INTERNACIONAL

Rússia lança segundo ataque de mísseis sobre a Ucrânia e deixa mortos

Explosão é vista na capital ucraniana de Kiev na quinta-feira, 24

A Ucrânia está sendo atingida por uma segunda onda de mísseis, de acordo com um assessor próximo do presidente Volodmir Zelenski. Uma série de explosões foi ouvida em Kiev às 12h desta quinta-feira (7h pelo horário de Brasília). Um dirigente do Ministério do Interior da Ucrânia disse que centros de comando em diversas cidades, inclusive Kiev, foram alvos de ataques por mísseis.
De acordo com dirigentes do governo da Ucrânia, a primeira onda de bombas começou pouco depois do anúncio feito pelo presidente Vladimir Putin de que seria iniciada uma operação militar (ainda de madrugada pelo horário de Brasília). Pelo menos 18 pessoas teriam morrido na cidade de Odessa em um ataque, de acordo com as autoridades da região.

A Ucrânia afirmou ainda que destruiu quatro tanques russos em um estrada ao leste de Kharkiv e matou 50 soldados próximo a uma cidade na região de Luhansk, além de ter abatido um sexto avião da Rússia. O país liderado por Vladimir Putin negou que a aeronave ou veículos tenham sido destruídos. O serviço de fronteira da Ucrânia afirmou que três de seus funcionários foram mortos ao sul da região de Kherson e muitos ficaram feridos.

Convocação em Kiev
O ministro da Defesa ucraniano Oleksii Reznikov afirmou nesta quinta-feira que quem estiver preparado e apto para “segurar uma arma” pode se juntar às forças de defesa territorial. Além disso a polícia disse que vai distribuir armas para veteranos.
A invasão ocorre algumas horas depois de a Rússia afirmar ter recebido um pedido de ajuda dos separatistas pró-Rússia para, segundo eles, combater o Exército ucraniano e “repelir a agressão das forças armadas e formações da Ucrânia”, embora autoridades em Kiev digam que não houve tal agressão – e que nenhuma está planejada.
Milhares de pessoas tentam deixar Kiev; capital da Ucrânia vive caos
Milhares de moradores de Kiev começaram a deixar a capital da Ucrânia no começo desta quinta-feira, 24. A capital começa a viver um caos. Há imagens de enormes congestionamentos se formando, especialmente nos corredores de acesso às saídas da cidade.


O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitro Kuleba, acusou Vladimir Putin de iniciar uma “invasão em grande escala” contra seu país.

Cidades ucranianas pacíficas estão sob ataque” tuitou. Contrariando as imagens captadas em solo ucraniano, Kuleba também afirmou que “ninguém está fugindo”.

— Dmitro Kuleba

Pelo menos duas explosões foram ouvidas na capital. Um pouco depois, as sirenes para alertar para bombardeios ressoaram no centro da capital. Os moradores correram para as estações subterrâneas do trem em busca de abrigo.
O Ministério da Infraestrutura da Ucrânia anunciou o fechamento do espaço aéreo do país “por causa do alto risco de segurança”, interrompendo o tráfego civil logo após a meia-noite. A Rússia afirma ter feito uma primeira ofensiva contra alvos militares em Kiev, Kharkiv e outras cidades no centro e no leste do país.
O Ministério da Defesa russo garante ter destruído a capacidade de defesa antiaérea da Ucrânia, bem como parte de seus jatos na operação e negou que seus militares estivessem realizando ataques contra cidades ucranianas. “Armas de alta precisão estão tornando inoperantes a infraestrutura militar do Exército ucraniano, sistemas de defesa aérea, pistas e jatos das forças aéreas”, disse a pasta.
Os ucranianos dizem ter derrubados cinco caças russos e um helicóptero durante os bombardeios, o que Moscou negou.
O presidente ucraniano Volodmir Zenlenski pediu calma e adotou lei marcial – quando regras militares substituem as leis civis comuns de um país.

Explosões foram registradas em pelo menos cinco cidades da Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, confirmou o ataque

Ameaças de Putin
Em uma mensagem televisionada, Putin anunciou sua decisão e prometeu retaliação a quem interferir na operação russa na Ucrânia. Na mensagem, o líder russo, que justificou sua decisão por um pedido de ajuda dos separatistas pró-russos e pela política agressiva da Otan com Moscou, também pediu que os militares ucranianos “deponham as armas”. “Qualquer um que tente interferir conosco, ou mais ainda, criar ameaças para nosso país e nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e o levará a consequências como você nunca experimentou em sua história.”
Putin classificou sua operação como um ataque aos “nazistas” na Ucrânia, assim como a rejeição da ordem mundial liderada pelos EUA. Segundo ele, a aspiração da Ucrânia de ingressar na Otan representa uma ameaça terrível para a Rússia.


LITERATURA AMAZÔNICA
O romance intitulado “Trezoitão”, de autoria do jornalista Emanoel Reis, está à venda na Loja Kindle. A história inicia com o assassinato de um deputado estadual, conhecido defensor de pequenos agricultores no interior do Pará. O autor do crime, codinome “Trezoitão”, é um matador de aluguel financiado por consórcio montado nos escaninhos do governo estadual, comandado pelo próprio governador. Ele é muito ligado ao latifúndio (pecuaristas, madeireiros, carvoeiros, grileiros). Toda a trama é ambientada nos Estados do Pará e Amapá. Quer saber mais sobre esta obra?

