INTERNACIONAL

Estudante da extrema-esquerda defende a continuidade de assassinatos de políticos da direita

‘Não me sinto mal’, escreveu Julia Xu, que estuda em uma universidade de Ohio, EUA

Universitária Julia Xu pediu ‘mais assassinatos políticos’ após a morte de Charlie Kirk — Foto: Reprodução/X; AFP


Uma estudante do Oberlin College, instituição privada de Ohio (EUA), está no centro de uma polêmica perturbadora ao defender abertamente a continuidade de assassinatos políticos. Em publicação nas redes sociais, Julia Xu escreveu: “Precisamos trazer de volta os assassinatos políticos”. Sob o pseudônimo @bringbacktheguillotine, a jovem afirmou ainda que não se sente mal com a morte do ativista conservador Charlie Kirk, ocorrida na semana passada, e que algumas pessoas “deveriam ter medo de expressar sua opinião em público”.
A declaração não é apenas um ato de imprudência juvenil: é um exemplo alarmante do veneno político que vem corroendo ambientes acadêmicos e redes sociais. O assassinato de Kirk, figura de grande influência na direita norte-americana e aliado de Donald Trump, já havia chocado o país.

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Ele foi morto com um tiro no pescoço durante um evento em uma universidade em Utah. Tyler Robinson, de 22 anos, foi preso como principal suspeito. Agora, ao transformar essa tragédia em combustível ideológico, Julia ultrapassa todas as fronteiras éticas.
O Oberlin College, conhecido por seu perfil progressista, vê seu nome envolvido em uma controvérsia que expõe a radicalização de parte da juventude universitária. Julia Xu, aluna do segundo ano com especialização em política e relações internacionais, também integra o conselho consultivo de Iniciativas de Gênero, Sexualidade e Atração — grupo que deveria ser espaço de acolhimento e diálogo — e participa do coletivo Students for a Free Palestine.

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Sua postura, porém, revela uma contradição abissal: pregar diversidade e liberdade para uns, mas aplaudir a eliminação física de outros.
Segundo Julia Xu, sua perspectiva foi influenciada por seus estudos sobre Mao Tse-Tung. Xu declarou que aprendeu que, após a Revolução Chinesa de 1949, Mao permitia a livre expressão para alguns, mas achava que “não deveria haver liberdade de expressão para reacionários, imperialistas e capitalistas”, argumentando que essas vozes poderiam reverter o progresso da revolução.
Na sala de aula, outros estudantes ficaram chocados com suas afirmações. Xu comentou que os estudantes masculinos em particular pareceram demonstrar simpatia pela morte de Kirk, o que ela interpreta como reflexo de identidade ideológica/demográfica (por exemplo, homens brancos se identificando com alguém que pensam “ser parecido com eles”).
Após a repercussão, Xu divulgou uma retratação, dizendo que não defende de fato assassinatos políticos, que suas afirmações foram inapropriadas ou feitas de maneira “tactless” (descuidada).
A presidente de Oberlin College, Carmen Twillie Ambar, também se posicionou publicamente, condenando a violência política e afirmando que as opiniões de Xu não refletem a universidade ou seus professores.
As postagens originais de Xu e um blog universitário que mencionava detalhes de sua formação foram removidos depois que o incidente ganhou visibilidade.


Ameaças à democracia e monopólio da verdade
Esse episódio mostra como o extremismo, seja de que ideologia for, quando romantiza a violência, se transforma em ameaça real à democracia e ao direito mais básico: o de existir e se expressar. Não se trata de debate político, mas de incitação ao ódio. Não há justificativa acadêmica, cultural ou ideológica que autorize alguém a defender assassinatos.
O caso de Julia Xu expõe a falência de uma lógica perigosa: a ideia de que determinados grupos podem monopolizar a “verdade” e calar os demais à força. É a negação completa do espírito democrático e da convivência plural. Universidades, que deveriam ser laboratórios de ideias e espaço de confronto civilizado de opiniões, não podem se tornar terreno fértil para discursos que legitimam o terror.
Quando a morte vira ferramenta de discurso político, a civilização retrocede. O alerta que fica é claro: normalizar esse tipo de narrativa abre caminho para mais tragédias, e o silêncio cúmplice diante dela é, em si, um ato de violência.

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