INTERNACIONAL

Papa pede desculpas por fala preconceituosa sobre “viadagem” nos seminários da Igreja Católica

Papa Francisco costuma pregar o acolhimento da comunidade LGBTQIA+ dentro do catolicismo – Foto: Alberto Pizzoli/AFP

Esse debate tem se intensificado nos últimos anos, com alguns membros da Igreja defendendo a inclusão e aceitação de padres gays, enquanto outros argumentam que a homossexualidade é incompatível com os ensinamentos da Igreja

O papa Francisco pediu desculpas por usar um termo considerado homofóbico em uma reunião com bispos italianos, em 20 de maio. Na ocasião, o pontífice teria instruído os clérigos a não aceitarem mais padres abertamente gays porque já teria “viadagem demais” nos seminários.
O posicionamento acontece após a imprensa italiana divulgar, na segunda-feira (27), que o líder da Igreja Católica fez comentários homofóbicos em uma reunião a portas fechadas com mais de 200 bispos na inauguração da Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI) na Sala do Sínodo.

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Na ocasião, Francisco teria lançado severos apelos por uma seleção mais rigorosa no acesso aos seminários, usando termos incisivos e até apontando o dedo contra o excesso de “frociaggine” [termo em italiano que pode ser traduzido como “viadagem”].
“O papa nunca quis ofender ou se expressar em termos homofóbicos e pede desculpas àqueles que se sentiram ofendidos”, disse o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, aos jornalistas.

A fala teria surpreendido os mais de 200 presentes, conforme a agência de notícias italiana Ansa. Alguns bispos sugeriram que Francisco, por ser argentino, poderia não ter percebido que o termo italiano usado era ofensivo.
A declaração se dá em um contexto de crescente debate dentro da Igreja Católica sobre a aceitação de padres gays. Apesar de ter utilizado uma expressão considerada ofensiva, o pontífice já se posicionou outras vezes em defesa da inclusão de pessoas da comunidade LGBT+ na Igreja Católica.

Em janeiro de 2024, defendeu a decisão histórica do Vaticano que aprovou bênçãos para indivíduos em “união irregular”. Segundo o papa, a Igreja Católica deve pegar os homossexuais “pela mão” e não “condená-los”. Com informações de Poder 360 e Ópera Mundi.

Papa diz que seminários estão ‘cheios de viadagem’, segundo imprensa italiana

Fonte: FolhaPress

O papa Francisco disse em uma reunião a portas fechadas com bispos italianos que os seminários já estão “cheios de viadagem”, e que homens gays não podem ter permissão para se tornar padres, de acordo com reportagens da imprensa italiana publicadas nesta segunda-feira (27).
Os dois principais jornais do país, o La Repubblica e o Corriere della Sera, disseram que o papa usou o termo considerado homofóbico frociaggine, no original em italiano, em conversa com membros da Conferência Episcopal Italiana, entidade equivalente à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Vaticano não se pronunciou sobre o caso, que teria acontecido no último dia 20.
Os bispos que foram ouvidos pelo Corriere della Sera disseram que estava claro que o pontífice “não tinha consciência” do quão ofensiva a palavra é em italiano, que não é a língua materna de Francisco. Disseram ainda que “a gafe do papa foi evidente” aos presentes.
Desde que foi eleito papa pelo colégio cardinalício em 2013, Francisco, 87, orientou a Igreja a uma postura mais acolhedora com fiéis LGBTQIA+.
A medida mais significativa veio em dezembro do ano passado, quando o pontífice e autorizou a bênção a casais do mesmo sexo e àqueles considerados “em situação irregular”, termo usado para se referir aos que estão em sua segunda união após um divórcio. Francisco, entretanto, manteve o veto ao casamento homoafetivo.
O texto dizia que a bênção litúrgica aos casais homoafetivos em nada deve se assemelhar ao casamento. “Essa bênção nunca será realizada ao mesmo tempo que ritos civis de união, nem em conexão com eles, para não produzir confusão com a bênção do sacramento do matrimônio”, de acordo com um trecho.’
Foi a primeira vez que a Igreja Católica abriu caminho para a bênção a casais do mesmo sexo, e gerou uma forte reação da ala conservadora da instituição –formada principalmente por católicos dos Estados Unidos.
Francisco também deu várias declarações direcionadas a pessoas LGBT, como quando disse, em 2013, de volta de uma viagem ao Brasil no início de seu pontificado: “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”.
Em janeiro de 2023, disse que a homossexualidade não é crime, mas é pecado, em uma entrevista à agência Associated Press em que pedia o fim de leis pelo mundo que criminalizam a orientação sexual.
“Ser homossexual não é crime”, disse. “Não é crime. Sim, mas é um pecado. Tudo bem, mas primeiro vamos distinguir um pecado de um crime. Também é pecado não ter caridade com o próximo.”
Na entrevista, Francisco reconheceu que lideranças católicas em algumas partes do mundo ainda apoiam leis que criminalizam a homossexualidade ou discriminam a comunidade LGBTQIA+.
“Esses bispos precisam ter um processo de conversão”, afirmou o pontífice, acrescentando que tais lideranças devem agir com ternura -“por favor, como Deus tem por cada um de nós”.

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