Chefe da Otan condena ‘ataque irresponsável e não provocado’ da Rússia à Ucrânia

Otan condena ataque
Horas após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciar ofensiva militar na Ucrânia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) condenou, “nos mais fortes termos possíveis”, o “horripilante” ataque, que considera “inteiramente injustificado e não provocado”. Em comunicado divulgado na manhã desta quinta-feira, a aliança também denunciou Belarus por apoiar as ações russas.
Segundo a nota, a operação representa “grave violação” da lei internacional e constitui um ato de agressão contra um país independente e pacífico. A Organização reitera apoio às instituições e aos líderes eleitos ucranianos, incluindo o Parlamento e o presidente.
“Sempre manteremos nosso total apoio à integridade territorial e à soberania da Ucrânia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, incluindo suas águas territoriais”, afirma.
A Otan exorta Moscou a cessar as atividades militares e a retirar suas tropas da região. Também critica o reconhecimento da independência de regiões separatistas no leste ucraniano e afirma que seus aliados nunca aceitarão essa medida “ilegal”. “Isso viola ainda mais a soberania e a integridade territorial da Ucrânia e viola os acordos de Minsk, dos quais a Rússia é signatária”, ressalta.


A aliança diz ainda que os líderes russos terão que suportar integral responsabilidade pelas consequências do seus atos, com um “pesado” preço político e econômico. “A Otan continuará a coordenar estreitamente com as partes interessadas relevantes e outras organizações internacionais, incluindo a UE União Europeia”, pontua.
A Organização acrescenta que, desde o início da crise, buscou soluções diplomáticas, mas que os esforços não foram recíprocos e que os russos escolheram a escalada do conflito. “As ações da Rússia representam uma séria ameaça à segurança euro-atlântica e terão consequências geoestratégicas”, destaca.
A Otan conclui afirmando que tomará todas as medidas necessárias para garantir segurança e defesa de seus aliados e que mobilizou forças defensivas adicionais no leste da aliança.
“Decidimos, de acordo com nosso planejamento defensivo para proteger todos os aliados, tomar medidas adicionais para fortalecer ainda mais a deterrência e a defesa em toda a Aliança”, pontua, acrescentando que as medidas são “preventiva, proporcional” e não visam à escalada.

CLIQUE NA IMAGEM

Conselho Europeu se manifesta
Os membros do Conselho Europeu divulgaram comunicado conjunto nesta quinta-feira, 24, no qual demandam que a Rússia cesse as atividades militares, “incondicionalmente” retire forças e equipamentos militares da Ucrânia e respeite a “integridade, soberania e independência” do país. “Esse uso de força e coerção não tem lugar no século 21”, diz a nota.
De acordo com o texto, os líderes do Conselho se reunirão hoje para discutir a “flagrante agressão” russa e decidir sanções que vão “impor consequências maciças e graves à Rússia pela sua ação em estreita coordenação com os nossos parceiros transatlânticos.”
Os integrantes do bloco condenam a ofensiva de Moscou e o apoio de Belarus e também fornecerão ajuda política, financeira e humanitária aos ucranianos. “Por suas ações militares não provocadas e injustificadas, a Rússia está violando grosseiramente o direito internacional e minando a segurança e a estabilidade europeias e globais”, destacam.
Os líderes ainda dizem que “deploram” as perdas de vida e o sofrimento decorrentes desse episódio. “Apelamos à Rússia e às formações armadas apoiadas pela Rússia para que respeitem o direito internacional humanitário”, finalizam.

OEA
A secretaria da Organização dos Estados Americanos (OEA) também condenou, nesta quinta-feira, a invasão da Ucrânia pela Rússia e exortou Moscou a cessar imediatamente as hostilidades que “irresponsavelmente” iniciou.
Em comunicado, a entidade que reúne 35 países americanos classifica a ofensiva de “crime contra a paz internacional” e “gravíssima violação do direito internacional”, com desrespeito à soberania e integridade territorial ucranianas.
“A agressão foi definida como ‘supremo crime internacional’ e constitui, sem dúvida, um atentado contra a paz e a segurança da humanidade, bem como as relações civilizadas entre os Estados”, destaca a nota.

Estabilidade mundial em jogo
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, afirmou nesta quinta-feira, 24, que a estabilidade da Europa e a ordem mundial pacífica “estão em jogo”, após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Em coletiva de imprensa, Von der Leyen chamou de “atroz” a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, de iniciar a ofensiva militar no país vizinho. Para ela, o ataque é a mais grave ameaça à segurança da região em décadas. “Em determinada e unida resposta, a União Europeia tornará o mais difícil possível para o Kremlin executar suas ações agressivas”, disse.
Von der Leyen revelou que conversou hoje por telefone com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que pediu ajuda às potencias ocidentais. Ela reiterou ainda que o bloco vai propor sanções maciças contra a Rússia, que limitarão o acesso aos mercados de capitais e provocarão efeitos econômicos, como redução da taxa de crescimento e aumento da inflação. As punições também devem bloquear o acesso de empresas russas a tecnologias, de acordo com ela.
A presidente da Comissão acrescentou que, nas últimas semanas, a UE trabalhou para reduzir a dependência do gás natural russo.
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que também participou da coletiva, afirmou que a Rússia atacou as “fundações da UE”, que é um projeto de paz. Ele reforçou que o Conselho se reunirá hoje e decidirá novas sanções. Também fez um apelo para que Belarus “não siga as ações destrutivas” de Moscou.


DEIXE SEU COMENTÁRIO

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.